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Terra Fria Transmontana

Terra Fria Transmontana

O ponto de interesse Terra Fria Transmontana encontra-se localizado na freguesia de Paçó no municipio de Vinhais e no distrito de Bragança.

Florestas / Zonas com vegetação arbustiva ou herbácea / Zonas Agrícolas heterogéneas / Áreas agrícolas com culturas anuais / Culturas permanentes / Pastagens.

CARACTERIZAÇÃO DOS FACTORES ABIÓTICOS. ELEMENTOS GEOMORFOLÓGICOS. Relevo: Relevo movimentado e de altitude, com elevações médias superiores a 700m em cerca de 80% da unidade. As cotas mais elevadas situam-se limite N da Unidade, junto à fronteira com Espanha (a N de Pinheiro Novo; entre Travança e Montouto; e a NE de Monfreita e a NO de França), com os valores máximos correspondentes aos vértices geodésicos: Igejinha (1147m), Coroa (1273m), Bouca (1440m), Meda (1342m) e Costa Grande (1311m); e no centro da Unidade (entre Ousilhão, Nogueira e Pombares), correspondentes aos vértices geodésicos: Castelinho (1221m), Pena Mourisca (1232m), Cumeeira (1269m). Por outro lado, as cotas mais baixas encontram-se O/SO da Unidade e sobretudo nos fundos dos vales (profundamente encaixados) dos principais rios e afluentes, com altitudes que rondam os 400 a 700m (junto ao rio Sabor, rio Tua e ao rio Rabaçal, com as cotas mais baixas entre Bouçoães e Rebordelo, entre os 200 e os 400m). Geologia/Litologia: A tectónica alpina e a grande diversidade litológica são as principais condicionantes da geomorfologia da região. Predominam as formações sedimentares e metamórficas, sobretudo os xistos e grauvaques do Silúrico e Ordovícico (entre os 510 e os 409 MA), intercalados com os quartzitos do Devónico ao Ordovícico (entre os 510 e os 363 MA) da Era do Paleozoico No centro da Unidade (entre os lugares de Tuizelo e Baçal) sobressaem os xistos, quartzitos e rochas carbonatadas mais antigas, pertencentes ao Pré-câmbrico (4600 MA). No limite N e na proximidade da fronteira com Espanha, surgem as rochas eruptivas plutónicas, sobretudo o granito, na envolvente de Montesinho, Moimenta e Pinheiro Novo (situação semelhante a SO da Unidade na envolvente dos lugares de Roriz, Tronco e Paradela). Verificam-se ainda pequenas bolsas de formações sedimentares mais recentes de areias, arenitos e argilas do Plio-Plistocénico (5 a 0,01 MA) da Era do Cenozoico, a E de Baçal e entre os lugares de França e Aveleda. Solos: Predominam os Cambissolos Húmicos (de origem xistosa), os Cambissolos Húmicos Crómicos, sobretudo no centro da Unidade (correspondente aos xistos, quartzitos e rochas carbonatadas mais antigas), podendo considerar-se como tipos de solo pouco evoluídos. A SO da Unidade predominam os Litossolos (envolvente a Vale de janeiro, São Jomil e Santalha), associados a Luvissolos, caracterizando-se por solos incipientes. Na envolvente a Moimenta, Montezinho e no limite S da Unidade, entre os lugares de Pombares e Carrazedo, verifica-se a presença de Rankers (solos com rocha consolidada não calcária a profundidade não superior a 50cm). CLIMATOLOGIA: Clima continental associado ao sistema montanhoso, com pequenos microclimas locais. A posição interior da Unidade condiciona a influência do efeito moderados do oceano, não só pelo O (pela cadeia montanhosa que se desenvolve no Alto Minho (1545m) ao Alvão Marão (1415m), mas também pelo N, através do sistema Galaico-Duriense (El Teleno 2188m) e pelos montes Cantábricos, pelo S, através maciço Central e seu prolongamento (Serra da Estrela 1993m) e a E é influenciada pelo planalto Castelhano-Leonês. A temperatura média anual varia entre os 7,5 e os 10º C. (numa faixa