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Núcleo urbano da cidade de Bragança

Núcleo urbano da cidade de Bragança

O ponto de interesse Núcleo urbano da cidade de Bragança encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Sé no municipio de Bragança e no distrito de Bragança.

Núcleo urbano sede distrital. Cidade situada em encosta na fronteira de Trás-os-Montes. Vila medieval de fundação e jurisdição régia com castelo e cerca urbana. Cidade de jurisdição senhorial (Casa de Bragança) a partir o séc. 15. Praça de guerra com perímetro defensivo moderno e forte. Núcleo fundacional muralhado, designado por vila ou castelo, com traçado regular. Crescimento extramuros estruturado por dois eixos paralelos (Rua Direita e Rua da Corredoura) que convergem nos espaços polarizadores, correspondentes às diferentes fases da expansão urbana. A primeira fase forma malha concêntrica adaptada à topografia e a segunda fase, circunscrita pela linha defensiva moderna, apresenta as vias principais com maior largura. Bragança foi fundada pela necessidade de reforço do posicionamento e da autonomia de Portugal em relação a Espanha. A sua localização geoestratégica constitui resposta a preocupações políticas e militares no processo de formação do país. Diferenciação urbana entre a vila, a cidade e os bairros ribeirinhos, que persiste nas características do traçado e espaço edificado. Recinto muralhado medieval com escasso abastecimento de água, obrigando a sucessivas tentativas de povoamento. Identificação de traçado de uma segunda cerca muralhada, observável na matriz urbana do arrabalde e em parte revelada nos desenhos de Duarte de Armas. Consolidação do traçado urbano condicionado por perímetro defensivo moderno de carácter precário e inacabado (a Estacada), originando uma contenção no tecido parcelar. Implantação de significativo número de conjuntos religiosos e cercas conventuais entre a Rua da Corredoura e a linha fortificada. Núcleo urbano cujas principais linhas ficaram definidas entre os séculos 16 e 18, registando-se apenas nova fase de crescimento urbano, para além do perímetro militar, a partir de finais do século 19.

