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Castelo de Marvão

Castelo de Marvão

O ponto de interesse Castelo de Marvão encontra-se localizado na freguesia de Santa Maria de Marvão no municipio de Marvão e no distrito de Portalegre.

Fortificação de construção medieval, em local estratégico para defesa do território da raia espanhola, composto por castelo e cerca urbana, com barbacã extensa, do séc. 14 / 15, remodelada e reforçada por algumas obras modernas a partir de meados do séc. 17 e das Guerras da Restauração. Implanta-se sobre uma colina rochosa e escarpada, de forte declive, com as estruturas perfeitamente adaptadas à morfologia do terreno, orientadas no sentido noroeste - sudeste, em cujos topos, bem como à frente das portas da frente nascente e onde o declive é menos acentuado, se localizam as obras abaluartadas. O castelo é formado por dois recintos independentes, possivelmente já existentes no séc. 13, o inferior ou albacar, com funções militares e onde se poderia refugiar a população, integrando na frente sudeste cubelo retangular e, num recorte da muralha, porta em arco, e o superior composto por torre de menagem, num dos ângulo da muralha e avançando para o interior, cubelo ultra-semicircular no lado oposto, formando frente coberta por barbacã da porta, de perfil recortado, e tendo um outro cubelo a norte, disposto de ângulo. A torre de menagem possui acesso sobrelevado, por porta em arco sobre impostas, de feição medieval, e seteiras rasgadas em dois níveis, indiciando dois pisos, mas que foram reformados no séc. 15 / 16, altura em que, possivelmente, se executou a abóbada de nervuras biseladas com brasão real no fecho, no piso inferior, e se abriu a porta independente, a partir do adarve, para o piso superior, em arco biselado, entaipado entre 1942 e 1945. A cerca urbana terá sido construída em finais do séc. 13 / inícios do 14, no enfiamento do castelo e ocupando o remanescente da crista rochosa, conservando alguns cubelos retangulares ou ultra-semicirculares, e apresentando três portas, duas na frente nascente, ladeadas ou, no casa das Portas da Vila, flanqueadas por cubelos curvos, e a de sudeste, coberta por dois cubelos retangulares. Na transição do séc. 14 para o 15, foram construídas as barbacãs, uma extensa que se prolonga da frente sudeste até nordeste da cerca urbana, a da porta nordeste do recinto inferior do castelo e as das portas do recinto superior, a da frente noroeste subsistindo apenas pequeno troço inserido numa cortina. Possivelmente, foi também por esta altura que se construíram as várias linhas de muralhas e respetivos seccionamentos entre a frente sudeste do castelo e a cerca urbana, delimitando a cisterna grande e impondo ao inimigo percursos de entrada em curva por espaços confinados e cobertos a partir do adarve. Quer a cisterna grande, quer a pequena, no interior do recinto superior do castelo, possuem planta retangular, interiormente em cantaria siglada, com tramos definidos por arcos sobre pilares. As muralhas medievais do castelo e da cerca urbana apresentam os paramentos aprumados, rematados em parapeito simples, interiormente percorridos por adarve acedido por escadas adossadas, sem vestígios de seteiras ou troneiras, devido às demolições infligidas ou às reformas posteriores. Os acessos do castelo encontram-se bastante alterados e, desde meados de Setecentos, que se acedia ao seu interior a partir da vila, não existindo na cartografia da época qualquer marcação de caminhos no enfiamento das portas, tendo as das frente nordeste e noroeste do recinto inferior e a da frente noroeste do recinto superior, as duas últimas reaproveitando elementos antigos, pois apoiam-se em impostas, sido transformadas em poternas. Na sequência das Guerras da Restauração, optou-se por adaptar as estruturas medievais ao uso de artilharia, cortando alguns cubelos, criando plataformas de tiro e introduzindo canhoneiras nos seus paramentos e guaritas nos ângulos das muralhas, cubelos ou sobre as Portas de Ródão. Na torre de menagem elimina-se o piso superior e cria-se terraço sobre a abóbada da sala inferior, com parapeito e banqueta, esquema que mantinha em 1828, quando se projetava a sua adaptação a paiol permanente, e que ainda hoje preserva. É possível que o próprio perfil da muralha no topo noroeste do recinto inferior do castelo tenha sido alterado, visto atualmente formar como que duas tenalhas seguidas. Nos topos noroeste do castelo e sudeste da cerca, as barbacãs foram integradas ou reforçadas, respetivamente, por obras tipo tenalha, muito irregulares e adaptadas ao terreno, e a cobrir as portas da frente nascente da cerca urbana, reforça-se a barbacã extensa com meios baluartes. O das Portas de Ródão, remata em cordão, a diferentes alturas, e alto parapeito com canhoneiras e frestas de tiro, possuindo o terrapleno interior delimitado por panos de muro, criando corredor de circulação até à porta, coberto por frestas de tiro. Este meio baluarte conserva ainda pequeno paiol de bateria. Nas Portas da Vila sucedem-se três portas, em arco, a do meio baluarte, a da barbacã, flanqueada por cubelos ultra-semicirculares, e a da cerca. Todas as portas das estruturas modernas são em arco e despojadas de qualquer elemento decorativo.

