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Paisagem de Entre Douro e Minho

Paisagem de Entre Douro e Minho

O ponto de interesse Paisagem de Entre Douro e Minho encontra-se localizado na freguesia de Adaúfe no municipio de Braga e no distrito de Braga.

Florestas / Pastagens / Rocha nua / Vegetação esparsa / Culturas anuais associadas às culturas permanentes / Tecido urbano descontinuo

CARACTERIZAÇÃO DOS FACTORES ABIÓTICOS. ELEMENTOS GEOMORFOLÓGICOS. RELEVO: O relevo é acidentado, sendo formado por uma sequência de vales encaixados e estreitos, e interflúvios, com variações altimétricas máximas de 800m (originando declives acentuados). Nas serras interiores registam-se altitudes superiores a 1000m destacando-se a Peneda (1373m) e o Gerês (1545m em Nevosa). Existe um elevado contraste orográfico entre a orla costeira, baixa, arenosa e pouco recortada e as altas serras interiores. Esta mudança desenvolve-se numa distância reduzida, podendo deste modo falar-se de um aparente anfiteatro natural. GEOLOGIA: Área maioritariamente constituída por terrenos do Maciço Antigo. As formações mais recentes localizam-se numa estreita faixa litoral e nas zonas baixas dos vales do Minho e Lima, correspondendo sobretudo a formações sedimentares do Quaternário (Pena, Cabral, 1991). Fendas nas rochas consolidadas do Maciço Antigo originam um levantamento persistente, um empolamento epirogénico. Esta área é atravessada por linhas sismo-téctónicas perpendiculares ao eixo de Culminação Ibérica Principal, que acompanham grande parte dos vales paralelos do extremo NW de Portugal: o rio Minho, o Lima, o Cávado, o Ave, o Sousa e o Tâmega e ainda por linhas epicentrais paralelas ao eixo de Culminação Ibérica Principal (Lautensach, Ribeiro, Daveau, 2004). LITOLOGIA: Predominam as rochas eruptivas, sobretudo os granitos calco-alcalinos, com manchas significativas de granitos alcalinos e instrusões de rochas sedimentares xisto-grauváquicas. No litoral, e ao longo do leito dos cursos de água encontram-se importantes formações sedimentares (como o sistema dunar entre a foz do Cávado e a Apúlia). SOLOS: Predominam os solos litólicos, sendo que nas serras de E, são visíveis extensos afloramentos rochosos, conferindo um aspecto mais agreste à paisagem. Junto à costa ocorrem regossolos. É de destacar a presença de aluviossolos nos vales principais, havendo um aproveitamento destas áreas para fins agrícolas. CLIMATOLOGIA: Clima marítimo muito influenciado pela fachada atlântica, pelo relevo vigoroso no interior e também pela latitude. Verificam-se temperaturas amenas, com amplitudes térmicas menos acentuadas no litoral do que no interior, que apresenta já algumas características de clima continental. É a região do país em que se registam os valores mais elevados de precipitação (mais de 100 dias por ano e valores médios anuais entre os 2000 a 3000mm). Contudo, verificam-se algumas assimetrias regionais porque o relevo constitui um entrave à progressão das massas de ar húmidas, que, ao ascenderem, atingem o ponto de saturação (mecanismo de Föhn), originando por isso uma pluviosidade superior nas altas serras do interior. A geada atinge sobretudo as áreas mais montanhosas e mais afastadas do litoral, onde ocorre em cerca de 40 a 50 dias. HIDROGRAFIA: Rede hidrográfica extensa e densa, favorecida pela intensa e regular queda pluviométrica. Os rios, com orientação predominante perpendicular à linha de costa, apresentam leitos apertados e bacias estreitas, correndo em vales encaixados (em V ou em U) a montante, e alargando junto ao litoral, devido à deposição de sedimentos (aluviões). Principais bacias hidrográficas: Minho, Lima, Cávado, Ave e Douro. FRENTE COSTEIRA: Faixa litoral baixa, plana e arenosa, com largura variável. Ao longo da linha de costa encontram-se pequenos estuários como o do Neiva e o do Cávado. Os areais, entre a Foz do Cávado e a Apúlia, foram escavados até próximo do lençol freático e fertilizados com o sargaço recolhido no mar, originando os campos de masseira, onde se pratica a policultura. Esta actividade completava o rendimento dos pescadores. O litoral é densamente ocupado (por vezes de forma caótica), quer com habitação, quer com indústria. CARACTERIZAÇÃO DOS FACTORES BIÓTICOS. FLORA: O facto de ser a zona do país onde ocorrem os valores médios anuais mais elevados de precipitação, a flora é a característica de um clima temperado húmido (zona biogeográfica atlântica), sendo por isso comum encontrar espécies caducifólias como