Arquitectura residencial, tardo-medieval. Casa-torre de planta quadrangular, com quatro pisos abobadados, troneiras cruzetadas e remate com ameias decorativas e coruchéus cónicos. Integra apontamentos da arte manuelina característica do Alentejo. Enquadrada no grupo de construções senhoriais que constituem símbolo de apropriação do território (domus-fortis), conjugando a função residencial temporária ou permanente com características formais associadas à arquitectura militar (torre). No contexto das suas contemporâneas, é considerada o último estádio da casa forte medieval (Silva, 1995), apresentando-se como a última e mais representativa do seu universo na época manuelina. Insere-se no mesmo horizonte ideológico de alguns exemplos do Norte, como o Torre de Refóios (PT011607370044) e a Torre de Quintela (v. PT011714290003), e da mesma região alentejana, como a Torre do Esporão (PT040711040005), a Torre da Camoeira (v. PT040705090077) ou a Torre do Carvalhal (v. PT040706050026), à semelhança das quais apresenta também construções anexas. A torre encontra-se dividida em dois eixos horizontais, bem assinalados no pano exterior dos muros e é rematada por seis coruchéus cónicos, sendo um deles o remate de uma escada em caracol. Apresenta uma dimensão maior e mais magnificente do que as demais que seguem o mesmo tipo arquitectónico. Nicho na fachada SE. com esgrafitos de losangos laterais e cálice rodeado de estrelas no centro. Apesar da sua aparência defensiva, possui maior fenestração relativamente a qualquer outro edifício semelhante, conferindo-lhe maior semblante residencial. Encontram-se vestígios de um aparente adossamento de varanda ao nível do segundo piso. Fachada com proporção de raiz quadrada de dois mais um.
Torre senhorial de planta centralizada quadrada, simples. O corpo principal definido por volume paralelepipédico, com alçado na proporção de raiz quadrada de dois mais um, está dividido em dois eixos horizontais, bem assinalados no pano exterior dos muros, e rematados por cornija. O primeiro corresponde ao piso térreo e segundo piso e o segundo aos terceiro e quarto pisos. O volume sofre um ligeiro estreitamento da base até ao topo, onde é rematado por ameias decorativas e 6 grandes coruchéus cónicos em tijolo e taipa assentes em base circular com cachorros e matacães. As quatro fachadas apresentam fenestração em alinhamentos segundo um eixo de simetria vertical e vários orifícios quadrados dispersos. A fachada SE., aparentemente a principal, apresenta o maior número de aberturas, tem, no piso térreo, uma porta de ferro com lintel recto e duas frestas de enxalço profundo com gradeamento; no primeiro piso, dois vãos de janela rectangulares com gradeamento e entre eles um nicho com moldura e arco canopial com uma flor lavrada no tímpano; no segundo piso, um vão de janela e um de porta em arco abatido; e, no terceiro piso, dois vãos de janela do mesmo tipo. A fachada NE. encontra-se adossada às construções anexas e corresponde à zona de menor cércea, por se localizar em cota mais elevada; aqui apenas se encontram aberturas relativas a três registos, todas elas centradas e alinhadas no pano murário: primeiro registo com vão de porta rectangular e pequena escadaria exterior de acesso ao interior da torre, segundo registo com porta equivalente e terceiro registo com vão de janela em arco abatido. A fachada NO. apresenta embasamento em declive e, em termos de aberturas, tem duas canhoneiras assimétricas a nível do piso térreo, dois vãos de janela rectangulares com gradeamento de ferro no primeiro piso, um vão de porta e um vão de janela em arco abatido no terceiro registo e dois vãos de janela do mesmo tipo no quarto piso. A fachada SO. é a que tem maior cércea e apresenta uma abertura centralizada por cada piso, possuindo, do piso térreo para o terceiro piso: canhoneira, vão de janela rectangular com gradeamento, e dois vãos de janela em arco abatido. O remate apresenta a SE. cinco ameias, a SO. três, a NE. cinco (apenas do lado direito) e a NO. não tem nenhuma. As fachadas SE. e NE. são também rematadas por um coruchéu centrado, mas, no caso da primeira, este encontra-se integrado no espaço cimeiro do terraço e, no caso do segundo, apresenta-se projectado para o exterior e apoiado em base circular de quatro cachorros e três matacães. INTERIOR: dividido em quatro pisos separados por coberturas abobadadas, sendo atravessado verticalmente por, pelo menos, duas chaminés para saída de fumo das diversas lareiras. Primeiro, segundo e terceiro pisos constituídos por cinco dependências abobadadas, sendo a área a NO. um espaço amplo abobadado com três tramos no primeiro piso, cinco no segundo e quatro no terceiro. Acesso vertical do segundo piso para o terceiro através de escada de dois lanços no ângulo SE. O segundo piso tem amplo salão, provavelmente um salão nobre, coberto por abóbada de cruzaria de ogivas com arco toral abatido, com vasto fogão de chão, e divisões contíguas; terceiro piso com configuração similar mas com acessos entaipados, integrando escada em caracol de acesso ao terraço no centro da área SE. Todas as chaves e mísulas das abóbadas apresentam bocetes com ornamentos de carácter manuelino, como cruzes da Ordem de Cristo e motivos vegetalistas e geométricos diversos, tais como bolas, espirais, círculos concêntricos, entre outros que, devido ao estado de degradação, não são identificáveis. Apresenta vestígios de pavimento interior em tijoleira e orifícios quadrados nos paramentos externos.
Materiais
Alvenaria e cantaria de granito, tijolo, ferro, cal.
Observações
Muitos dos vãos em arco abatido perderam já a pedra de fecho. Alguns autores, como José Custódio Vieira da Silva (1995) e Correia Lopes (1991), defendem que terá sido D. Nuno Manuel que ordenou a construção da casa. A fachada principal deverá ter sido a orientada a SE., uma vez que apresenta um nicho onde poderá ter figurado um brasão de armas. Pode conjecturar-se, por motivos de simetria, que as fachadas NO. e SO. também tivessem tido coruchéus ao centro. A torre poderá ter sofrido um incêndio desencadeado por um raio durante o séc. 20.