entre os lugares de Paradela Pinheiro Novo e Moimenta, entre Rio de Onor e Deilão e uma pequena bolsa na envolvente dop lugar de Gostei); entre os 10 e os 12,5ºC. (numa faixa entre Sanfins, Tuizelo, França, Baçal e Celas); e os 12,5 e os 15ºC. na envolvente de Vinhais, numa faixa que se estende para SO. Devido ao frequente fenómeno de inversão térmica que ocorre principalmente nos meses de Inverno e Primavera, os vales mais profundos e encaixados têm maiores amplitudes térmicas diurnas e anuais (são frequentemente atingidos com as temperaturas mínimas no inverno e máximas no verão). A insolação tem o número de horas por ano mais reduzida a O da Unidade (na envolvente a Paradela, com valores entre as 2100 e as 2200 horas de sol por ano) e numa área que se estende de Pinheiro Novo e Moimenta a Alvaredos (1300 a 2400 horas). Por outro lado as áreas com maior insolação estão localizadas a E, na envolvente a França, Rio de Onor e Baçal (com valores entre as 2700 e as 2800 horas). A radiação solar aumenta de NO para SE, com valores entre os 140 e os 145 Kcal/cm2 (nos lugares de Vinhais, Parâmio e Buçoães) e os 145 e os 150 Kcal/cm2 (nos lugares de França e Nunes). A precipitação média anual está sofre a influência do relevo, com 800 a 1000mm a SO da Unidade (na envolvente dos lugares de Sanfins, vinhais e paço) e os 1200 e 1400mm numa faixa que se estende de N para S (de Parâmio a Celas). A precipitação é mais elevada (1400 a 1600mm) na envolvente a Montesinho, ainda que subsistam mais dias de precipitação (superior a 100 dias) a NO (entre Safins, Pinheiro Novo e Moimenta), que os 75 a 100 dias de precipitação (na área de Montesinho, França, Monfrita e Pombares). A precipitação tem nesta área um comportamento típico do clima mediterrânico (com uma elevada concentração da precipitação na estação fria e uma quase ausência de precipitação nos meses mais quentes). A humidade do ar varia entre os 70 a 75% (em praticamente toda a Unidade ) e os 75 e 80% (a E, na envolvente a Aveleda, Deilão e Rio de Onor). O escoamento médio anual varia em função do relevo, sendo mais elevado nas áreas mais elevadas (com cerca de 600 a 800 mm na área compreendida entre Celas, Montesinho e Monfreita) e inferior nas cotas mais baixas (cerca de 200 a 300 mm, na envolvente a Buçoães). A geada diminui de NO (superior a 80 dias em cerca de 75% da Unidade) para SE (70 e 80 dias na área de Zoio, Rabal e Rio de Onor e os 50 a 60 dias em Pombares), registando os valores mais elevados em número de dias com geada por ano do País (sobretudo entre Outubro e Março). A direcção predominante do vento é de Oeste em todos os meses do ano. No que concerne à velocidade do vento, os valores médios mensais mais elevados observam-se nos meses de Fevereiro a Maio. Por outro lado, no inverno observam-se os valores mais baixos, confirmando a existência de situações de estabilidade mais frequentes. HIDROGRAFIA: As principais bacias hidrográficas da Unidade correspondem às linhas de água principais: o rio Tua (com um escoamento geral de NE para SO e que é o coletor principal dos rios Tuela e Rabaçal, onde desagua o rio Mente) e o rio Sabor (com um escoamento geral de NNO para SSE e onde desaguam os rios Maças e Onor, tendo o rio Igrejas como afluente), constituindo alguns dos principais afluentes da margem direita do rio Douro. A maioria dos cursos de água nasce nas altitudes mais elevadas e em território espanhol e parte destes servem de delimitação de fronteira, como é os casos do rio Mente e do rio Sabor. As linhas de água e o regime por vezes torrencial, originaram vales profundamente encaixados, sendo um dos principais