Casa nobre neoclássica de volumetria paralelepipédica com alçados marcados pela regularidade e homogeneidade. No interior, planta dominada por vestíbulo de planta oval, o principal elemento da edificação, quer em termos de distribuição e organização da compartimentação interna consigo comunicante, quer em termos plásticos e decorativos. Trata-se de uma casa que tem por referência o Petit Trianon de Versalhes, da autoria de Jacques-Ange Gabriel (1698-1782) ; a coerência da linguagem neoclássica que ostenta - do vocabulário arquitectónico à gramática ornamental - conferem-lhe um carácter raro no contexto da produção arquitectónica nacional da primeira metade de Oitocentos.
Planta quadrada, volumetria paralelepipédica e a cobertura efectuada por telhado a 4 águas perfurado por clarabóia. A construção, totalmente revestida com placagem de cantaria com aparelho em silharia fendida (*2) é constituída por 2 registos separados por moldura saliente, com destaque para o nível superior, de menor pé direito. Alçado principal (S.) rasgado a eixo por portal de verga recta: delimitado lateralmente por pilastras com fustes guarnecidos com discos enfileirados em baixo relevo é servido por 5 degraus, identificando-se porta num plano recuado relativamente ao pano de muro do alçado; o conjunto é sobrepujado já ao nível do piso superior por composição escultórica relevada, que se prolonga à cornija da fachada, encobrindo mesmo um dos vãos: escudo de armas dos Carvalho, ladeado por grinaldas e 2 figuras reclinadas (da autoria de Francisco Leite Leal Garcia, c. 1749-1814). De cada lado abrem-se 2 janelas de peitoril, ornadas superior e inferiormente por painéis em cantaria que se distinguem, pelo diferente tratamento do aparelho e pela presença de máscaras e festões no remate superior. No 1º piso, janelas de peito no alinhamento das descritas, inscritas em emolduramentos. Alçado lateral E. com fachada semelhante, excepto ao nível da porta, aqui simples, e apenas sobrepujada por painel análogo ao dos outros vãos. Alçado O. difere do conjunto, apresentando piso térreo vazado por 3 portas em arco de volta perfeita, encimadas por 3 janelas no piso superior. INTERIOR: no piso térreo, vestíbulo central, comunica com todos os compartimentos e corredores de circulação através de 8 portas de pano curvo: de planta oval com cobertura em cúpula vazada por clarabóia, também oval, exibe superfície murária e cobertura com pintura ornamental e varanda com guarda metálica, ao nível do 1º registo da habitação. No que respeita à compartimentação interna, desenvolvida em redor do vestíbulo mencionado, esta apresenta-se também directamente comunicante entre si; sendo piso térreo destinado a zona social e andar superior ocupado por quartos. Além dos 2 pisos directamente articulados com os alçados exteriores, 1 piso parcialmente enterrado (com janelas de acentuado capialço) para serviços e um outro, ao nível da cobertura. Este edifício articula-se, do seu lado esquerdo e por meio de átrio rectangular, com pavilhão das cocheiras - de planta rectangular, volumetria paralelepipédica, e cobertura efectuada por telhados a 4 águas. De apenas 1 piso, com alçado principal vazado por 3 portas com bandeira curva inscritas em arcos de volta perfeita, numa composição congénere à observada no piso térreo da fachada lateral do edifício principal.. Do lado oposto, observa-se jardim de buxos recortados organizado segundo eixo longitudinal pontuado por pequenos tanques.
Materiais
Alvenaria mista, reboco pintado, cantaria de calcário, estuque, ferro forjado, bronze dourado, madeira, azulejos (sécs. 18-19)
Observações
*1 - DOF: Palacete Pombal, também denominado «Palacete dos Condes de Almeida Araújo», incluindo pavilhão das cocheiras e jardim anexo. *2 - presentemente constata-se que parte da placagem de cantaria foi pintada, verificando-se diferentes combinações de reboco pintado e cantaria por alçado.