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Igreja de Paroquial de São Mateus

Igreja de Paroquial de São Mateus

O ponto de interesse Igreja de Paroquial de São Mateus encontra-se localizado na freguesia de São Mateus no municipio de Madalena e no distrito de Ilha do Pico (Açores).

Igreja paroquial oitocentista elevada a santuário nacional, que segue a planta tradicional as igrejas açorianas de três naves, integradas no programa nacional de construção de igrejas paroquiais pelas Ordens Militares, administradas diretamente pela Coroa. Apresenta planta composta por naves e capela-mor, com duas sacristias adossadas, interiormente com iluminação axial e bilateral e coberturas em falsa abóbada de berço, de estuque, com as naves separadas por arcos de volta perfeita sobre pilares, que em São Mateus são pintados a marmoreados fingidos e motivos vegetalistas, tendo nos seguintes painéis facetados com representação dos Apóstolos. Fachadas rebocadas e pintadas, com os elementos estruturais, decorativos e molduras dos vãos em cantaria aparente. A fachada principal é harmónica e segue o esquema das igrejas oitocentistas, com três eixos de vãos rasgados, correspondendo a portais em arco de volta perfeita no primeiro registo e a janelas contracurvas no segundo, terminando em tabela retangular, entre aletas, de inspiração maneirista. É larga e um pouco atarracada, característica acentuada pela cornija que remata os vários panos da mesma, e sobre a qual se desenvolve o remate. As torres desenvolvem-se para além do corpo da igreja e o seccionamento exterior desta, em tês panos, revela a divisão espacial interior. Fachadas laterais terminadas em cornija e rasgadas por portas travessas e janelas na nave e na capela-mor. Interior com coro-alto de madeira, cuja guarda integra na nave central a antiga guarda do coreto do órgão, o qual parece ter sido executado por organeiro inglês. Tem batistério no lado do Evangelho, sob a torre, duas capelas laterais e duas colaterais, com retábulos de talha policroma e dourada, atáveis do séc. 19 / 20, denotam uniformidade estilística e influência das formas barrocas, possuindo o ático sobreposto por cartela com inscrição dos respetivos oragos. São de planta côncava e três eixos, semelhantes dois a dois. A Capela do Bom Jesus é a única profunda e em que o retábulo se diferencia sensivelmente, integrando na decoração símbolos da Paixão de Cristo. Tem dois púlpitos confrontantes, com guarda plena encimados por baldaquino. O arco triunfal assenta em pilastras e possui marmoreados fingidos, que se estendem pelas cornijas internas. O retábulo-mor também de talha policroma e dourada, é de planta côncava e três eixos.

