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Núcleo intramuros de Marvão

Núcleo intramuros de Marvão

O ponto de interesse Núcleo intramuros de Marvão encontra-se localizado na freguesia de Santa Maria de Marvão no municipio de Marvão e no distrito de Portalegre.

Núcleo urbano sede municipal. Vila implantada sobre colina na fronteira do Alentejo. Vila medieval de jurisdição senhorial, com castelo e cerca urbana. Fortificação de detenção orientada para Espanha. Núcleo com cerca de 150 habitações, formado por tecido urbano compacto, com quarteirões longilíneos, ruas longas e estreitas, que acompanham a orientação das cristas quartzíticas e entrecortadas por travessas. Espaço principal estruturado a partir de dois eixos principais (dois deles dando acesso às duas portas da vila), que convergem para o Largo / Praça do Pelourinho. A maioria do edificado é de habitação corrente, datada do séc. 15 / 16 e caracterizado por casas de dois pisos com cumeeira paralela à rua. A vila terá sido mais densa, muitos logradouros correspondem a antigas casas (importância arqueológica destes locais). Sede concelhia medieval. Dado que o espaço intramuros estava quase todo edificado no séc. 16, e porque as guerras dos séc. 17, 18 e 19 conduziram ao despovoamento da vila, o traçado medieval manteve-se, assim como a arquitetura do aglomerado urbano, preservada por uma atividade turística que existe há já várias décadas. A posição estratégica da praça de armas, na linha da fronteira e construída sobre plataforma rochosa e escarpada, quase inacessível, tornou-a numa fortaleza inexpugnável, local de presídio e aquartelamento de tropas e suas famílias. É a única fortificação medieval que manteve valor estratégico até ao séc. 19. A arquitetura residencial corrente encontra-se preservada tanto nas fachadas, como em alguns interiores, assim como a arquitetura administrativa e judicial, no edifício da antiga câmara, prisão e tribunal. Foi aí Juiz de Fora, José Mouzinho da Silveira, cujo papel foi fundamental na defesa da vila contra as invasões francesas.

