Conjunto arquitetónico residencial unifamiliar. Habitação económica de promoção pública estatal (FFH / Operação SAAL). Conjunto de média dimensão, composto por casas unifamiliares em banda térreas e de dois pisos. Inclui edifício de equipamento público (escola jardim-de-infância). Planimetria muito compartimentada, com circulação integrada nos compartimentos e reduzida ao mínimo.
Bairro de perímetro poligonal irregular, estruturado em função de um espaço axial central com desenvolvimento NO/SE, designado por Praceta Central. O conjunto habitacional é composto por 73 moradias unifamiliares e um jardim-de-infância. Os lotes dispõem-se de forma linear, agrupados em bandas, formando quatro alas hierarquizadas de acordo com a sua posição: duas alas centrais formadas por lotes de métrica regular, com duas frentes opostas, dispostos de forma aproximadamente simétrica em relação ao eixo ordenador e duas alas colaterais formadas por lotes com uma única frente para a via pública, que ocupam os flancos do bairro. A praceta central correspondente à faixa livre deixada entre as alas centrais; forma, em conjunto com estas, o núcleo central do bairro, que evoluiu a partir da malha inicial rudimentar resultante da ocupação espontânea do local. Este núcleo é atravessado a O. pela Rua José Carlos Ary dos Santos, a via de acesso ao bairro, que o divide em dois sectores. Para NO. desenvolve-se um sector de oito lotes, que inclui o edifício do jardim-de-infância e sete moradias de um e de dois pisos. Para SE., um sector de 41 lotes ocupados com moradias unifamiliares de um piso, alinhadas, conformando área central pavimentada em calçada, de uso exclusivamente pedonal. Duas vias locais de acesso automóvel, a Rua do Norte e a Rua do Sul, entroncam na Rua José Carlos Ary dos Santos e desenvolvem-se paralelamente ao eixo central, com passeios de ambos os lados, ladeando o sector SE. e terminando em situação de impasse. A área pedonal, de carácter vivencial, comunica com as vias de acesso automóvel por intervalos deixados entre as bandas edificadas. As construções do núcleo central evoluíram a partir de pré-existências que não possuíam as mínimas condições de conforto, desafogo e salubridade. Com base em inquéritos sócio-económicos às famílias, e atendendo às suas aspirações, foram estudados diferentes tipos de fogos que permitiram ampliar essas construções e convertê-las em fogos T1, T2, T3 e T4, segundo projectos-tipo. De um modo geral, a parte antiga foi destinada a cozinhas, despensas e casas de banho, e a parte ampliada a quartos e salas. A diferenciação funcional do interior reflecte-se no exterior através da articulação de diferentes volumes e de telhados múltiplos de uma ou duas águas. Os projectos preconizavam a uniformização de dimensões, pormenores e acabamentos das construções. Em todos os lotes foi previsto um quintal, inexistente na situação de partida. No sector NO. do núcleo central as construções, alinhadas em banda, estão implantadas em lotes de configuração irregular. Os extremos das bandas confinantes com a Rua José Carlos Ary dos Santos apresentam tratamento de excepção, baseado em composição simétrica com empena recortada, dois vãos de janela, dispositivo de ensombramento e revestimento diferenciado. No sector SE. do núcleo central os lotes têm acesso duplo em fachadas opostas, processando-se o acesso pedonal pela praceta central e o acesso viário pelas duas vias de acesso automóvel. Está ainda hoje patente a forte unidade formal do conjunto, ritmada pela repetição e alternância de volumes nos alinhamentos das frentes construídas. No topo superior, junto à Rua José Carlos Ary dos Santos, está instalado um estabelecimento de café num quiosque. No topo inferior, uma ampla abertura visual para a envolvente mais distante, permite a tomada de vistas para espaço não construído a SE. Articulando-se com a Rua do Norte, dispõem-se entre esta e o limite N/NE. do bairro, quinze lotes habitacionais que correspondem à primeira fase de expansão, em regime de auto-construção. As construções têm planta rectangular de frente larga, volume único e telhado de duas águas e apresentam fachadas de grande simplicidade, com uma porta e duas janelas. Os lotes implantam-se com afastamentos escalonados das respectivas frentes em relação ao lancil, proporcionando um generoso alargamento do passeio, que acolhe três árvores frondosas da espécie Grevillea Robusta e zona de estacionamento. Articulando-se com a Rua do Sul, dispõem-se entre esta e o limite S/SO. do bairro, nove lotes habitacionais formando banda com forte marcação dos volumes verticais. Correspondem à segunda fase de expansão em regime de auto-construção, sendo conhecidos por "casas da Caritas", por terem sido construídas com o apoio desta instituição. Todos os lotes em posição colateral possuem logradouro de traseiras e acesso único.
Materiais
Paredes exteriores de alvenaria de tijolo e, em alguns casos, blocos de Ytong. Paredes interiores de alvenaria de tijolo. Paredes interiores e exteriores rebocadas a argamassa de areia. Caixilharias exteriores em madeira exótica. Cobertura inclinada com revestimento a telha de aba e canudo.
Observações