Cerca urbana gótica, de traçado circular, com muralha rematada por ameias e duas portas flanqueadas por cubelos quadrangulares. Torre de menagem de planta quadrada adossada ao corpo da muralha, cujo perímetro inclui a torre sineira e a igreja matriz situada no centro do recinto. Paço senhorial integrado na cerca e adossado à torre de menagem, apresentando planta quadrangular com três áreas distintas: corpo da guarda, pátio de armas e habitação dos alcaides. Enquadra-se na campanha de fortificações da época de D. Dinis no Alto Alentejo e insere-se na rede territorial do ducado de Bragança, localizando-se na proximidade de outros castelos da mesma casa, como Evoramonte (PT040704040002) e Vila Viçosa (PT040714030002). Apesar da licença para construir um castelo, explícita na doação de D. Afonso II, não se encontram vestígios arqueológicos de qualquer estrutura defensiva desta época. Ao contrário do que é comum na fortificação gótica alentejana, o castelo de Arraiolos apresenta torreões de secção quadrada e não semicircular. A zona habitacional do paço dos alcaides possui uma torre semicircular (voltada para O.) à qual ainda não se atribuiu uma função. Ao lado da torre de menagem, onde se observa a muralha fendida, é possível que tenha existido uma barbacã. A cerca e o castelo constituem os únicos trabalhos atribuídos a João Simão.
Conjunto com articulação visual de duas estruturas fortificadas - cerca muralhada e castelo / paço dos alcaides - que integram torre de menagem, torre do relógio, um acesso, duas torres semicirculares e duas quadradas. Ao centro do recinto intramuros, encontra-se a igreja do Salvador (v. PT040702010031), antiga matriz da vila, erguendo-se num dos pontos mais elevados. CERCA: recinto muralhado de planta quase totalmente circular com a zona SO. ligeiramente mais recta, acompanhando a irregularidade do terreno. Possui na zona O. a Porta de Santarém, orientada na direcção da mesma cidade, flanqueada por dois cubelos de planta quadrada e constituída por vão em arco quebrado no lado exterior e arco abatido no lado interior. É composta por muralhas em alvenaria e ameias quadrangulares largas no topo. Dois lances de escada adossados ao muro dão acesso ao adarve, que circunda toda a muralha, ascendendo no sentido S.-N. Ao longo de todo o perímetro de muralha, podem encontrar-se seteiras, quer no muro, quer nas próprias ameias. Para além da Porta de Santarém, a muralha encontra-se interrompida na secção SE. junto à Torre de Menagem, onde se encontraria anteriormente a Porta da Vila. Na mesma zona, um pouco mais na orientação E., está a Torre do Relógio, de planta quadrada, inserida no muro pela face O. Encontra-se rebocada e caiada de branco, contrastando com a alvenaria de pedra à vista e é rematada por um coruchéu cónico rodeado por quatro pináculos, também cónicos, de menores dimensões e pintados de azul claro. No registo superior desta torre, encontram-se quatro olhais com ombreiras chanfradas também pintadas a azul claro. Na face voltada para extra-muros, encontra-se um relógio circular com friso pintado da mesma cor e fundo negro, do qual parte uma antena. Ainda na mesma face, na zona da base, existe uma porta de alumínio verde. A torre tem também acesso a partir do recinto interior, através de escadaria de cinco degraus, que parte do adarve, ligando à face N. da torre. CASTELO / PAÇO DOS ALCAIDES: encontra-se inserido no paramento S. da cerca, ligado ao resto da muralha através do adarve. Planta quadrangular, com saliência no muro de um dos lados, integrando torre de menagem de base quadrada e duas torres semi-circulares, elementos esses muito arruinados. É composto por três áreas distintas: corpo da guarda, pátio de armas e habitação palaciana dos alcaides. O corpo da guarda encontra-se a N. do Paço, tem planta rectangular e acesso por vão em arco quebrado na da fachada E., ao lado do qual se encontra uma abertura arruinada indefinida. Apresenta, ao nível superior, cinco orifícios quadrados, três dos quais se encontram a um nível superior, onde poderão ter sido utilizados para armas de fogo. Na face S. tem um outro vão em arco quebrado de acesso directo ao pátio de armas. O pátio de armas é