Arquitectura assistencial, do séc. 20. Dispensário (re)construído numa capital de distrito em 1930, de planta rectangular adaptada ao gaveto e fachadas de dois pisos, terminadas em cornija de massa, ao centro com espaldar contracurvado rematado em beirada, e rasgadas por vãos rectilíneos, sobrepostos por cornija e beirada; o portal principal dispõe-se lateralmente e é encimado por alpendre telhado.
Planta rectangular, de massa simples e cobertura homogénea em telhados de quatro águas, rematados em beirada simples. Fachadas de dois pisos, rebocadas e pintadas de branco, com faixa a cinzento e terminadas em cornija de massa, que na zona de gaveto forma espaldar alteado e de perfil contracurvado; são rasgadas por janelas de peitoril, com caixilharia de guilhotina, tendo o peitoril saliente e sendo encimadas por cornija com beirada. O pano do gaveto é rasgado por duas janelas sobrepostas, a do segundo piso com caixilharia tripla, encimada por cornija contracurvada com beirada, sobre duas mísulas laterais e decorada inferiormente com estuque formando quadrícula e botão ao centro; ladeia a janela duas mísulas. O pano esquerdo, virado à Travessa do Dispensário é rasgado no piso térreo por porta de verga recta encimado por alpendre telhado apoiado em estrutura de madeira sobre traves, pintadas de verde, e janela; ao nível do segundo piso, abrem-se duas janelas de peitoril e fresta longilínea ao centro, também ela encimada por cornija com beirada. O pano direito, virado à Costa Grande, é rasgado, no piso térreo, por vão semicircular sobre cornija, e porta de verga recta, e, no segundo, por uma bífora, possuindo afixado no nembo o mastro da bandeira; ladeia a porta caixa envidraçadas para afixação de anúncios. Junto à fachada posterior existe pequeno terraço coberto por chapa metálica assente em pilares.
Materiais
Estrutura em alvenaria hidráulica, rebocada e pintada; peitoril e cornijas de massa; portas e caixilharia de madeira pintada, uma delas chapeada; vidro simples e martelado; alpendre da porta em madeira; cobertura e beirada de telha.
Observações
*1 - A difusão dos dispensários e sanatórios ocorreu em toda a Europa aproximadamente no último quartel do século 19 e as características da situação exterior eram razoavelmente conhecidas em Portugal, onde o médico António Lencastre (1857-1944), colaborador da Rainha D. Amélia, desempenhou uma acção preponderante para a fixação de princípios de actuação e criação de regras gerais para a construção dos dispensários. A partir da década de 30 do século 20, o Ministério do Interior promoveu uma extensa reforma no âmbito da saúde pública que contemplou a estruturação de uma rede de equipamentos de apoio à erradicação da tuberculose, motivando a concepção de uma série de pesquisas tipológicas que contou com a intervenção directa dos arquitectos: Vasco Regaleira na concepção de projectos-tipo de sanatórios, hospitais e preventórios; e Carlos Chambers Ramos, vencedor do concurso público lançado pela Assistência Nacional aos Tuberculosos em 1934, na definição de projectos-tipo para dispensários distritais e concelhios. O modelo de actuação dos dispensários, de origem francesa e alemã, centrava-se essencialmente num trabalho de diagnóstico, rastreio e terapêutica, na assistência à população local contaminada e numa acção de propaganda activa de medidas de prevenção que contemplou a elaboração de cartazes de divulgação da autoria de Stuart Carvalhais (1887-1961). Em 1931 a rede nacional de dispensários reduzia-se a 7 estabelecimentos. Cinco anos mais tarde essa rede alargava o seu número para 63 edifícios, entre os quais 23 eram distritais e 40 concelhios. Basicamente, o dispensário funcionava como a peça fundamental do sistema de luta contra a tuberculose, permitindo, através do contacto directo com as populações, a realização de exames periódicos, o despiste de eventuais casos de doença, a identificação das fontes de contágio, o tratamento de doentes em regime ambulatório, a organização do cadastro radiológico, sistemático e periódico de antigos doentes com alta, o encaminhamento dos doentes para os recintos de internamento e a informação geral das populações locais. A acção dos dispensários era complementada pelo trabalho das brigadas móveis, no que concerne à profilaxia da doença e à investigação epidemiológica, sendo a distribuição dos estabelecimentos e a respectiva lotação estabelecida a partir da taxa de mortalidade local.