carvalhos, choupos, freixos e ulmeiros. A riqueza florística deste grupo advém dos diferentes habitats que a compõem. Ao longo do rio Minho encontram-se matas ripícolas dominadas por Alnus glutinosa e Salix spp. Importantes manchas de carvalhais galaico-portugueses de carvalho-roble (Quercus robur) e/ou carvalho-negral (Quercus pyrenaica), são das mais extensas e bem conservadas a nível nacional, sendo também de realçar os carvalhais climácicos de carvalho-roble ou os bosques secundários de aveleiras (Corylus avellana), típicos de solos profundos e frescos, das bases das encostas de vales encaixados. Em algumas áreas do Gerês ocorrem Bidoeiro (Betula pubescens), freixo-de-folha-estreita (Fraxinus angustifolium) e teixo (Taxus baccata). No litoral encontram-se, nos sistemas dunares, urzais turfófilos dominados por Erica tetralix e Calluna vulgaris, tojais e urzais-tojais dominados por Ulex europaeus subsp. Latebracteatus (ICN). FAUNA: Da elevada diversidade faunística destaca-se: lobo (Canis lupus), javali (Sus scrofa), corço (Capreolus capreolus L.), lontra (Lutra lutra) e toupeira-de-água (Galemys pyrenaicus); gaivota-argêntea (Larus argentatus); víbora-negra (Vipera seonei) e víbora-cornuda (Vipera latasti); rã-ibérica (Rana iberica) um endemismo ibérico (ICN). CARACTERIZAÇÃO DOS FACTORES ANTRÓPICOS. USO E OCUPAÇÃO DO SOLO: Uso do solo muito diversificado, agricultura intensiva/policultura de regadio nos vales frescos (milho na Primavera/Verão e pastos - e, menos, os Linhares - no Inverno, sendo constante a presença de vinhas altas). Nas terras mais altas, com afloramentos rochosos e terras menos férteis, predomina a bouça: sistemas florestais, tradicionalmente de soutos e carvalhais, hoje de pinheiro e eucalipto e matos. Explorações agrícolas de reduzidas dimensões e muito parceladas. Técnicas muito desenvolvidas de regadio, com pequenas valas alimentadas por nascentes ou minas, nas zonas baixas e de socalcos e com levadas nas encostas. TIPO DE POVOAMENTO: Povoamento disperso, registando-se uma elevada densidade populacional. Desenvolve-se sobretudo no litoral, ao longo dos vales com melhores condições para a prática agrícola (clima mais ameno e solos mais ricos) e junto aos eixos viários. Nas zonas serranas, a ocupação é diferente, sendo menos densa e constituída por aldeias mais compactas, havendo sobreposição de funções habitacionais com produtivas, seja agrícola, florestal, ou industrial ou de armazenagem. Nesta área, as piores condições para a prática agrícola favoreceu o desenvolvimento da pastorícia e da floresta. Os principais aglomerados urbanos têm raízes seculares e assumem uma dimensão média no sistema urbano nacional (por exemplo: Braga, Viana do Castelo, Guimarães). DADOS DEMOGRÁFICOS: Área de elevada dinâmica demográfica, que regista uma pirâmide etária com uma base alargada. Durante os meses de Verão, a população aumenta devido ao regresso de emigrantes e de população que migrou para as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Os fluxos migratórios foram muito importantes sobretudo nos anos 60 e 70, traduzindo-se na paisagem em novas formas arquitectónicas, como a casa do emigrante. PATRIMÓNIO CULTURAL: A arquitetura tradicional residencial era de dois pisos, o primeiro (loja) reservado aos animais e utensílios agrícolas e o segundo para habitação. Casas maiores (solares) têm anexos, formando um pátio aberto. No fim do séc. 19, início do séc. 20, surgiu um novo tipo de construção, as casas de "brasileiros", construídas por emigrantes regressados do Brasil. Nos anos sessenta do séc. 20, surgiu um novo fluxo de emigração, para países europeus e americanos, provocando alterações na estrutura edificada da região. Grande riqueza e diversidade do património arquitectónico: castelos, praças-fortes (das quais se destaca Valença), fortes, igrejas e conventos, centros históricos importantes (por exemplo Guimarães - PT010308340101, Valença - PT011608150036 e Braga - PT010303070088), solares, capelas e locais de romaria, antas e castros. A tradicional religiosidade da população explica em parte a existência de capelas, ermidas ou santuários em locais ermos como a Nossa Senhora da Peneda. Nas aldeias encontram-se frequentemente os espigueiros (como no Soajo e no Lindoso), estruturas pequenas, edificadas em pedra ou madeira, que servem para armazenamento de cereais. Nas áreas mais serranas encontram-se os fojos, locais onde se apanhavam lobos.

Materiais

Não aplicável

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