Espaço verde de produção agrícola / Espaço verde de recreio. Quinta de Recreio sesicentista, cuja componente de recreio se expande pelas zonas de produção pela presença de latadas, caramanchões e bancos e pelas relações visuais estabelecidas entre elas. O modo como o relevo foi explorado para compensar os desníveis, criando patamares cuja ligação foi resolvida técnicamente sem compromisso das áreas de produção e da área de enquadramento do edifício. A componente de recreio expande-se para a zona de produção pela presença de elementos pontuais, como as latadas, os caramanchões e os bancos.
Quinta cercada por um muro, espraia-se por uma encosta exposta a N. (bastante declivosa), ocupando o vale estendendo-se pela encosta virada a S. (mais suave). A localização geográfica, fisiográfica e a necessidade de rega determinam toda a organização do espaço. Na encosta virada a N. encontra-se o SOLAR e suas ÁREAS ADJACENTES (terreiro com fonte coberta de planta circular, capela e assento de lavoura), a área de JARDIM, e as sete nascentes que alimentam o TANQUE DE NEPTUNO (assim chamado por se encontrar em espaldar uma peça escultórica de gosto "naif"). Por apresentar uma pendente acentuada, a encosta organiza-se em terraços, o primeiro ocupado pelo terreiro e o edifício, o segundo pelo JARDIM DE BUXO / JARDIM MIRADOURO (dividido pelo lance de escadas que une o primeiro e terceiro patamares) de onde se podem desfrutar óptimas vistas e percepcionar grande parte da quinta, o terceiro o TANQUE DE NEPTUNO (este elemento estende-se no patamar sob o edifício, reflectindo-o e, apesar de estar num espaço social, é responsável pela rega em todo o espaço de produção) e o JARDIM DAS NESPEREIRAS; neste patamar destaca-se um maciço denso de vegetação exótica que lhe dá um carácter mais intimista. A ALAMEDA DOS LOUREIROS e o novo JARDIM DE BUXO constituem o quarto patamar. Vale cortado pela ribeira, ocupado pela horta retalhada por caleiras e pela rede de caminhos associada ao sistema de distribuição da água, polarizada pelo CARAMANCHÃO DAS GLICÍNIAS que se situa sobre o centro geométrico, definido pelo eixo que atravessa transversalmente toda a propriedade (que permite o acesso directo a todas as áreas funcionais da quinta, correspondendo ao antigo acesso da quinta), e pelo eixo que acompanha todo o vale no seu sentido longitudinal (correndo paralelamente à ribeira). Com início no primeiro patamar desenvolve-se um eixo de sentido E. / O., cujo término é na extrema O. da propriedade, junto ao CARAMANCHÃO DAS ROSAS, em todo ele se encontra um conjunto de arquitecturas de prazer e produtivas como: JARDIM DO LABIRINTO (parte integrante do edifício), TANQUE DAS HORTALIÇAS e PÉRGOLA DA MEIA LARANJA. A encosta exposta a S. é ocupada por extenso olival e montado. Quanto aos pavimentos, são utilizados materiais mais nobres na área envolvente à casa, onde a componente de recreio é mais forte. Com a aproximação ao espaço de produção evidencia-se o predomínio de materiais mais típicos da região (granito e barro). As caleiras, construídas em alvenaria e capeadas com lajes de tijoleira, são um elemento importante na definição da estrutura da quinta, surgem como elementos definidores das divisões entre a maioria dos patamares. As latadas são revestidas com videira, sendo o seu objectivo a produção e o ensombramento; surgem no tanque da roupa, no tanque das hortaliças e no pátio da caseira. A zona de mata, mais pobre em água, envolve todo o conjunto e é constituída por olival e por montado de sobro e de azinho. Ao longo dos percursos da quinta encontram-se bancos, de diferentes tipologias e com formas e materiais diversificados.
Materiais
INERTES: Alvenaria; tijolo (sistema hídrico)
Observações
A quinta fez parte da herdade com o mesmo nome, estando-lhe ligada fisicamente. Outrora a quinta foi extremamente rica no que respeita à vegetação.