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Vale do Tejo - Lezíria

Vale do Tejo - Lezíria

O ponto de interesse Vale do Tejo - Lezíria encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Salvaterra de Magos e Foros de Salvaterra no municipio de Salvaterra de Magos e no distrito de Santarém.

Zonas húmidas continentais / Áreas agrícolas com culturas anuais / Culturas permanentes

CARACTERIZAÇÃO DOS FACTORES ABIÓTICOS. ELEMENTOS GEOMORFOLÓGICOS. Relevo: O limite da Unidade está definido de acordo com o relevo (entre outras características), coincidindo muitas vezes com o sopé de alguns serros ou com a linha de festos (importa referir que a delimitação intersecta diversos vértices geodésicos). Deste modo o relevo é praticamente plano, com altitudes muito próximas do nível do mar (inferiores a 50 m em praticamente toda a unidade). O relevo mais movimentado verifica-se nas extremidades (junto aos limites) da UP. As cotas mais elevadas situam-se a SE da Unidade (município de Vila Franca de Xira), com os valores máximos correspondentes aos vértices geodésicos: Monte Gordo - 211 m, Granja -148 m, Alhandra - 143 m; Na extremidade E. da UP, na freguesia de Vila de Fazendas de Almeirim, com as cotas mais elevadas correspondentes aos vértices geodésicos de: Concelhos - 166 m, Zambujo - 128 m e Fazendas - 106 m; Na extremidade O. Junto a Santarém com as altitudes mais elevadas, junto aos vértices: São Bento - 144 m e Santarém - 138 m; e na extremidade N., junto a Vila Nova da Barquinha com a cota máxima no vértice Barquinha - 155 m. Por outro lado, as cotas mais baixas, encontram-se no centro da UP, na envolvente mais imediata do rio Tejo e afluentes. Declives: Lezíria praticamente sem declives coincidindo os maiores declives, de uma forma geral, ao limite da UP. Exceptua-se uma pequena subárea a SO. da UP, na envolvente de Vila Franca de Xira (com valores médios de 15 graus e com valores máximos de 40 graus, a N. de Vila Franca de Xira e a O. de São João da Talha). Ao longo do limite da UP, verificam-se declives entre os 5 e os 25 graus, exceptuando na metade SE. da UP (entre Marinhais e Alcochete) com declives inferiores a 5 graus. No interior da UP, predominam declives nulos ou muito próximos a 0 graus (aproximadamente 95% da UP). Exposição de vertentes: Devido ao relevo pouco movimentado e aos baixos declives, a exposição de vertentes assume também pouca relevância em praticamente toda a unidade. O rio Tejo tem uma direcção geral NE. para SW. ocasionando nas vertentes uma orientação sobretudo a SE. (junto ao limite E. da UP e na margem direita do rio Tejo) e a NO. (junto ao limite O. da UP na margem esquerda do rio Tejo). Geologia/Litologia: A UP insere-se na unidade morfoestrutural da Bacia Terciária do Tejo (coalescente com a do Sado, com características estruturais, litológicas e cronológicas comuns) ou Bacia Sedimentar Meso-Cenozóica do Tejo-Sado. A formação desta bacia iniciou-se no Terciário, com o afundamento entre falhas, seguido do encaixe do rio Tejo e o seu gradual preenchimento com sedimentos (Terciários e Quaternários) oriundos das áreas periféricas. O limite da UP corresponde, em grande parte, à fronteira das formações geológicas. No interior da UP, predominam as formações sedimentares da época do Halocénico (início à 10000 anos), do período do Quaternário da ERA do Cenozóico (aproximadamente 80% da UP), sobretudo os aluviões (cerca de 50% da UP) e depósitos de vertente, areias superficiais e de terraço (esta últimas a cotas ligeiramente mais elevadas). As restantes formações mais abundantes (também sedimentares) datam da época do Plistocénico (inicio à 1,8 MA), do período do Quaternário da ERA do Cenozóico (aproximadamente 