Fortificação de planta poligonal irregular, desenvolvida no sentido noroeste - sudeste, adaptada à morfologia do terreno, composta por castelo e pela cerca da vila, possuindo entre ambos três cinturas de muralhas e várias compartimentações, barbacãs a cobrir as portas e setores mais frágeis, e estruturas abaluartadas a reforçar os topos noroeste e sudeste, bem como grande parte da frente nascente. As estruturas do castelo e da cerca da vila apresentam os paramentos aprumados, de espessura variável, em alvenaria de pedra, rematados em parapeito simples, inclinado, interiormente percorridos por adarve, acedido por escadas adossadas à muralha, tendo ainda escadas em alguns setores do adarve, para vencer os desníveis ou aceder aos cubelos. As estruturas abaluartadas possuem os paramentos com a escarpa exterior em talude, rematada em cordão e parapeito de canhoneiras, com terraplenos no interior. Quer estas estruturas, quer o castelo e a cerca urbana integram nos ângulos dos paramentos guaritas quadrangulares, com cobertura em domo facetado, rasgadas por três frestas de tiro e acedidas por vão retilíneo. O CASTELO é composto por dois recintos independentes, atualmente com acesso a sudeste, a partir do interior da vila, após se ultrapassarem várias linhas de muralhas e compartimentações. A muralha do topo da vila é mais baixa e interrompida no enfiamento da Rua Doutor Matos de Magalhães, possuindo no extremo sudoeste recorte irregular e avançado no terreno, com algumas canhoneiras no remate. Segue-se uma segunda linha de muralha, com espaço intermédio bastante estreito, interiormente percorrida por adarve e integrando no cunhal sudoeste guarita; é rasgada por portal em arco de volta perfeita, biselado, e, à sua esquerda, troneira circular. O portal acede a pequeno recinto intermédio de distribuição, possuindo no ângulo sudeste da muralha frontal ou noroeste dois cubelos cilíndricos, com estreita zona de passagem intermédia, conduzindo a recinto ainda mais pequeno e protegido a partir do adarve da muralha, que o inimigo tinha de atravessar, até um outro portal, em arco de volta perfeita, que conduzia ao recinto precedente do castelo. Da zona de distribuição, acedia-se, a poente, a espaço delimitado por muralha avançada, de perfil recortado e com canhoneiras, onde ficavam as latrinas; a nascente, um portal, em arco apontado, precedido por escada com patamar, seguido de um outro portal, de verga reta sobre impostas, dá acesso à cisterna grande (v. IPA.00036148). Esta é delimitada por muralhas e coberta por dois cubelos ultra-semicirculares, o mais a nordeste parcialmente encoberto por ampla plataforma, protegida por parapeito e acedida por escadas pela face interior da muralha sudeste. Sensivelmente a meio da terceira muralha abre-se portal, que permitia a ligação entre o recinto precedente do castelo e a cobertura da cisterna. O PRIMEIRO RECINTO ou ALBACAR tem planta irregular alongada, tendencionalmente retangular, com dois ângulos salientes a poente e a noroeste, integrando na frente sudeste, sensivelmente a meio, cubelo quadrangular, denominado Torre da Bandeira, coberto em terraço, acedido por dois lanços opostos de escadas a partir do adarve, e protegido por parapeito com uma canhoneira em três faces e possuindo no cunhal sudoeste guarita. O acesso ao interior do recinto é feito num ângulo côncavo a sudoeste, por porta em arco de volta perfeita, ladeada, na face interna, por escadas para o adarve. Num dos ângulos salientes virados a poente, abre-se a porta, de verga reta sobre impostas, e, na frente nascente, porta em arco para a liça, protegida por barbacã com cubelo curvo, prolongada até ao recinto superior, mas de que apenas subsistem as primeiras fiadas. Junto à muralha sudeste, ergue-se, a nascente, o edifício do antigo forno do assento, com planta retangular irregular, cobertura em telhados de duas águas, e fachadas de um piso, funcionando hoje como loja de produtos turísticos. Do lado poente, ergue-se edifício do antigo corpo da guarda, retangular, com cobertura em telhado de uma água, e fachadas de dois pisos, atualmente com instalações sanitárias e outros serviços de apoio ao turismo. O SEGUNDO RECINTO, implantado a nordeste, tem planta sensivelmente retangular irregular, e é composto por torre de menagem retangular, a sudoeste, cubelo curvo a sudeste, muito mais baixo, e, no topo norte, cubelo retangular, disposto de ângulo. A frente sudeste é precedida por barbacã da porta, de perfil recortado, criando plataforma sobrelevada a sudoeste, onde o