Núcleo fundacional amuralhado, designado por Vila ou Castelo, localizado a E. do aglomerado urbano, na colina de Nossa Senhora do Sardão, com crescimento extramuros, organizado em dois eixos paralelos, ao longo dos quais se formou a malha urbana. Estes eixos fundamentais percorrem a vila a partir de E. e reúnem-se em dois espaços estruturantes do espaço urbano: a Praça São Vicente e Praça da Sé. As ligações E./O. marcam o eixo de entrada e saída de Bragança que, apesar do acentuado declive, mantêm a mesma direcção, aproximando o castelo à colina onde existiu o Forte de São João. Bragança foi fundada no lugar de Benquerença no séc. 12, por D. Sancho I, que mandou povoar e construir castelo (v. PT010402420003) e muralhas, cuja forma arredondada, justaposta à forma do outeiro onde se implanta, originou uma estrutura fortificada de configuração circular. O aglomerado intramuros sobranceiro ao rio Fervença tinha na época medieval duas paróquias, Santa Maria e Santiago, delimitadas pela via estruturante a partir da qual é organizada a malha urbana da Vila, a Rua Fernão, o Bravo. Este eixo, de orientação E./O., faz a comunicação entre as duas portas da muralha: a Porta do Sol, que dá continuidade à estrada de Alcanizes, e a Porta da Vila ou Porta de Santo António, que dá acesso ao antigo arrabalde e ao rio. A organização da vila faz-se ao longo do eixo gerado pelas duas portas da cerca, local privilegiado para o pequeno comércio e mercado. Sensivelmente a meio desta via, resguardado a S., implanta-se o Largo de Santa Maria com a sua igreja matriz (v. PT010402420259), espaço fundamental, resultante da sua importância comercial, política e religiosa. Na época medieval esta era a única praça dentro de portas e o local onde se encontrava o pelourinho. Era ainda onde se realizava a feira e se reunia o concelho, no edifício da Domus Municipalis (v. PT010402420004), construído sobre a casa da água ou cisterna. O espaço fronteiro à igreja matriz tornou-se um pólo multifuncional, o que originou maior densidade da malha na sua envolvente. Esta área foi no séc. 20, sujeita a um arranjo urbanístico efectuado pela DGEMN no âmbito do restauro do castelo e das muralhas, da matriz e da Domus Municipalis. Consequentemente foram demolidos cinco quarteirões a S. da praça, proporcionando o pretendido desafogo destes monumentos, gerando espaços amplos e novas áreas ajardinadas. A E. e S. de Santa Maria, o tecido edificado sempre foi mais rarefeito devido à falta de água para uso público, forçando a população a fixar-se junto à cisterna na praça da Matriz. Perto da Porta da Vila a malha urbana torna-se mais densa e regular, com quarteirões rectangulares alongados, que formam várias vias secundárias estreitas. Os quarteirões, perpendiculares ao eixo principal e organizados paralelamente, aumentam progressivamente de área entre a Porta da Vila e a Praça de Santa Maria. O intramuros é composto por lotes estreitos, de orientação E./O., com excepção dos lotes de gaveto nas frentes estreitas, orientados para o eixo fundamental. Estes lotes medievais estão presentemente ocupados por casas de habitação corrente de 2/3 pisos com loja ou oficina. Dentro do perímetro muralhado salienta-se o impacto do castelo, destacado ainda através da Praça de Santiago a O., onde se localiza o pelourinho (v. PT010402420005) e do espaço outrora reservado a funções militares, que ocupa todo o recinto a E. até à Porta do Sol. Este último foi, até aos anos 60 do séc. 20, o local escolhido para a edificação de quartéis. O terreiro de Santiago submeteu-se às diferentes alterações urbanas, mas permaneceu sempre como um espaço amplo no recinto intramuros; neste local existiu a capela de Santiago, sede da paróquia do mesmo nome, até ao séc. 16. O tecido urbano na proximidade do terreiro é organizado de forma mais densa junto à Porta da Vila, num quarteirão irregular adaptado ao terreno, gerado ao longo do eixo fundamental, a Rua Fernão, o Bravo. A expansão urbana extramuros começa na Porta da Vila, descendo pela encosta O. ao longo de dois eixos fundamentais, um comercial e outro marcado pela presença de vários edifícios religiosos e senhoriais. A malha urbana é estruturada por estes eixos, tendencialmente paralelos, que se reúnem nos espaços marcantes da cidade: a Praça São Vicente (praça principal) e a Praça da Sé. O primeiro eixo, dedicado ao comércio, liga-se à via principal intramuros, Rua Fernão o Bravo, seguindo pela Costa Grande (Rua Trindade Coelho) e Rua Direita (Rua dos Combatentes da Grande Guerra) e finalizando na Praça da Sé. O segundo, alternativo ao primeiro, permite contornar os muros, tem início na Rua de São Francisco prolongando-se pela Rua da Alfândega (Rua Eng.