Planta retangular composta por três naves e capela-mor, tendo adossado de ambos os lados duas torres sineiras quadrangulares, sacristias retangulares e, à fachada lateral direita, capela profunda retangular, do Senhor Bom Jesus. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na igreja e na capela lateral e de quatro nas sacristias, rematadas em beirada simples, e em coruchéu piramidal nas torres. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com embasamento, pilastras dos cunhais, frisos, cornijas, molduras dos vãos e pináculos em cantaria basáltica aparente. Fachada principal virada a SO., de cinco panos, definidos por pilastras e unificados por dupla cornija, a inferior de betão e a superior de cantaria; os três panos centrais correspondem ao corpo da igreja, terminada em tabela retangular, desenvolvida sobre platibanda plena, decorada por cartela oval inscrita, definida por pilastras, coroadas por pináculos piramidais sobre plintos paralelepipédicos, e rematada em cornija; sobre esta desenvolve-se espaldar piramidal, coroado por pináculos piramidais e cruz latina central, sobre cornija; ao centro do espaldar surge estrela de seis pontas, em cantaria. Ladeia a tabela amplas aletas. A igreja é rasgada por três portais em arco de volta perfeita sobre pilastras, encimadas por janelas de moldura contracurva, atualmente com caixilharia de guilhotina e pano de peito em alvenaria rebocada e pintada de branco. Os panos laterais, correspondem às torres sineiras e são semelhantes; têm dois registos, o primeiro rasgado por janela de arco deprimido, sobre pilastras, gradeada, e por uma janela igual às da igreja, e o segundo rasgado, em cada uma das faces, por sineira em arco peraltado, sobre pilastras, com pano de peito em alvenaria rebocada e pintada de branco e capeado a cantaria, frontalmente albergando sino. Nos cunhais surgem pináculos piramidais sobre acrotérios e a cobertura, pintada de branco, é rematada em pináculo com bola. Fachadas laterais terminadas em dupla cornija, a inferior de betão e a superior de cantaria, com a nave rasgada lateralmente por porta travessa, duas janelas retilíneas e uma de verga abatida, e a capela-mor por janela de capialço. A capela do Bom Jesus é rasgada lateralmente por janela retangular, moldurada e gradeada. A sacristia da fachada lateral esquerda possui dois pisos, abrindo-se, no primeiro, porta, e, no segundo, janela de peitoril, com caixilharia de guilhotina. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, pavimento em soalho de madeira envernizado e cobertas por falsas abóbadas de berço, de estuque, sobre cornijas de cantaria, pintadas a marmoreados fingidos a azul. As naves separam-se por seis arcos, de volta perfeita, assentes em pilares, pintadas com marmoreados fingidos a azul e elementos fitomórficos a bege e branco, sobre altas bases, pintadas a marmoreados castanhos. Coro-alto de madeira com guarda em balaústres planos, integrando na nave central a guarda do antigo coreto do órgão, de perfil contracurvo, e guarda vazada, ritmada por pilastras, em talha policroma; lateralmente dispõe-se órgão de armário, em talha pintada a marmoreados fingidos. No lado do Evangelho surge batistério, com arco de volta perfeita sobre pilastras, com porta de madeira, parcialmente de balaústres planos, e bandeira sobreposta por cartela inscrita envolta em resplendor. No interior, possui pavimento cerâmico e pia de água benta, em mármore, com taça hemisférica baixa, exteriormente gomeada, sobre coluna balaústre, decorada com folhagem, e sobreposta por elemento de cantaria sustentando o depósito cilíndrico e gomeado, com uma torneira, e tampa coroada por pináculo. Na parede frontal existe quadro com representação do Batismo de Cristo. Cada uma das naves laterais possui uma capela lateral e uma colateral, respetivamente dedicadas a São José e ao Sagrado Coração de Jesus (Evangelho) e a São Pedro e a Nossa Senhora da Compaixão (Epístola), existindo ainda na lateral da Epístola a capela profunda do Senhor Bom Jesus Milagroso. Na nave central, sobre cada um dos pilares, entre os arcos, existem painéis facetados, com telas representando os Apóstolos. No segundo pilar, a contar da capela-mor, surgem dois púlpitos confrontantes, com bacia retangular, guarda plena em talha policroma a bege, azul e dourado, encimado por baldaquino retangular. Presbitério marcado nas três naves por teia de balaústres planos e arco triunfal de volta perfeita, sobre pilastras, pintadas a marmoreados fingidos a azul. A capela-mor, dedicada ao Santíssimo Sacramento e a São Mateus, é igualmente coberta por falsa abóbada de berço, de estuque, com pinturas murais de figuração vegetalista formando cercadura e ampla cartela central, desenvolvida sobre cornija pintada a marmoreados fingidos a bege. Lateralmente, abre-se, de cada lado, porta de verga reta sem moldura, de ligação aos corpos adossados. Sobre supedâneo surge o retábulo-mor, de talha policroma a verde, bege, rosa e dourado, de planta côncava e três eixos, definidos por quatro colunas estriadas, sobre duas ordens de plintos, os inferiores paralelepipédicos com motivos vegetalistas, e os superiores galbados; no eixo central abre-se tribuna em arco de volta perfeita, de boca rendilhada, interiormente pintada com glória de querubins e albergando imaginária; nos eixos laterais surgem apainelados sobrepostos por mísulas com imaginária e baldaquinos, de onde pendem festões fitomórficos; entre as colunas e as imagens surgem ainda elementos vegetalistas dourados; ático em espaldar, adaptado ao perfil da cobertura, decorado com fragmentos de cornija, elementos fitomórficos e cartela central inscrita com "SAM MATEUS"; sotobanco com apainelados almofadados contendo motivos vegetalistas. Sacrário de grandes dimensões com glória de querubins envolvendo custódia.

Materiais

Estrutura em alvenaria de pedra, rebocada e pintada; embasamento, pilastras, frisos, cornijas, molduras dos vãos, aletas, pináculos, cruzes e outros elementos em cantaria basáltica aparente; cornija de betão; portas de madeira pintada; vidros simples; grades de ferro; pavimento em soalho de madeira envernizada e lajes de cantaria; pias de água benta, degraus do presbitério e molduras dos vãos em cantaria aparente; pilares, arcos e cornijas interiores em cantaria pintada; teia e guarda do coro-alto em madeira envernizada e em talha policroma; púlpitos e retábulos de talha policroma; pia batismal em mármore; pinturas murais na cobertura da capela-mor; cobertura em telha de aba e canudo.

Observações

*1 - A devoção ao Senhor Bom Jesus tem longa tradição na ilha, venerando-se imagens do Senhor Crucificado, conforme se pode confirmar pelos Inventários das Igrejas Paroquiais. Contudo, foi a partir da chegada a São Mateus do Pico da imagem oferecida por Francisco Ferreira Goulart, em 1862, que se intensificou a devoção ao Ecce Homo. Tem-se conhecimento de, em 1906, ter chegado à Igreja Paroquial da Calheta do Nesquim uma "grande e bonita imagem do Senhor Bom Jesus, oferta da Sra. D. Maria Filomena Gomes". A partir de 1914 também se venera na freguesia de Criação Velha uma imagem do Bom Jesus, adquirida pelo pároco de então, Pe. José António Ferreira Porto, natural de Santa Bárbara.