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Aqueduto das Francesas

Aqueduto das Francesas

O ponto de interesse Aqueduto das Francesas encontra-se localizado na freguesia de Alfragide no municipio de Amadora e no distrito de Lisboa.

Arquitetura infraestrutural, barroca. Aqueduto composto por dois troços subterrâneos, aflorando a superfície num pequeno percurso, encimados por respiradouros ou clarabóias de planta quadrangular regular ou de planta circular, com coberturas de quatro águas ou em cúpula, feitas de cantaria de calcário, sendo interiormente planas ou em cúpula; possuem janelas quadradas, molduradas e gradeadas, formando capialço interno. O pequeno troço à superfície é em alvenaria de calcário, com cobertura de canhão, apresentando segmentos rasgados apenas por frestas jacentes, maioritariamente entaipadas. As galerias são abobadadas a tijolo ou cantaria com um passadiço, ladeado por uma ou duas caleiras. A mãe de água é de planta octogonal, reforçada por contrafortes exteriores com cobertura em domo, com o interior marcado por pequeno tanque circular, rodeado por bancos de cantaria. Possui, ao longo do seu percurso, várias minas, de caudais variáveis, algumas de grande extensão, com galerias de menores dimensões, com uma única caleira e cobertura a duas águas, possuindo, um ou mais respiradouros, que as assinalam exteriormente. Aqueduto que entronca no das Águas Livres, cuja construção foi morosa, atravessando todo o séc. 18 e prolongando-se, com a construção dos ramais e chafarizes, pelos início do séc. 19, sendo os troços resultado da conceção de dois engenheiros distintos, Manuel da Maia e Custódio Vieira da Silva, apresentando, contudo, uma unidade construtiva bastante grande. As zonas mais importantes, as Mães de Água e algumas clarabóias são objeto de um tratamento mais erudito e de decoração mais cuidada. A obra, pela sua conceção, envergadura e qualidade construtiva, pode ser considerada uma estrutura única no contexto da produção arquitetónica portuguesa, com soluções bastante inovadoras para a época, como atesta a opção pela construção de galerias com pé-direito à escala humana, permitindo a sua manutenção e, simultaneamente, a realização de obras numa galeria sem que fosse necessário interromper o abastecimento, através de canos de derivação, que permitem desviar a água para uma única caleira. É composto por um pequeno troço à superfície, com cobertura em domo e apresenta, ao longo do percurso, várias clarabóias, que podem ser simples ou artisticamente trabalhadas, algumas de clara inspiração barroca, com cobertura em coruchéu campaniforme, formando falsa cúpula, encimada por pináculos. A Mãe de Água podia ter sido planificada com uma dimensão unicamente utilitária, mas foi assumida como sendo a estrutura que, no conjunto, apresenta um caráter mais cenográfico e erudito, de planta octogonal, com contrafortes angulares que sustentam a cobertura em cúpula com fogaréu no remate, tendo o interior em cantaria, rodeado por bancos do mesmo material. Forma dois troços distintos, o que liga diretamente à mãe de água, com respiradouros mais barroquizantes e com galeria interna de uma única caleira, surgindo o segundo troço com respiradouros simples, semelhantes aos que assinalam o troço das Águas Livres em que entronca, mas possuindo ampla galeria, com duas caleiras, necessárias para acolher a água das várias minas que alimentam o caudal. Uma destas, que nasce à superfície, possui uma caleira ladeada por escadaria, permitindo o acesso ao exterior, tendo respiradouro circular, o único visível neste segundo troço. O acesso à galeria é feito por respiradouro retangular, com enorme pé-direito, vencido por escadaria de cantaria, com guarda em ferro, de feitura mais recente.