º José Beça) e pela Rua do Espírito Santo (Rua Abílio Bessa) até à Praça da Sé, sendo marcado pelos mais importantes edifícios religiosos. Assim, entrando no arrabalde a partir da fronteira, encontra-se a ermida capela de São Sebastião (v. PT010402420253), seguindo-se o Convento de São Francisco (v. PT010402420021) onde, na via do mesmo nome, se localizava a Matriz de São João (v. PT010402420301), local hoje ocupado pelo edifício do antigo Banco de Portugal (v. PT010402420279), em frente ao Mosteiro de São Bento (v. PT010402420085). Continuando pela Rua da Alfândega encontra-se o Paço Episcopal, a seguir ao largo da Igreja de São Vicente; prossegue-se pela Rua do Espírito Santo, onde se encontra o edifício da Igreja e Hospital da Misericórdia (v. PT010402420052), terminando na Praça da Sé, referência episcopal sobreposta à antiga igreja e colégio dos Jesuítas. Os eixos que atravessam os largos e praças polarizadores do arrabalde têm dois pontos de contacto que marcam as duas fases de expansão do aglomerado. A primeira fase tardomedieval define o seu limite junto à Igreja de São Vicente (v. PT010402420086) e a segunda é em parte delimitada pela linha de defesa moderna (estacada ou trincheira) que se estendia até às Eiras do Arcebispo, amplo terreiro adjacente à Praça da Sé. Ao considerar a primeira fase de expansão extramuros é possível identificar na malha urbana um molde sugerindo uma segunda linha de muralhas, provavelmente nunca acabada, que começava junto a S. Francisco, talvez com uma porta próxima da Igreja de S. João (v. PT010402420301). Duarte de Armas ilustra nos seus desenhos um pano de muralha em mau estado adossado à referida igreja, que deveria percorrer a Rua da Alfândega e contornar o Largo de S. Vicente. Neste largo é debuxada a torre sineira da Igreja de S. Vicente, junto a um pano de muralha rasgado por uma porta em arco, certamente representando uma outra entrada localizada no sopé da encosta. Esta porta deveria interromper a segunda linha de muralhas que contornava a igreja e subia pelas traseiras da Costa Grande rematando a S. da primeira cerca muralhada. A expansão do arrabalde deveu-se a uma dinâmica económica relacionada com o comércio da seda e dos curtumes produzidos nos bairros junto ao rio. O mercado junto à Praça de S. João ganhou nova importância, originando algumas contendas com a população intramuros; mas, para além da actividade comercial, o sentido polarizador desta praça estava também relacionado com a ligação ao eixo da Rua de Trás, predominantemente religioso. O outro pólo centralizador da malha urbana, localizado no sopé da encosta, é o largo da Igreja de São Vicente onde concorrem todos os eixos de orientação E./ O., destacando-se as ruas da Costa Grande e da Alfândega como vias fundamentais. As ruas da Amargura (Rua de São João) e da Costa Pequena (Rua Serpa Pinto) são as vias alternativas que se desenvolvem desde a Rua do Santo Condestável, no topo da encosta, formando uma malha regular com tendência concêntrica na direcção do Largo de São Vicente. Os quarteirões obedecem à regra de orientação E./O., tendo no entanto uma forma orgânica, decorrente da adaptação ao terreno e à linha de convergência. Os lotes são díspares e dependem da sua localização e declive, proporcionando quarteirões de tipologia muito diferente. Na Costa Grande distinguem-se lotes de casas senhoriais como o Solar dos Teixeiras (v. PT010402420050), o Solar dos Figueiredos (v. PT010402420321) e as parcelas de casas abastadas como as casas da Rua Eng.