17% da UP) e que correspondem a areias e cascalheiras, localizadas entre o estuário do Tejo e o lugar de Vale de Cavalos, ou seja, na envolvente do limite SE. da UP (nas cotas mais elevadas, na área de interfluvio entre os afluentes do Tejo) e a N., entre os lugares da Golegã, Riachos e o Entroncamento. As formações mais antigas encontram-se junto ao limite da UP, sobretudo a SE. da UP, na envolvente O. de Vila Franca de Xira (entre São João dos Montes e Castanheira do Ribatejo), formações sedimentares datadas do período do Jurássico (inicio à 208 MA), da ERA do Mesozóico, compostas fundamentalmente por conglomerados, arenitos, calcários e margas. Solos: Existem três tipos de solo dominantes: Regossolos Êutricos (predominantemente arenosos apresentando elevada susceptibilidade à erosão, localizados na margem esquerda do rio Tejo, entre Alpiarça e Salvaterra de Magos, na envolvente a S. de Benavente e a S. de Samora Correia, a SE. da UP), Fluvissolos Êutricos (derivados de depósitos aluvionares recentes, localizam-se junto às principais linhas de água, especialmente na área adjacente aos rios Tejo, Sorraia, Almonda e Alenquer) e Solonchaks Gleizados (associados a solos salinos e saturados com água, localizados a S. da UP, junto ao estuário do Tejo, prolongando-se até Samora Correia e Castanheira do Ribatejo e mais para montante do rio Tejo, na envolvente SE. da Azambuja). Verificam-se ainda pequenas bolsas no interior da UP, de Podzois Órticos na envolvente E. de Fazendas de Almeirim e Cambissolos Êutricos (numa área entre a Golegã, Riachos e o Entroncamento e a N. de Pombalinho). CLIMATOLOGIA: Pode considerar-se uma situação de transição entre o tipo de clima marítimo (ainda com penetração do ar atlântico) e o clima continental atenuado, com os meses mais frios e chuvosos nos meses de Dezembro e Janeiro e os mais quentes e secos em Julho e Agosto. Insolação elevada (com 2900 a 3000 horas anuais junto ao estuário do Tejo até a Azambuja e Samora Correia), diminuindo em latitude para montante do rio Tejo (2700 a 2800 horas anuais de Salvaterra de Magos a Vila Nova da Barquinha); Radiação Solar: varia entre os valores máximos a SO. (155-160 Kcal/cm2 em São João da Talha), para NE. da UP (150-155 Kcal/cm2 em Santa Iria da Azóia e Alverca do Ribatejo, e 140-145 Kcal/cm2 entre Alverca do Ribatejo, Samora Correia e Vila Nova da Barquinha); Temperatura média anual entre os 15 e 16º C. a Sul (do estuário do Tejo até a Azambuja e Salvaterra de Magos), aumentando para montante do rio Tejo, para os 16 e 17,5º C. (até Vila Nova da Barquinha). A precipitação média anual é reduzida, com apenas 500 a 600 mm a S. (do estuário do Tejo até Salvaterra de Magos, Muje e Azambuja), aumentando para montante do rio Tejo para os 600 a 700 mm (até Vila Nova da Barquinha), correspondendo sensivelmente com: o número médio anual de dias de precipitação (50 a 75 dias a S. e 75 a 100 dias a N.); o escoamento médio anual (50 a 100 mm a S. e 100 a 150 mm a N.); e a humidade do ar (70 a 75% a S. e 75 a 80% a N.). A geada (número de dias em média anual) tem expressão sobretudo a SE. da UP (entre 30 a 40 dias entre Samora Correia e Benavente), ainda que na área imediatamente envolvente e no N. da UP estes valores se mantenham elevados (20 e 30 dias entre São João da Talha e Azambuja e Salvaterra de magos a S. e entre a Golegã e Vila Nova da Barquinha a N.). Entre Pombalinho e Chamusca a N. e a Azambuja e Muje no centro da UP, verificam-se entre 10 e 20 dias. No centro da UP, entre Alpiarça, Santarém e Benfica do Ribatejo são os lugares onde o número de dias por ano (em média) com menor geada (5 a 10 dias). HIDROGRAFIA: Destaca-se o rio Tejo que atribui o seu nome a esta unidade, caracterizando-se