Aqueduto com cerca de 3 km., composto por dois troços com características distintas. O PRIMEIRO TROÇO, com cerca de 1 km de comprimento, com início na nascente, marcada por uma mãe de água, desenvolve-se em cota inferior ao terreno e é interrompido por três respiradouros circulares. A água deriva para uma GALERIA subterrânea, desenvolvendo-se para N. e infletindo poucos metros depois para E., com interior de cantaria, tendo cerca de 2 m de altura e 80 cm de largura, com cobertura em abóbada de berço e possuindo uma única caleira, um passadiço lajeado, ladeado por embasamento saliente, que sustenta a estrutura. É pontuado por seis RESPIRADOUROS em cantaria, de planta circular e cobertura em coruchéu campaniforme, rematado por pináculo, com os panos murários rasgados por quatro janelas retilíneas, protegidas por grades de ferro; no interior, apresentam cobertura em laje de cantaria. Surge, ainda, um sétimo respiradouro quadrangular, semelhantes aos do SEGUNDO TROÇO, o qual tem cerca de 2 km. de comprimento e prolonga o anterior, desenvolvendo-se para E., formando uma ligeira inflexão, até atingir o Aqueduto das Águas Livres, sendo exteriormente mais simples. Corre em linha subterrânea, exceto num pequeno percurso, em que se divisa o dorso do mesmo, em alvenaria de granito aparente, preenchida com argamassa de cimento, em forma de canhão, possuindo, sensivelmente a meio, umas escadas de cantaria que permitem descer da via pública até ao jardim que lhe fica anexo; é rasgado por janela jacente, atualmente entaipada e com moldura simples de cantaria. No INTERIOR, corre uma galeria com cerca de 2,20 m de altura e 1,33 m de largura, possuindo cobertura em abóbada de berço. Tem duas caleiras laterais, com passadiço de lajeado ao centro; equidistantemente, uma das lajes do passadiço é movível, deixando antever um canal de derivação, que permite desviar a água para uma única caleira e a limpeza da que ficou temporariamente vazia. O caudal é engrossado por várias minas, entre as quais se destaca a denominada MINA DO CIPRIANO, com acesso por uma galeria estreita, com cobertura a duas águas, levando a uma ampla escadaria, com caleira no lado esquerdo, tudo em cantaria, no topo da qual se situa um respiradouro circular com cobertura em domo, interiormente de planta lobulada e cobertura em laje de calcário, com paredes em alvenaria, rebocadas e pintadas de branco, iluminado por dois vãos retilíneos, protegidos por grades de metal e rede. No topo, uma porta de acesso ao exterior. Segue-se a mina denominada MINA DE LINHA, constituindo um caudal subterrâneo, que abre para a galeria por vão retilíneo com tanque de perfil idêntico, cujo rebordo possui uma bica que verte para a caleira N.. Sucede-se a MINA DO MONTIJO, composta por ampla galeria, com caleira central e passadiços laterais e cobertura a duas águas; junto a esta, existe uma porta entaipada, que permitia a ligação ao exterior e um respiradouro jacente. A MINA DA COSTA DA AVÓ é semelhante à anterior e a água verte, atualmente, para uma caleira de desvio para o exterior *3. Cada uma destas minas possui um respiradouro quadrangular, semelhante aos da galeria principal. Esta possui 17 RESPIRADOUROS quadrangulares, em alvenaria de calcário, rebocados e pintados de amarelo, percorridos por embasamento de cantaria e flanqueados por cunhais do mesmo material rematados em friso e com cobertura a quatro águas, também em cantaria. Cada uma das faces é rasgada por janela retangular, com moldura simples de cantaria e protegida por grades de ferro e rede, estando algumas delas entaipadas; todas formam capialço interno. No topo da Rua das Mães de Água, ergue-se um décimo oitavo RESPIRADOURO ou CLARABÓIA (denominada do Zambujal ou dos Viveiros) de planta retangular, com as mesmas características dos anteriores tendo, nas faces mais largas, três janelas, e, na virada a E., porta de verga reta permitindo o acesso ao interior da galeria, encimada por uma janela. O INTERIOR, com o primeiro piso em cota inferior à da via pública, encontra-se parcialmente rebocado e pintado de branco, possuindo amplo silhar em cantaria de calcário, em aparelho isódomo, tendo amplo pé-direito e cobertura em masseira, também rebocada e pintada, e pavimento em lajeado e é iluminado pelas janelas, que formam capialço pronunciado. Para aceder à galeria subterrânea, existem escadaria de cantaria e guarda em ferro forjado com acrotérios de cantaria, de três lanços com patins intermédios. Para cada um dos lados, um arco de volta perfeita acede à galeria, um deles em direção à nascente e o oposto ligando ao Aqueduto das Águas Livres.

Materiais

Estrutura em cantaria e alvenaria de calcário ou tijolo; argamassas de cal e areia e argamassa de cimento; modinaturas, pavimentos, caleiras, tanque, passadiço em cantaria de calcário; guardas das escadas e grades das janelas em ferro; portas metálicas.

Observações

*1 - o Decreto de 19 de Fevereiro de 2002, vem alterar a redacção do decreto de 16 de Junho de 1910, publicado em 23 de Junho de 1910 que classificava, apenas, o "Aqueduto das Águas Livres, compreendendo a Mãe de Água", passando a ter a seguinte DOF: " Aqueduto das Águas Livres, seus aferentes e correlacionados, nas freguesias de Caneças, Almargem do Bispo, Casal de Cambra, Belas, Agualva-Cacém, Queluz, no concelho de Sintra, São Brás, Mina, Brandoa, Falagueira, Reboleira, Venda Nova, Damaia, Buraca, Carnaxide, Benfica, São Domingos de Benfica, Campolide, São Sebastião da Pedreira, Santo Condestável, Prazeres, Santa Isabel, Lapa, Santos-o-Velho, São Mamede, Mercês, Santa Catarina, Encarnação e Pena, municípios de Odivelas, Sintra, Amadora, Oeiras e Lisboa, distrito de Lisboa, compreendendo, assim, todos os troços, chafarizes e mães de água, relacionados com as obras do Aqueduto das Águas Livres". *2 - a estrutura atravessa três freguesias, a de Carnaxide, pertencente ao concelho de Oeiras, a de Alfragide, pertencente à Amadora, e a zona da Buraca, já no concelho de Lisboa, optando-se por registar, na localização, o concelho e freguesia com número mais baixo. *3 - esta estrutura de interrupção deve-se à intensidade do caudal que, não sendo utilizado, levaria à total inundação da galeria, impossibilitando a sua limpeza e manutenção regulares.