Arquitectura residencial, renascentista, manuelina, mudéjar, maneirista, barroca e neoclássica. Paço Ducal. Porta dos Nós decorada com elementos vegetais pertencentes à gramática do manuelino; apresenta grande semelhança com o portal da Igreja do Convento do Carmo de Évora (v. PT040705210094), que primitivamente pertencia ao Paço dos Duques de Bragança, embora a porta calipolense possua um caráter mais vernacular. Os azulejos de Talavera de la Reina existentes na Sala do Gigante são os únicos do género ainda implantados no local para onde foram concebidos, após a destruição do núcleo de Guadalajara, durante a Guerra Civil de Espanha. Segundo a legenda transcrita por Frei Manuel Calado no Séc. 17, "depois de vós, nós", que ainda existiria na Porta dos Nós, os três nós simbolizam a posição da Casa Ducal em relação à Casa Real, entendendo-se esta última palavra nos dois significados que lhes correspondem de substantivo e de pronome.
Planta irregular, composta por um grande corpo de planta rectangular estruturado por eixo disposto no sentido E. - O.; com três pisos, um térreo e dois nobres, e um corpo de planta trapezoidal irregular, estruturado por um eixo N. - S. *2. Cobertura diferenciada para cada um dos corpos, em telhados de 4 águas para o primeiro e diversificada, segundo os elementos constituintes para o segundo. A fachada principal, integralmente revestida de silharia e cantaria em mármore róseo de Estremoz, dispõe-se em três registos verticais, correspondendo aos respectivos pisos, e três horizontais, definidos por um tramo central de frontão triangular, onde se rasgam os dois pórticos principais. É rasgada por fiada de vãos rectangulares e esquadriados num ritmo harmonioso de padrão clássico, alguns de frontão semicircular e cornijas profundamente molduradas, com correspondência absoluta em cada registo vertical. Pilastras e arquitraves, definem os tramos verticais e horizontais, definindo a área dos vãos, conferindo a toda a composição grande sobriedade e classicismo. INTERIOR: Acesso principal através de vestíbulo onde se encontra a escadaria nobre, em mármore, com as paredes cobertas com marmoreados e pintura mural representado a Tomada de Azamor. Destacam-se diversas salas, nomeadamente, a Sala das Tapeçarias, com silhar de azulejos seiscentistas, de padrão, policromos a azul e amarelo, com lareira em mármore branco, pavimento em tijoleira e cobertura abobadada, com pintura fitomórfica. A Sala do Gigante possui um tecto pintado a fresco e um silhar de azulejos seiscentistas figuartivos, policromos a azul e amarelo. O Oratório da Duquesa possui tecto pintado a fresco com brutescos. Sala de Medusa, com tecto pintado a fresco, paredes decoradas por silhar de azulejos seiscentistas de Talavera de la Reinam, policromos a azul e amarelo, e uma lareira em mármore branco e cinzento, com as armas dos Duques de Bragança. A Sala de D. Duarte possui tecto pintado com motivos fitomórficos e pavimento em tijoleira. A Sala dos Duques ou dos Tudescos é o salão nobre e a maior do paço, com tecto decorado com caixotões representando os 17 duques até D. José I e os pais do 1º Duque e Duquesa. Sala das Virtudes, com tecto artesoado, com caixotões pintados com as sete virtudes teologais e morais, a salientar a Fé, a Esperança, a Caridade, a Prudência, a Justiça, a Fortaleza, a Temperança e a Sapiência. Sala de Jantar, com tecto de masseira pintado com apainelados e medalhões, decorados com motivos clássicos e mitológicos. As suas cinco portas comunicam com o fronteiro Jardim das Damas. A capela, ou Sala dos Paramentos ou dos Órgãos apresenta cobertura em abóbada de berço, com caixotões pintados por brutescos. Pavilhão da Música, com tecto em madeira pintada, com silhar de azulejos seiscentistas, figurativos, policromos a amarelo, azul, verde e vermelho, assinados FIAB, com representação da história de Tobias, com as armas dos Duques de Bragança. Existem ainda outras salas dignas de destaque, tais como a Sala D. Duarte, Sala D. Fernando II, Sala do Século 17, Sala da Restauração, Sala de Hércules, Sala Dourada ou da Duquesa, por ter sido os aposentos de D. Catarina, mulher do 6º Duque, Sala da Cabra Cega, Sala Indo-Portuguesa, Sala das Loiças, Sala dos Vidros, Sala dos Reis, Armaria, a ala dos Quartos Novos, onde se situam os aposentos reais e o gabinete de trabalho do rei, diversas ante-câmaras e corredores de circulação. Na proximidade da cozinha localizam-se os fornos, as adegas, capoeias e vários armazéns. Nos jardins encontram-se as antigas cocheiras e cavalariças reais.
Materiais
Alvenaria, silharia e cantaria de mármore, granito, pedra, ferro.
Observações
* 1 - conjunto formado pelo Paço Ducal, Igreja dos Agostinhos e Igreja e Claustro do Convento das Chagas; *2 - o primeiro corpo corresponde à monumental fachada edificada por D. Teodósio e o segundo ao paço primitivo do Duque D. Jaime I.