como o principal elemento físico na constituição desta UP. O rio Tejo (com escoamento de NE. para SO.) é ainda o colector principal dos principais rios (sobretudo a O.), ribeiras e vala (sobretudo a E.) que atravessam a unidade (Rios Almonda, Alviela, Maior, Valverde, Alenquer, Barradinha, Grande da Pipa, Silveira, Trancão e Sorraia; Ribeiras: Ponte da Pedra, Casal Velho, Cabanas, Ulme, Muge, Magos, Ota, Castanheira e Santo António; e a Vala da Vaca). A bacia hidrográfica do Tejo (em particular o baixo Tejo) tem um influência fundamental na morfogénese desta UP e que tem no rio Tejo como principal agente físico modelador da paisagem que, durante milhares de anos, desagregou e depositou diversos materiais, originou condições particulares para o estabelecimento singular de diversos géneros de plantas, aves, peixes, moluscos e crustáceos (servindo de alimento e predação a muitas outras espécies). Esta unidade é ainda muito influenciada pelo estuário do Tejo, onde grande parte do seu território é inundado na preia-mar de uma forma periódica, segundo um ciclo diário e lunar e que se caracteriza não só pela enorme riqueza biofísica e paisagística, desde sempre utilizado como um recurso fundamental ao Homem. CARACTERIZAÇÃO DOS FACTORES BIÓTICOS. Os estuários estendem-se desde a foz até ao limite das águas salobras, espacialmente, correspondem ao troço final de um rio sujeito ao fluxo diário das marés. Dada a complexidade ecológica e geomorfológica de muitos estuários é frequente o uso do conceito de "sistema estuarino" (adaptado de ICNB, s/d). O estuário do Tejo é uma das maiores zonas húmidas da Europa e o maior santuário de vida selvagem do país. Desempenha um papel de grande relevo internacional na conservação de aves aquáticas que aqui encontram condições óptimas para invernada, nidificação ou como suporte às rotas migratórias (ICNB, s/d). Tem um papel fundamental do ponto de vista ecológico e económico, uma vez que nele se concentra todo o material biológico arrastado ao longo do curso do rio, o que transforma o estuário numa zona extremamente rica em seres vivos e de importância fundamenta no povoamento da costa marítima. O valor biológico do estuário traduz-se na produção de nutrientes minerais e orgânicos de que depende grande parte da vida nas águas adjacentes, estuarinas e costeiras; na assimilação de detritos resultante da sua capacidade de autodepuração, por tratamento terciário, que actua na remoção e reciclagem de nutrientes inorgânicos; na manutenção dos ciclos do azoto e do enxofre." (ICNB, s/d). O Paul do Boquilobo é uma zona húmida de águas interiores, alagada a maior parte do ano e que representa um importante depósito de partículas de aluvião da bacia do Tejo. FLORA: Em nenhum outro tipo de habitat em Portugal confluem tantas classes de vegetação como num estuário (ICNB s/d). A vegetação de sapal constitui a flora mais característica dos estuários, que suportam condições ambientais extremas: solos argilosos compactos, saturados de água com pouco oxigénio, além de concentrarem elevados teores de sal. As espécies que sobrevivem nestas condições desenvolveram estruturas que lhes permitem suportar a salinidade (diminuem a área foliar e as perdas de água por evapotranspiração, permitindo acumular água e eliminando o sal) adaptado de Lourenço, 1998. Deste modo, nas áreas húmidas ribeirinhas de sapais, onde as marés e os níveis de salinidade são determinantes, verifica-se a predominância de espécies halófitas (adaptadas ao sal). Nestes habitats, as espécies mais comuns são Spartina maritima (Morraça que que suporta longos períodos de submersão), gramínea pioneira na colonização das vasas consolidadas. Esta espécie bem adapatada