Escola primária, projetada e construída em finais do séc. 19 por iniciativa do abastado comerciante lisboeta António Cândido da Encarnação. Apresenta uma arquitetura eclética, de traçado geometrizante e ornatos neogóticos. Apresenta características que se podem filiar nas "Instruções sobre a fundação de escolas de adultos, creação de novas cadeiras de francez e de inglez, construção de casas para escolas primárias...", publicadas pelo Governo em 1866 (DL 23 jul. 1866, n.º 163), como forma de tornar viável o legado do conde de Ferreira, falecido em março desse mesmo ano, e que previa a construção de 120 casas para escolas em todo o país. No capítulo 4 da referida legislação são estabelecidas as características que estes edifícios devem observar e das quais se destacam: a sua localização em local aprazível e de fácil acesso, reservando alguma distância dos demais edifícios, numa área de terreno nunca inferior a 600-900 m2, murada ou separada do exterior por vala; a área intra-muros contempla duas construções, a da escola e a da casa para o mestre-escola; a escola deve conter uma ou mais salas de aula (consoante o número de alunos), com uma superfície de 50 a 115 m2 e um pé-direito do 4 metros, a sua iluminação natural será efetuada pela existência de janelas, situadas sempre do lado esquerdo dos alunos; contígua à sala de aula ficará uma outra, mais pequena, destinada a apresentações públicas, recepção e biblioteca escolar; é ainda comtemplada a existência de um ou dois vestíbulos, consoante a escola seja para um ou para os dois sexos. A orientação das escolas segundo este primeiro regulamento de construções escolares, deveria ser a SO. (considerada a ideal para Portugal), o que poderia ser alterado de acordo com as condicionantes de cada caso. A ventilação e o aquecimento são igualmente regulamentados, assim como é exigida a existência de espaço para a realização de jogos ao ar livre
Planta rectangular a que se adossa a meio da fachada posterior um pequeno corpo também rectangular; coberturas diferenciadas em telhado de 4 águas sobre o edifício principal e de 3 águas no corpo adossado. A fachada principal de 3 corpos divididos por pilastras, mostra lambril e sanca com mísulas sustentando uma cornija envolvente; ao corpo central rematado por empena triangular, dá acesso uma escada de 2 lanços convergentes com guardas em cantaria ornadas por quadrifólios. A porta principal com verga de arco a meio ponto rasga-se a meio deste corpo, ladeada por janelas de vão rectangular, de moldura almofadada; janelas de traça idêntica, com meias portadas em tabuínhas, rasgam-se nos 2 corpos laterais. Na fachada posterior foi adossado posteriormente um corpo também rectangular, com portas e janelas de moldura lisa. INTERIOR: as salas de aulas situam-se nas alas laterais, abrindo as salas dos professores para a fachada principal.
Materiais
Cantaria e alvenaria de pedra calcária; telha cerâmica.
Observações
Anulado o processo classificação pelo IPPAR