agentes modeladores do relevo. CARACTERIZAÇÃO DOS FACTORES BIÓTICOS. As características particulares associadas à variedade geológica, à posição geográfica, com a presença de microclimas relevantes, aliado ao uso e ocupação do solo ancestral têm promovido uma extraodinária diversidade de habitats e consequentemente biológica. Flora: Destacam-se diversos endemismos ibéricos ou lusitânicos como a Arméria (Armeria eriophylla), a Vulnerária (Anthyllis sampaiana), a Gramínea (Avenula pratensis ssp. lusitanica), a Violeta-de-pastor (Linaria aeruginea), o Feto (Notholaena marantae ssp. marantae) e a Santolina (Santolina semidentata). Distinguem-se ainda a quantidade e a diversidade de espécies raras que proliferam nos bosques de carvalho-negral (e.g. Viola hirta, Arabis glabra, Corydalis cava ssp. cava, Centaurea triumfetti ssp. lingulata, Lathyrus pratensis, Lilium martagon e o Geranium sanguineu); nos bosques de Sardoais (e.g. Osyris alba, Ruscus aculeatus, Jasminum fruticans, Paeonia broteri e a Cephalanthera longifolia); e nas galerias ripículas (e.g. Ilex aquifolium, Veronica micrantha, Clematis campaniflora e a Primula acaulis). São ainda frequentes os Urzais (Erica tetralix e Genista anglica). FAUNA: O Parque Natural de Montesinho é uma das áreas mais relevantes de montanha ao nível da fauna nacional e comunitária, com cerca de 250 espécies de vertebrados e uma importante comunidade de invertebrados. A diversidade de habitats, nomeadamente as áreas de carvalhais, sardoais (azinheira), os soutos de castanheiros e a ocupação agrícola, bem como os cursos de água encaixados em vales profundos, muitas vezes associados a galerias ripículas (sobretudo amieiros, freixos, choupos-negros e salgueiros) e áreas de mato permitem uma elevada multiplicidade de espaços de caça, refugio e reprodução de um grande número de espécies, explicitando a razão de diversos endemismos ibéricos. A presença do veado (Cervus elaphus) e o corço (Capreolus capreolus) constitui o suporte para a conservação do Lobo-ibérico (Canis lupus). São ainda visíveis outros mamíferos como: O gato-bravo (Felis silvestris), a lontra (Lutra lutra), o morcego-de-ferradura-grande (Rhinolophus ferrumequinum) e o rato-dos-lameiros (Arvicola terrestri). Nas aves destacam-se águia-real (Aquila chysaetos) e a cegonha-negra (Ciconia nigrã), entre muitas outras espécies. Nos peixes é possível encontrar a truta-de-rio (Salmo trutt), panjorca (Chondrostoma arcasii) e o verdemã-do-norte (Cobitis calderoni). CARACTERIZAÇÃO DOS FACTORES ANTRÓPICOS. São notáveis os exemplos de arquitectura popular, destacando-se os pombais, os moinhos e as forjas do povo, que utilizam muitas vezes materiais da região e portanto adaptados e característicos da paisagem envolvente. Predominam as construções em xisto e madeiras autóctones (carvalho e castanho) nas estruturas, telhados, soalhos, vãos de portas e janelas. A casa tradicional é composta por dois pisos, sendo que no piso inferior destina-se aos currais (lojas), celeiro e/ou adega, enquanto o piso superior é destinado a habitação. O alçado principal é normalmente servido por uma a varanda e por uma escada de madeira ou pedra paralela ao edifício. No entanto os diversos movimentos migratórios têm originado uma alteração nos costumes e tradições, com o aumento do poder de compra e a introdução de novos materiais e modelos de construção "importados", muitas vezes dos locais de emigração das populações que regressam (mesmo por períodos temporários), assumindo um papel dissonante dos aglomerados e o abandono das edificações mais antigas. USO E OCUPAÇÃO DO SOLO: A mancha de uso e ocupação do solo é