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Núcleo Antigo de Odivelas

Núcleo Antigo de Odivelas

O ponto de interesse Núcleo Antigo de Odivelas encontra-se localizado na freguesia de Odivelas no municipio de Odivelas e no distrito de Lisboa.

Núcleo urbano sede municipal. Cidade situada em encosta. Povoação medieval de jurisdição de ordem monástica (Ordem de Cister) incluída no termo de Lisboa até 1852. Vila e cidade contemporânea relacionada com a expansão demográfica das décadas de 60 e 70 do século 20, introduzindo ruptura no uso dos solos.

O núcleo urbano surge nas proximidades da cidade de Lisboa, com a construção do mosteiro feminino da Ordem de Cister, em zona de terrenos férteis e abundância de água. O Mosteiro de Odivelas (v. PT031116030003) é edificado no séc. 14, junto ao principal eixo de ligação entre Lisboa e Sintra, num local de acessos privilegiados a outras povoações, quer por via terrestre quer fluvial. A via de ligação Lisboa/ Sintra constitui-se como o principal eixo do núcleo urbano, dividindo-o no sentido N./S. através das ruas Guilherme Gomes Fernandes e dos Combatentes da Grande Guerra (Rua Direita) que, além da sua função de passagem, também assegurava o escoamento de produtos agrícolas, em especial cereais e vinho provenientes de moinhos e azenhas da zona da Ramada, que eram transportados até Lisboa. Esta via é a charneira entre as duas zonas de crescimento: a S. o mosteiro e a sua cerca, ainda hoje assinalada pelo Memorial ou marco de couto (v. PT031116030004), e a N. a área urbana onde foi edificada a Igreja Matriz de Odivelas (v. PT031116030011). A implantação do núcleo foi condicionado pela existência da cerca do mosteiro que circunscrevia a zona e mantinha as propriedades inalienáveis, cerca essa que fazia fronteira a N. e a E. com a EN 250-2 / Rua Guilherme Gomes Fernandes e Rua Combatentes da Grande Guerra, a S. pelo caminho que conduzia à ribeira, a Rua da Fonte, e expandia-se para O. ao longo da encosta. A primeira fase do aglomerado tem um crescimento linear ao longo do eixo principal, com lotes estreitos na Rua Guilherme Gomes Fernandes e na Rua Combatentes da Grande Guerra. A relação entre o mosteiro e o núcleo habitado fazia-se através do Largo D. Dinis (Largo do Couto das Freiras), lugar onde funcionava o mercado, junto à Rua Guilherme Gomes Fernandes, que se desenvolvia como um espaço de confluência, no qual se foram fixando os trabalhadores agrícolas do mosteiro. No séc.16 foi edificada a primeira igreja matriz, o que criou uma nova área de expansão com a abertura da Rua da Igreja, verificando-se a tendência para o desenvolvimento do núcleo urbano para E. do mosteiro. A estrutura fundiária que predominou foi a da pequena exploração agrícola de quintas e casais aforados por parte comunidade religiosa a agricultores. Nos sécs. 17 e 18 a nobreza adquiriu grandes propriedades para transformar em quintas de recreio, onde as suas famílias confluíam acompanhando rei e para gozar bons ares. Destacam-se a SE. da Rua Guilherme Gomes Fernando a Quinta da Memória ou Casa do Arcebispo (v. PT031116030010) e a NO. a Quinta da Nossa Senhora do Carmo (v. PT031116030012). Este processo fundiário proporcionou a abertura de novas vias moldadas às encostas e o aumento de edificações construídas num eixo paralelo à via principal, a Rua Alberto Monteiro (Rua de Cima), que passou a ser via alternativa à rua comercial, mas fechando os quarteirões de forma irregular. Após o terramoto de 1755, reedificada a igreja matriz no mesmo local da anterior, foram delineadas novas vias, a Rua da Igreja e a Calçada de Nossa Senhora do Monte do Carmo junto à quinta do mesmo nome. Ainda no séc. 18, a expansão do aglomerado teve pouca expressão, reflectindo as necessidades de uma população que vivia quase em exclusivo do trabalho agrícola. As habitações são térreas ou com dois pisos, implantam-se ao longo da encosta, preferencialmente voltadas a S., ocupando lotes estreitos com grandes diferenças de cota, devido à topografia do terreno. No séc. 19, entre o período da extinção das ordens religiosas e os inícios do séc. 20, dá-se o primeiro aumento populacional associado à proximidade da capital, mas o núcleo urbano mantém os seus limites, a O. determinados pela cerca do mosteiro e pela ribeira de Odivelas, a N. pela EN., circundada pelas quintas do Espírito Santo, da Memória e do Espanhol a S. do Mosteiro; as quintas da Nossa Senhora do Monte do Carmo, da Barrosa e do Mendes a N. da EN; e as quintas de Pêro Pinheiro, da Arroja e do Silvado a S. da ribeira. A década de 50 do séc. 20 conhece a grande migração populacional para a periferia de Lisboa, não sendo Odivelas excepção. A resposta perante este aumento demográfico resultou no loteamento desordenado de quintas e espaços agrícolas. Esta ocupação desregrada do território proporcionou a construção edifícios maioritariamente residenciais, descurando-se a rede de infra-estruturas de apoio, equipamentos e espaços verdes necessários à vida urbana. Na área das primeiras quintas loteadas (do Espírito Santo e da Memória), salienta-se um desenho urbano associado a quarteirões fechados e praças que se liga à malha antiga, cuidado que se perdeu nos processos de loteamento mais recentes, originando quarteirões abertos de grandes dimensões e edificados no seu interior. A pressão imobiliária associada ao aumento populacional entre as décadas de 1950 e 1970, de cerca de 7000 para 51000 habitantes, tornou inevitável o caos urbanístico e do antigo território apenas se identifica o núcleo fundacional e algumas vias urbanas que, pelo seu topónimo ou localização, permanecem ligadas aos limites das quintas.

Materiais

Não aplicável

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