Portal de Cidadania

Igreja do Divino Salvador

Igreja do Divino Salvador

O ponto de interesse Igreja do Divino Salvador encontra-se localizado na freguesia de Marco no municipio de Marco de Canaveses e no distrito de Porto.

Igreja paroquial construída num antigo mosteiro de Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, a que se sucederam monjas cistercienses, extinto no séc. 16, sendo a igreja reconstruída no final do séc. 18 e início do séc. 19, seguindo, em termos de fachada principal, o modelo da Igreja de Matosinhos (v. IPA.00004963), ampliada no séc. 20, criando a capela-mor mais alta e ampla, com dois espaços laterais. É de planta retangular composta por nave e capela-mor, com anexos adossados às fachadas laterais e sacristia na casa da tribuna, tendo coberturas interiores diferenciadas de madeira, em masseira na nave, em aba nos corpos laterais e em falsa abóbada de berço na capela-mor, todas em caixotões, iluminada uniformemente por janelas retilíneas rasgadas nas fachadas laterais e pelo enorme janelão do coro. Fachada principal do tipo harmónico, rematada em frontão interrompido por tabela, onde se rasga interessante janelão de perfil recortado, tardo-setecentista, formando o eixo de vãos, composto ainda pelo portal axial de perfil abatido e rematado por cornija em cortina. O corpo está flanqueado por torres sineiras cobertas em coruchéu e rasgadas por quatro sineiras de volta perfeita. Fachadas rematadas em cornija, a lateral esquerda com porta travessa de verga reta. O interior tem coro-alto com acesso por uma das torres sineiras, tendo arco triunfal de perfil abatido, de acesso ao enorme espaço da capela-mor, composto pelos espaços laterais, com batistério no lado do Evangelho e espaço coral no lado oposto. Na capela-mor, o antigo retábulo rococó, executado na data de reconstrução do templo, no final do séc. 18. A igreja encontra-se pontuada por painéis de azulejo, quer na fachada principal quer a ladear a mesa de altar, surgindo pequenos apontamentos de anjos formando painéis de preenchimento.

Planta poligonal composta por nave, capela-mor, anexos adossados a ambos os lados, formando dois espaços de assistência abertos para a capela-mor, e duas torres sineiras, de volumes articulados e escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de uma (anexos) e duas águas, rematadas em beiradas simples, sendo em coruchéus piramidais e de faces côncavas nas torres; a capela-mor é mais elevada que a nave. Fachadas em alvenaria, rebocadas e pintadas de branco, percorridas por socos de cantaria, flanqueadas por cunhais do mesmo material, encimados por pináculos piramidais, e rematadas em cornijas; as três empenas são visíveis e alteadas relativamente aos telhados, encimadas por cruzes latinas ou imaginária. Fachada principal virada a sudoeste, com o corpo central rematado por frontão sem retorno interrompido por tabela rematada por cornija contracurva, tendo, no topo, cruz latina e quatro pináculos. É rasgada por portal em arco abatido encimado por friso e cornija em boca de cena, que sustenta friso e mísula, onde assenta óculo recortado, integrando um nicho em abóbada de concha com a imagem do orago. Na fachada surgem cinco painéis de azulejos. O corpo central está flanqueado por duas torres sineiras, de três registos definidos por frisos e cornijas, o inferior ao nível do arranque do remate do corpo central, com portas nas faces laterais, surgindo no segundo, que se estreita, ficando com um perímetro menor, os mostradores dos relógios com molduras de cantaria, circulares e com remate vegetalista; no terceiro registo, quatro sineiras em cada torre, ambas de volta perfeita e rematadas em frisos e cornijas com pináculos nos ângulos. As fachadas laterais têm tratamento semelhante, com vão retilíneos, surgindo duas janelas no corpo da nave, surgindo, em cada um dos corpos anexos, duas janelas e porta protegida por alpendre sustentado por pilar; no corpo da capela-mor, grandes frestas jacentes. Na lateral esquerda, surge porta travessa de verga reta e molduras simples. Fachada posterior rematada em empena de perfil contracurvo, alteada na zona central, com inspiração borromínica e remate em pináculos, tendo, no topo, a imagem do Salvador; é rasgada por vão crucífero. Os corpos laterais, ligeiramente recuados, rematam em meio frontão sem retorno com pináculo sobre os cunhais; são rasgados por janelas de perfil abatido. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, as da nave percorridas por silhares de azulejo branco, com barras a azul e branco, de colocação recente. Coberturas de madeira, em caixotões, a da nave em masseira e abóbada na capela-mor, e pavimento em ladrilho cerâmico, com corredor central em lajeado. Coro-alto de madeira, assente em quatro mísulas de cantaria, com guarda plena, integrando doze painéis de azulejo figurativo, a azul e branco, representando um Apostolado; tem acesso pela torre sineira, no lado da Epístola. Portal axial protegido por guarda-vento em vidro. Na nave, surgem três mísulas com imaginária. Arco triunfal de perfil abatido, assente em pilastras toscanas, dá acesso à ampla capela-mor e espaços laterais de assistência, ligados por arcos abatidos assentes em pilastras; possuem revestimentos a azulejo branco, pontuado por anjos azuis e branco. Os espaços laterais têm, do lado do Evangelho, o batistério, surgindo, no lado oposto, o coro, tendo painéis de azulejo e, no batistério, a pia batismal em cantaria, composta por coluna e taça hemisférica com decoração foliácea. Sobre supedâneo de cantaria, a mesa de altar e o ambão, ambos de talha pintada de marmoreados fingidos e dourado, a primeira assente em quatro colunas torsas. Na parede testeira, o retábulo-mor, de talha pintada de marmoreados fingidos, rosa, azuis, verdes e dourado, de corpo convexo e três eixos definidos por quatro colunas com o terço inferior marcado por anel fitomórfico e capitéis coríntios, assentes em plintos galbados. Ao centro, tribuna de perfil contracurvo com moldura saliente, protegida por tela pintada, a enquadrar um Crucificado. Cada um dos eixos laterais possui apainelados pontuados por elementos fitomórficos, tendo imaginária, surgindo, na base, as portas de acesso à tribuna. A estrutura remata por fragmentos de frontão sobre as colunas, que enquadram espaldar recortado decorado por enrolamentos e acanto no topo. Altar em forma de urna, encimado por sacrário embutido na estrutura, envolvido por enrolamentos, acantos e com a porta decorada por resplendor. A sacristia funciona na casa da tribuna.

Materiais

Estrutura em alvenaria, rebocada e pintada; modinaturas, frisos, cornijas, cruz, plintos, mísulas do coro-alto, corredores do pavimento em cantaria de granito; pia batismal em cantaria de calcário (?); guarda-vento em vidro; portas, coberturas e mobiliário de madeira; retábulo, mesa de altar, ambão e mísulas de talha pintada; silhares de azulejo industrial; painéis de azulejo pintado à mão; vidros simples; coberturas em telha cerâmica.

Observações