Vila intramuros, de traçado orgânico adaptado à topografia e contida por muralha de planta aproximadamente trapezoidal, com orientação noroeste / sudeste. A cerca muralhada apresenta adarve em todo o perímetro, interrompido por torreões e baluartes que protegem as duas portas de entrada na vila (Portas da Vila, a oriente, e Portas de Ródão, a norte). Por se encontrar numa zona estratégica do território (dista apenas de 13 km da fronteira espanhola), o burgo medieval abrigou durante muitos séculos a uma população essencialmente consagrada à defesa do território. A vila cresceu a sudeste do duplo recinto do castelo (v. IPA.00003234) que, por razões estratégicas, se implanta nas cotas altimétricas mais elevadas. Caracteriza-se por quarteirões longilíneos, que acompanham a orientação das cristas quartzíticas, formando um traçado urbano compacto, com ruas estreitas, de cariz defensivo. Os eixos viários são longos, de inclinação mais suave do que as travessas que as intersetam, que são íngremes e muitas com escadas para vencer o forte declive. O eixo principal, que liga o castelo à Porta da Vila, é constituído pela Rua do Castelo, a Rua do Espírito Santo e Rua das Portas da Vila, onde se localizam muitas das casas mais antigas do núcleo, observação feita tendo em conta a largura dos lotes, de pequena dimensão e pé direito baixo, e do tipo de vãos. Estas duas vias encontram-se na Praça do Pelourinho, espaço estruturante do núcleo, onde chega também a Rua de Cima, vinda das outras portas da vila, as de Ródão. Neste largo situa-se o Pelourinho (v. IPA.00003238) e, ao centro e a sudoeste, o mais significativo edifício de arquitetura civil, política administrativa e judicial, os antigos paços do concelho, com a fachada remodelada no início do séc. 20, revestida a "raspadinho", técnica de simulação de granito, executada com cal parda da Escusa, presente também em molduras de vãos, cunhais e cimalhas, cadeia e tribunal. Na Rua do Castelo, localiza-se a Casa do Governador militar da praça, com sacadas do séc. 16, uma das poucas casas abastadas de Marvão. Em frente, o Largo do Espírito Santo, onde foi colocada, no século passado, a fonte parietal do Concelho, datável do séc. 17. Neste largo situa-se também a Igreja de São Tiago (v. IPA.00026534), do séc. 14 / 16, com portal de características góticas. O Hospital da Misericórdia, hoje muito descaracterizado, está adossado à igreja. A Rua de Baixo, que sai das Portas de Ródão, está articulada com a Ria do Terreiro através do largo de Olivença (antigo Terreiro), fazendo a ligação junto à muralha, à Porta da Vila. Ainda hoje a feira semanal e outras realizações festivas se realizam neste local. Esta frente urbana, situada a uma cota mais baixa é caracterizada por uma descontinuidade, observável na quantidade de volumes dos logradouros das casas com fachada principal para as Ruas das Portas da Vila e de Cima. A Rua do Corro também é um eixo importante, que contorna a muralha do lado sudeste, partindo das Portas da Vila e dando acesso a três das igrejas (Calvário, Santa Maria e Santiago) e aos edifícios públicos da vila (câmara municipal, repartição de finanças e conservatória) através das Ruas de Santiago e Dr. Matos Magalhães (antiga Rua da Corredoura). As igrejas encontram-se destacadas no núcleo: a Igreja de Santa Maria (v. IPA.00015859), do séc. 14, hoje museu municipal, situada às portas do recinto do castelo, a Igreja de São Tiago (v. IPA.00026534), quase no eixo oposto, com uma tipologia semelhante e da mesma época e a Igreja do Calvário (v. IPA.00026535), já do séc. 19, de planta octogonal, no Largo com o mesmo nome. De realçar também, os passos processionais, datados do séc. 17, hoje adaptados a vãos de janela. Os espaços verdes públicos de maiores dimensões situam-se junto ao perímetro muralhado, a sul: o jardim de buxo "à francesa" de Santa Maria, é o de maior de dimensões, situado junto ao castelo e o jardim de Santiago, onde se localiza o parque infantil. No resto da vila, observam-se espaços ajardinados de pouca permanência, cuidados e com espécies ornamentais (destaque para as duas palmeiras Washington no Largo das Palmeiras). Podem também ser bons espaços para miradouro, como é o caso do largo da Boavista e do largo Camões, situado em aterro de valor osteológico (zona de enterramentos). A maioria das casas de habitação corrente tem dois pisos (algumas com três, provavelmente alteadas ao longo do tempo, e poucas térreas) e telhados de uma ou duas águas, com cumeeira paralela à rua. Apresentam dois tipos de composição de fachada cujo desenho é determinado pela largura do lote (5 a 8m e 12 a 18m), a divisão interna pouco se altera. São constituídas por uma estrutura bipartida, com uma parede estruturante a meio, com uma ou duas portas exteriores. No piso térreo, localizava-se a loja dos animais ou oficina, no piso superior a área residencial. No caso de porta única, a entrada para o piso superior faz-se através de uma escada de granito, com dois degraus sob arco, também em granito, e escada de tiro perpendicular à fachada principal e encostada a uma das empenas. Quando a habitação tem duas portas, a mais larga dá acesso à loja e a mais estreita à habitação, através de pequeno hall com escada de tiro. Nas casas com frente urbana mais larga, a escada desenvolve-se a meio da habitação, surgindo mais um ou dois módulos (janelas) na fachada. No piso superior, as chaminés de fumeiro, com cerca de 1,5 a 2m, elemento fundamental tanto na habitação como no "sky-line" do núcleo. Destacam-se também nas fachadas as molduras dos vãos, trabalhados e chanfrados, cruzes de Malta, argolas para prender animais. Alguns destes elementos decorativos foram aí colocados para embelezá-las, como é o caso da janela manuelina da casa situada na Rua do Castelo, n.º 1. Existem igualmente alguns "pastiches", como a Casa do Povo, na Rua de Cima e a casa situada no n.º 18 da Rua do Castelo, que importa preservar por representarem o revivalismo romântico dos anos 40/50 do século passado. As calçadas são muito variadas, destacando-se as que apresentam passadeira central de granito (Rua do Castelo, Rua das Portas da Vila e Rua de Cima), as calçadas em pedra irregular travada segundo o uso medieval (Travessa de Santa Maria e troço na Porta da Vila) e as de pedra irregular com motivos em mármore branco. Não existe nenhuma via asfaltada dentro do núcleo e os afloramentos rochosos combinam com os revestimentos dos pavimentos nas ruas secundárias, onde são visíveis os muros dos logradouros, hoje quintais, em espaços outrora construídos (Rua do Sabugueiro, Travessa de Santa Maria, caminho atrás das casa na Rua de Santiago).

Materiais

Granito, xisto, quartzito, madeira (carvalho), ferro fundido, vidro

Observações

*1 - DOF: Todo o aglomerado urbano sito dentro do perímetro do Castelo e das Muralhas de Marvão. A delimitação da área candidata a Património Mundial corresponde à crista quartzítica onde se implanta Marvão, incluindo o Convento de Nossa Senhora da Estrela (76 ha). A zona de protecção (buffer) corresponde ao limite da área do PPSVSM (307 ha). O caminho quinhentista que unia a Portagem às Portas da Vila, está desenhado numa "Planta da Praça de Marvão" de 1755, no livro de Miguel Luís Jacob, com a designação de estrada de Portalegre. Duas outras estradas estão referidas: a de Castelo de Vide (das portas de Ródão para N., passando pela Escusa) e a estrada de Valência (a NO. do Convento de Nossa Senhora da Estrela).