Portal de Cidadania

Igreja de São Pedro e Treatro

Igreja de São Pedro e Treatro

O ponto de interesse Igreja de São Pedro e Treatro encontra-se localizado na freguesia de São Pedro no municipio de Vila do Porto e no distrito de Ilha de Santa Maria (Açores).

Igreja paroquial reconstruída na segunda metade do séc. 18, sobre uma igreja seiscentista, que tivera como fundação inicial uma capela quinhentista. Apresenta planta poligonal com igreja em cruz latina, de nave e capela-mor interiormente com iluminação axial e bilateral e coberturas de madeira e de estuque, respetivamente, e transepto resultante de um possível acréscimo posterior, a partir do qual se acede à sacristia e a uma capela colateral. A fachada principal, organiza-se em três panos, definidos por pilastras firmadas por pináculos e terminada em empena de cortina ao centro, integrando no pano esquerdo o batistério e no direito a torre sineira, construída no séc. 19. No pano central abre-se eixo de vãos em asa de cesto, conferindo certa verticalidade para contrariar o tipo de remate da fachada, formado por portal, de duas arquivoltas, e janela, sobre friso e cornijas, e encimada por friso e cornija, com pináculos e atributos do orago. Nos panos laterais abrem-se janela de arco deprimido, encimada por friso e cornija, e no da direita, no segundo registo da torre, ventana em arco peraltado sobre pilastras, com pano de peito rebocado e pintado, e rematando em balaustrada. Quer a planimetria, quer o tipo de remate da frontaria não são comuns nas Igrejas Paroquiais dos Açores, ainda que a primeira seja semelhante à da Igreja Paroquial de Santa Bárbara (v. IPA.00029937). As fachadas laterais têm linguagem mais simples e são rasgadas por portas travessas e janelas retilíneas e a posterior termina em empena. No interior possui coro-alto de betão, tendo no sub-coro o batistério e a torre sineira acedidos por vãos com arco em arco em asa de cesto. A nave foi bastante alterada pelas obras de restauro do séc. 20 e 21, já que o lambril de cantaria que a percorre, os Passos da Via Sacra, em azulejos policromos emoldurados a cantaria, e os vãos para expor as Coroas do Império, resultaram das obras da década de 1950, e o púlpito, no lado do Evangelho, perdeu a guarda e o acesso nas obras de 2007. A capela colateral da Epístola possui retábulo de talha de corpo côncavo e um eixo de linguagem barroca, mas de provável feitura recente. O arco triunfal, de volta perfeita sobre pilastras, é revestido a talha de feitura recente e o retábulo-mor, de talha pintada, corpo côncavo e três eixos, tem linguagem barroca. Na sacristia destaca-se o amplo lavabo, setecentista, de linguagem erudita.