º José Beça nº 13 (v. PT010402420373) e nº 18-26 (v. PT010402420374). Na Rua da Alfândega, o Solar dos Lousada Sarmento (v. PT010402420322) e a casa dos Sepúlvedas (v. PT010402420362) também se implantam em parcelas grandes, ladeadas por casas em lotes estreitos com 2/ 3 pisos. A zona da Estacada, nas traseiras da Rua da Alfândega e delimitada a E. pela Rua Capitão Adriano Pires, representava um limite à expansão urbana aqui duplamente condicionada pela servidão militar e pela proximidade da cerca de São Bento. Representada por Duarte de Armas como área agrícola, esta zona apenas começou a ser urbanizada nos fins do séc. 18. A ligação entre a vila e o arrabalde faz-se através da Costa Grande, via que termina junto ao Largo de São Vicente, e que devido à sua proximidade com o rio Fervença, ganhou importância económica graças à indústria manufactureira. Os artesãos viviam junto ao rio, fora dos limites urbanos e além da Porta da Cadeia, em bairros que ainda hoje sobressaem na malha, não só pela forma orgânica como ocupam a encosta, mas ainda pela toponímia original que preservam: Fornos, Moreirinhas, Batoques, Além Rio. O desenvolvimento das actividades económicas ligadas ao fabrico de seda, curtumes e, proporcionando maior fluxo de pessoas e bens, transformou Bragança num dos mais importantes centros urbanos da região, ao acumular ainda o papel preponderante da administração eclesiástica e militar. A vitalidade económica, dinamizada pelas trocas comerciais com Castela e pela rota das peregrinações a Compostela, promoveu o aumento de casas comerciais que se instalaram ao longo dos eixos da Rua Direita e da Rua de Trás, em direcção às Eiras do Arcebispo. Já no início do séc. 16, Duarte de Armas representou um aglomerado em forte expansão, desenhando um casario extramuros até às Eiras do Arcebispo, no lugar da Ermida Velha. O desenho mostra um número significativo de casas sobradadas, e uma mancha edificada densa para além do Largo de São Vicente. Esta fase de expansão da cidade foi contida por uma nova linha fortificada (estacada ou trincheira) construída em meados do séc. 17, que obrigou igualmente à adaptação as anteriores estruturas defensivas (transformando o recinto da Vila ou Castelo em Cidadela). Assim, junto à cerca do castelo foi destruído o espaço edificado de cinco ruas encostadas à muralha, para traçar a esplanada até à Rua Santo Condestável. Durante este período, foram construídos o forte de São João de Deus num outeiro sobranceiro à cidade, e a nova linha de defesa, talvez nunca acabada, mas cujo traçado ainda hoje tem a N. uma presença indeclinável coincidente com a Rua da Estacada. Esta linha tem início na cerca beneditina, continuando pelas traseiras da Rua do Espírito Santo e da Igreja da Misericórdia (v. PT010402420052), contornando pela cerca das Clarissas (v. PT010402450236) até ao campo do Toural e à Rua dos Oleiros (Rua Almirante Reis), onde existia uma porta com o mesmo nome. A S., a presença dos muros da estacada é imperceptível pois estes foram integrados em muros de suporte de quintais e casas. No final do séc. 18 a linha de defesa já se encontrava em parte destruída mas não deixou de condicionar a expansão da cidade, que cresceu ao longo dos dois eixos fundamentais. A malha urbana torna-se mais densa entre as vias da Rua Direita e da Rua de Trás, apresentando quarteirões rectangulares regulares com uma ocupação contínua de lotes alinhados pela rua. Nestes quarteirões predomina o lote estreito com casas de dois ou três pisos com loja ou oficina, que alterna com lotes de maior dimensão de casas abastadas ou senhoriais, como a Casa do Arco (v. PT010402450323). Os quarteirões a N. da Rua de Trás fazem o limite entre o espaço urbano e rural, não apresentando uma métrica regular. São compostos por lotes estreitos pontuados por casas de grandes dimensões que se destacam na malha, como o Paço Episcopal (v. PT010402420022) e os solares dos Vargas (v. PT010402450049) e dos Calaínhos (v. PT010402450048).O conjunto de quarteirões que envolve a Sé e se prolonga pela Rua Direita até à Praça de São Vicente tem lotes estreitos com frentes para duas ruas e sem logradouros. Estes lotes representam casas correntes de 2/3 pisos ou ainda casas multifamiliares (v. PT010402450385), enquanto os lotes mais largos correspondem a casas abastadas. O espaço das Eiras do Arcebispo (Largo da Praça) junto à Sé foi sempre uma área reservada à realização de feiras onde, no início do séc. 20, se construiu um mercado (v. PT010402450082) recentemente demolido ao abrigo do programa Polis. Este programa proporcionou ainda o arranjo de um "corredor verde", ao longo do rio Fervença, resultando numa nova área de lazer, em conjunto com o Jardim António José de Almeida, construído dentro dos limites da cerca dos Jesuítas, no terreno da Cruz de Pedra, jardim este já relacionado com a dinâmica da cidade oitocentista e contemporânea.

Materiais

Não aplicável

Observações

Área inventariada baseada no limite definido pelo Plano de Pormenor da Zona Histórica de Bragança.