bastante diversificada com o predomínio de áreas florestais (de folhosas, resinosas, mistas, matos e espaços florestais degradados), matos e de pastagem natural nos espaços mais afastados dos aglomerados populacionais, intercaladas com áreas agrícolas (sobretudo culturas de sequeiro, sistemas culturais e parcelares complexos, culturas anuais associadas a culturas permanentes e pomares), junto aos principais lugares da Unidade. Destacam-se ainda nas altitudes mais elevadas e junto ao limite N da Unidade (Pinheiro Novo, próximo da fronteira com Espanha) ocupações de rocha nua e vegetação esparsa (na envolvente a Montesinho). São ainda de assinalar diversas manchas de áreas ardidas (ainda que tenham diminuído de 2000 para 2006). TIPO DE POVOAMENTO: Os principais núcleos urbanos dos municípios que intersetam a Unidade de Paisagem localizam-se no seu exterior: Chaves (41 mil residentes), Bragança (35 mil residentes) e Macedo de Cavaleiros (16 mil residentes). A única excepção é lugar de Vinhais (9 mil residentes), que se encontra dentro dos limites da Unidade (ainda que fora dos limites do Parque Natural). A densidade populacional e de edifícios é das mais reduzidas a nível nacional. Os principais lugares no interior da Unidade são fundamentalmente concentrados e implantados a meia encosta ou em vales abertos (ainda que extraordinariamente possam localizar-se nos topos dos cabeços). A configuração dos aglomerados resulta, principalmente, da geomorfologia, formando conjuntos compactos. PATRIMÓNIO CULTURAL: Destacam-se o Castro de Sacóias (v. PT010402040001) e a Igreja Românica de São João Baptista (v. PT011703090017), classificadas como Monumento Nacional; Os castelos de Vinhais, Mau Vizinho e Rebordãos, os Pelourinhos (Vinhais, Vilar Seco, Paço e Gostei), a Igreja de S. Facundo, Casa onde viveu o Abade de Baçal e o Edifício dos Antigos Condes de Vinhais, classificados como Imóvel de Interesse Público. São ainda frequentes a presença de diversas capelas e igrejas matrizes e paroquiais (com proteções inexistentes) no centro dos aglomerados populacionais. SISTEMA DE VISTAS E PERCEPÇÃO DA PAISAGEM: Destacam-se os vales encaixados com linhas de águas límpidas e e acompanhados de vegetação ripícola (de freixos, choupos e amieiros). São ainda constantes as manchas de floresta autóctone (sobretudo de carvalho negral), os Sardoais (Azinheira) e os soutos de castanheiros (fundamentais como habitat para algumas espécies). Os matos de urzais, estevais e giestais colonizam as bordas das áreas florestais, espaços agrícolas abandonados e áreas declivosas, atribuindo uma diversidade cromática na Unidade (fundamental para a produção de mel). Por outro lado são ainda frequentes os prados naturais (lameiros) para a produção de feno e o pastoreio de bovinos. Os pequenos lugares rurais desenvolvem-se, de uma forma geral, na envolvente a uma pequena capela ou igreja, com os campos agrícolas de culturas complexas na sua envolvente imediata, atribuindo uma diversidade de texturas e cromática cativante.

Materiais

Não aplicável

Observações

INSTRUMENTOS LEGAIS DE GESTÃO DO TERRITÓRIO: Plano de Ordenamento de Áreas Protegidas (RCM n.º 181/2008, de 24 Novembro 2008); Plano Nacional da Água (DL n.º 112/2002 de 17 Abril 2002); Plano de bacia Hidrográfica do Douro (Dec. Reg. N.º 19/2001 de 10 Novembro 2001); Plano Director Municipal de Bragança (RCM n.º 29/95 de 4 Abril 1995); Plano Director Municipal de Chaves (RCM n.º 12/95 de 10 Fevereiro 1995); Plano Director Municipal de Macedo de Cavaleiros (RCM n.º 45/95 de 19 Maio de 1995); Plano Director Municipal de Vinhais (RCM n.º 56/1995 de 8 Junho de 1995).