parapeito do remate tem duas canhoneiras, rasgando-se no pano nascente porta em arco apontado. O castelo tem acesso a sudeste, por porta, em arco apontado, rasgada junto à torre de menagem, e que na face interna é protegida pelas frestas de tiro existentes na fachada lateral de edifício, adossado à muralha, de um piso e cobertura em telhado de uma água. A torre de menagem, designada por Torre do Boto, remata em parapeito simples e é rasgada por dois níveis de seteiras e, a norte, por porta sobrelevada, em arco de volta perfeita sobre impostas, com tímpano liso, atualmente acedida a partir de um passadiço desde o adarve. No interior possui uma única sala, coberta por abóbada de cruzaria, com nervuras biseladas desenvolvidas a partir do pavimento, e chave decorada por brasão real. Escadas permitem aceder ao terraço da cobertura, sobre a abóbada, e ao adarve do parapeito, num plano superior. A nascente adossam-se as escadas para o adarve da muralha circundante e para o cubelo a norte, o qual remata em terraço, protegido por parapeito com canhoneiras e uma guarita. No pano de muralha a noroeste, abre-se a porta da traição, de verga reta, sobre impostas, flanqueada por dois edifícios, de um piso e cobertura de uma água, criando corredor central, para onde se abrem frestas de tiro. Esta porta acede ao terrapleno das ESTRUTURAS MODERNAS DA FRENTE NORDESTE, compostas por baluarte irregular, a norte, denominado de São João e que se prolonga para sudeste por meio de um redente, e por uma obra quase retangular, a poente, integrando na cortina intermédia troço da antiga barbacã da porta, com parapeito de canhoneiras, tendo na face interna banquetas e algumas baterias. Da obra retangular parte túnel do transito, curvo, com bueira na abóbada da cobertura, tendo a porta exterior em arco. CERCA URBANA de planta trapezoidal, com o topo sudeste num plano menos elevado e declivoso, razão pela qual as suas muralhas, bem como as da frente nascente, são mais altas e reforçadas por barbacã extensa. A muralha da cerca integra um cubelo retangular a nordeste, com parapeito de canhoneiras e guarita. Na frente virada a nascente abrem-se duas portas. As PORTAS DE RÓDÃO, em arco de volta perfeita, encimado por guarita, acedida pelo adarve, são reforçadas por tramo da barbacã, também com adarve e porta em arco, ladeada, à direita por cubelo ultra-semicircular, com duas frestas de tiro e canhoneira, prolongada por meio baluarte, que nesta frente constitui o término da barbacã. O meio baluarte tem os paramentos da escarpa exterior em talude, os virados a noroeste de dois panos, rematados em cordão, a diferentes alturas, sobrepostos por alto parapeito com três canhoneiras, várias frestas de tiro e integrando guarita nos ângulos; na face nordeste tem também canhoneiras. Entre a muralha e a barbacã existe, de cada lado, pano de muro, com frestas de tiro, cobrindo a porta e o terrapleno do meio baluarte, onde se ergue pequeno paiol. A nascente, abrem-se as PORTAS DA VILA, com três portas sequenciais, em arco de volta perfeita, uma na cerca, propriamente dita, uma segunda, ligeiramente desalinhada, na barbacã, entre dois cubelos ultra-semicirculares, e outra no meio baluarte que a reforça e se interliga à barbacã. O meio baluarte, precedido por dois lanços rampeados, remata em parapeito com canhoneiras e com guarita no ângulo flanqueado. Nas imediações da porta da Vila, a barbacã possui, numa zona de inflexão, cubelo ultra-semicircular. Na frente sudeste, delimitada por dois cubelos retangulares, terminados em parapeito com canhoneiras e o disposto a sudoeste maior e com uma guarita, abre-se a POSTIGO DO SOL OU DO TORREJÃO, de verga reta, comunicando com a barbacã. Esta frente é reforçada por obra tipo TENALHA, composta por baluarte irregular, terminado em parapeito de canhoneiras, a sudeste, e baluarte terminado em cordão e parapeito de canhoneiras, a sudoeste, possuindo a cortina intermédia adarve, prolongando-se para poente com estrutura irregular, de paramentos aprumados, com parapeito e adarve na face interior, e com fosso.

Materiais

Estruturas em alvenaria, construída à fiada, predominantemente de pedra quartzítica, com elementos em xisto e cantaria de granito nos cunhais dos cubelos e torre de menagem, molduras dos vãos, arcos das abóbadas, cisternas e cordões dos parapeitos das estruturas modernas; guaritas em tijolo; estrutura das coberturas das casas adossadas no castelo, paióis, oficinas, corpo da guarda e portas em madeira de castanho; cobertura dos edifícios em telha.

Observações