Planta em cruz latina, composta por nave, capela-mor mais estreita, transepto pouco saliente e diversos corpos adossados de ambos os lados, correspondendo nomeadamente, na esquerda, ao batistério e sacristia, e na direita, à torre sineira e alpendre. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas, na igreja e de uma em alguns corpos, em telha de meia-cana tradicional, rematada em beirada dupla. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, a principal virada a sul, percorrida por soco de cantaria, com as juntas tomadas e pintadas de branco, de três panos definidos por pilastras, coroadas por pináculos tipo pera, e rematada em empena reta com cornija. O pano central termina em empena de cortina, coroada por cruz de braços quadrangulares rematados em botão, e é rasgada por eixo de vãos com arco em asa de cesto, formado por portal, de duas arquivoltas, a exterior sobre pilastras, e janela, sobre friso e tripla cornija reta, com pináculos relevados laterais, e encimada por friso e cornija, também com pináculos relevados e coração com os atributos do orago. Os panos laterais são rasgados por janela de arco deprimido, com moldura terminada em cornija, encimada por alto friso e cornija reta. Sobre o pano direito eleva-se a torre sineira, rasgada no segundo registo, em cada uma das faces, por ventana em arco peraltado sobre pilastras, com pano de peito rebocado e pintado, o da frontaria sobreposto por cartela inscrita; a estrutura remata em cornija e balaustrada com pináculos tipo pera sobre os acrotérios nos cunhais. Fachadas laterais com a nave rasgada por janelas retangulares e porta travessa de verga reta, de moldura simples. Na lateral esquerda o batistério é rasgado por janela retangular sem moldura, um dos corpos por porta de verga reta e janela retangular, viradas a sul e a sacristia por porta e janela com caixilharia de guilhotina tripla. Na lateral direita, a torre tem pequena fresta no primeiro registo, a porta travessa é protegido por alpendre de betão, o primeiro corpo adossado por janela retangular jacente, o segundo por janela retangular, abrindo-se uma outra na capela-mor. Fachada posterior com capela-mor terminada em empena e rasgada por janelo retangular, e o corpo à direita, em meia empena, no seu prolongamento; o corpo que se adossa a este último é rasgado por duas janelas retangulares a norte e porta oeste. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco e com lambril de cantaria, de juntas tomadas e pintadas de branco, tendo lateralmente catorze painéis de azulejos com passos da Paixão de Cristo, inseridos em molduras de cantaria, coroadas por volutas e cruz. A nave possui pavimento cerâmico com coxia marcada noutra cor e cobertura de madeira, em masseira, sobre travejamento. Coro-alto de betão, com guarda em balaústres torneados de madeira, acedido, no lado da Epístola, por porta de verga reta, a partir da torre sineira, que no sub-coro tem porta em arco em asa de cesto. Frontalmente, no lado do Evangelho, o batistério tem acesso por arco igual, interiormente com pavimento cerâmico e cobertura plana, de estuque, albergando pia batismal com taça hemisférica, gomeada, sobre pé galbado; frontalmente tem painel de azulejos policromo, com representação do Batismo de Cristo. No lado do Evangelho existe a bacia do antigo púlpito, em talha, sustentando imaginária, e, do lado oposto, abrem-se três vãos retangulares, sobre o lambril, envolvidos por moldura terminada em volutas e cruz, albergando no interior, frontalmente revestido a tecido vermelho, as coroas do Espírito Santo. No topo da nave, abrem-se arcos, de volta perfeita, sobre pilastras, de ligação ao transepto, tendo lateralmente capelas com arco em asa de cesto, dedicados a Nossa Senhora da Conceição (Evangelho) e a Nossa Senhora do Rosário (Epístola). No braço do Evangelho existe porta de verga reta, de moldura alta, encimada por várias cornijas, de ligação à sacristia, ladeada por pia de água benta hemisférica e gomeada, e, no da Epístola capela colateral atualmente dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. Arco triunfal de volta perfeita, sobre pilastras, revestido a talha dourada, decorada com acantos e elementos vegetalistas, possuindo no fecho cartela policroma sustentada por anjos tenentes, contendo as armas de Portugal. A capela-mor tem pavimento em cantaria e cobertura em falsa abóbada de berço, de estuque, pintado com motivos vegetalistas inseridos em apainelados e, no central, oval, a representação da Adoração da Custódia. Nas paredes laterais tem dois painéis de azulejos policromos, com cenas da vida de São Pedro: a Oferta das Chaves a São Pedro (Evangelho) e Jesus salvando Pedro de se afundar ao andar sobre as águas. Sobre supedâneo com acesso central, dispõe-se o retábulo-mor, em talha pintada a bege, marmoreados fingidos a verde, bege, rosa, e dourado, de corpo côncavo e três eixos, definidos por duas pilastras exteriores, decoradas por almofadados com motivos vegetalistas, dispostas sobre dupla ordem de plintos, com a mesma decoração, ladeado por friso igual, e quatro colunas de fuste torso, com o terço inferior marcado e decorado com motivos vegetalistas, sobre mísulas e de capitéis coríntios. No eixo central abre-se tribuna, em arco de volta perfeita, sobreposto por concheados, interiormente com dois arcos sobre pilastras e albergando trono facetado, tudo decorado com motivos vegetalistas em almofadas; no fundo surge resplendor relevado. Nos eixos laterais surgem apainelados com motivos vegetalistas. A estrutura remata em espaldar de perfil curvo, com várias arquivoltas, ornadas de almofadados com motivos vegetalistas, fragmentos de cornija, volutados e cartela central com atributos do orago. Sotobanco com apainelados integrando ao centro sacrário tipo templete, em talha dourada, ornado de acantos, com colunas torsas nos ângulos e cobertura em cúpula bolbosa de acantos. Altar tipo urna com frontal revestido a azulejos policromos, representando a Última Ceia, enquadrado por duas colunas. Sacristia rebocada e pintada de branco com pavimento cerâmico e teto de madeira, de uma água; sobre a porta de acesso tem painel relevado com representação das Almas e lateralmente tem arcaz de madeira, com três fiadas de gavetas, ornadas de ferragens, encimado por espaldar retangular, tendo ao centro espelho, encimado cartela recortada. No lado oposto dispõe-se lavado, com amplo espaldar retangular, delimitado por moldura convexa, alteada ao centro, e decorado por aletas, flores e vieira, centrando bica, vertendo para bacia retangular, assente em larga mísulas, entre duas mísulas.

Materiais

Estrutura de alvenaria de pedra, rebocada e caiada; placas e coro-alto em betão; pilastras, frisos e cornijas, molduras dos vãos, pináculos, cruz e outros elementos em cantaria; painéis de azulejos policromos; pavimento cerâmico e em cantaria; cobertura de madeira sobre travejamento do mesmo material e em estuque; balaustrada do coro-alto em madeira envernizada; lambril, lavabo, mesa da sacristia, molduras dos painéis da Via Sacra em pedra da Cré; retábulos de talha pintada; cobertura de telha de meia-cana tradicional.

Observações

*1 - A igreja teve importantes confrarias, dispondo dos rendimentos de propriedades legados por vários devotos. *2 - A festa do orago realiza-se anualmente a 29 junho.