à imersão prolongada das águas salgadas permite a formação de pequenos monchões, originando as condições necessárias ao desenvolvimento de outras espécies como a Gramata-branca (Halimione portulacoides) e a Gramata (Sarcorconia fruticosa). Onde a maré chega menos vezes ou existe afluência de água doce, ocorrem espécies, que incluem o Valverde-dos-sapais (Suaeda vera) o Marmequer-da-praia (Aster tripolium), a Morraça (Puccinellia maritima), a Madorneira-bastarda (Inula crithmoides), o Limónio (Limonium spp.) e a Salgadeira (Artiplex halimus). A montante, onde a salinidade das águas é bastante mais diminuta, o Junção (Scirpus maritimus) e o Caniço (Phragmites australis) dominam as margens formando extensas manchas de caniçal. No ambiente aquático predominam o fitoplancton, microfitobentos (predominantemente constituído por algas unicelulares do grupo das diatomáceas que proliferam à superfície das vasas e areias, realizando fotossíntese enquanto se encontram expostas à luz durante a maré vazia) e de algas macrófitas, representadas sobretudo pela bodelha (Fucus vesiculosus), pela Alface-do-mar (Ulva lactuca) e pela Gracilaria (Gracilaria verrucosa). No ambiente terrestre (mouchões), a vegetação natural é constituída sobretudo por espécies herbáceas que formam pastagens naturais ou crescem espontaneamente nas orlas dos campos cultivados, pastagens naturais, restolhos e fases iniciais de cultivo (ICNB, s/d). Na área do Paúl do Boquilobo (zona húmida, alimentada pelos caudais dos rios Almonda e Tejo), a paisagem é dominada por galerias ripículas arbóreas de Salgueiros (Salix atrocinerea) e Freixos (Fraxinus angustifolia). Nas várzeas inundáveis, existe a presença de bunho (Schoenoplectus lacustris), caniço (Phragmites australis), tábua (Typha angustifolia), espadana (Sparganium erectum) e gramichão (Paspalum paspalodes). FAUNA: Nas margens do estuário desenvolve-se o sapal, cuja comunidade florística vive sob a influência das águas trazidas pela maré. A matéria vegetal em decomposição, maioritariamente produzida pelo sapal, e as microalgas que se desenvolvem à superfície dos substratos são consumidas por inúmeros seres bentónicos (invertebrados e pequenos peixes). A elevada produtividade a nível de poliquetas, moluscos e crustáceos, constituem, por sua vez, a base alimentar de peixes na maré-cheia e de aves na maré-vazia. No entanto, é a avifauna aquática que atribui ao estuário do Tejo o estatuto da mais importante zona húmida do País e uma das mais importantes de Europa. Deste modo, no estuário do Tejo e áreas terrestres adjacentes incluídas na ZPE ocorrem 35 espécies de mamíferos, 194 espécies de aves com presença regular (aquáticas, estepárias e de floresta - 46 das quais encontram-se incluídas no anexo I da Directiva 79/409/CEE), além de 9 espécies de répteis e 11 de anfíbios. Existem referências relativamente à ocorrência de 101 espécies de peixes no estuário, mas o número de espécies com presença regular não ultrapassará as 40 (adaptado de ICNB, s/d). De seguida listam-se algumas das espécies existentes na UP: MOLUSCOS: Choco-anão (Sepiola rondeleti), Choco-vulgar (Sepia officinalis), Hidrobia (Hydrobia ulvae), Lambujinha (Scrobicularia plana), Lula-bicuda (Allotheutis subulata), Mexilhão (Mytilus edulis), Ostra-portuguesa (Crassostrea angulata), Polvo (Octopus vulgaris); CRUSTÁCEOS: Artémia (Artemia salina), Camarão-branco (Palaemon longirostris), Camarão-branco-legítimo (Palaemon serratus), Camarão-mouro (Crangon crangon), Camarinha (Paleomonetes variens), Caranguejo-chinês (Eriocheir sinensis), Caranguejo-verde (Carcinus maenas), Lagostim-de-água-doce (Procambarus clarkii), Paguro (Pagurus prideauxi);

Materiais

Rochas detríticas

Observações