constituído por um recinto amplo, adjacente à zona habitacional palaciana na zona S. e possuindo adarve em todo o perímetro. No cunhal NO., apresenta uma torre semicircular com entrada através de um vão aberto no muro O. do pátio, da qual restam dois registos, sendo o primeiro abobadado e o segundo ameado, e ostentando uma seteira cruzetada e canhoneiras orientadas para o recinto intramuros. Apresenta vestígios de compartimentação ao nível do muro e do solo, quer na zona N., quer na SO. No cunhal NE. encontram-se vestígios de uma torre circular arruinada, permanecendo apenas uma concavidade com vestígios de abobadamento em tijolo. A zona SO. do pátio mostra uma saliência no muro O. e vestígios de compartimentação no seguimento da mesma. Esta área apresenta, numa das ameias do paramento S., uma inscrição medieval (conjectural) com vestígios de ter sido deslocada. Na zona S., junto à zona habitacional, pode ver-se uma plataforma em cimento com degraus no mesmo material. A zona habitacional palaciana encontra-se em estado geral de ruína, apresentando vestígios de dependências. Encontram-se, nesta zona, três compartimentos: um na zona O., apenas com vestígios da parede S. e com duas ligações: uma ao pátio de armas, através de vão rectangular no exterior e em arco abatido no interior inserido na parede N.; e outra com acesso à dependência a E. semelhante ao vão anterior. Este segundo compartimento possui planta em "L" e apresenta vestígios de dois registos. Na parede O. apresenta, ao nível do piso térreo, uma canhoneira, uma seteira cruzetada e um vão de porta em arco abatido ladeado por um vestígio de embasamento de portal em tijolo; ao nível do segundo piso, encontra-se um outro vão de janela em arco abatido; no topo, na parte exterior da parede O., apresenta um anterior encaixe de sobrado. A parede N. desta dependência é constituída por um troço de muralha do castelo, tendo na área E. um embasamento elevado de função incompreensível que vai até ao nível do primeiro piso e do adarve da secção de muralha que aqui passa. Na parede N., ao nível do primeiro piso e à esquerda do bloco maciço, encontra-se um vão de acesso ao pátio de armas com moldura de tijolo. A E., encontra-se uma torre semicircular ameada, orientada na mesma direcção, com seteiras longas distribuídas pela sua superfície; tem a zona plana do semicírculo na face O., onde apresenta duas reentrâncias verticais que deverão constituir vestígios de encaixes de paredes. A parede S. encontra-se em avançado estado de ruína, apresentando apenas uma seteira a nível do piso térreo e vestígios de uma ameia no topo. Da parede E. existem vestígios perto do embasamento elevado. Ao lado da torre de menagem, onde hoje se encontra a fenda na muralha, é possível que tenha existido uma barbacã. A E. da zona de habitação encontra-se a torre de menagem, de planta quadrada e desenvolvida em quatro registos, encontrando-se implantada na área SE. do paço dos alcaides, embutida no paramento de muralha S. e no muro E. do pátio de armas. A área que antecede verticalmente o primeiro piso aparenta ser maciça. A fachada N. apresenta, no primeiro registo, uma porta ao nível do adarve do muro do pátio de armas e com ligação ao mesmo. Na fachada O. encontra-se, uma mísula granítica a nível do primeiro piso, um vão de porta quadrangular com moldura em tijolo e vestígios de um arco em tijolo imediatamente abaixo da porta no segundo piso, e, no terceiro piso, uma mísula e duas seteiras. Na fachada S. pode ver-se um vão de janela rectangular com moldura de granito ao nível do terceiro registo. A fachada E. não apresenta qualquer rasgamento e a zona entre a torre de menagem e o paço habitacional apresenta uma secção de muro arruinada.
Materiais
Alvenaria de pedra, silharia de granito da região nos cunhais e elementos de reforço; cimento.
Observações
Segundo Sandra Paulo (2007, p. 25), a altura da entrada para a torre NO. do pátio de armas demonstra que o solo estaria a um nível mais elevado. O bloco maciço existente na zona palaciana poderá ter constituído uma torre flanqueante de uma porta possivelmente existente na área destruída a E. do paço e a O. da torre de menagem. As duas reentrâncias existentes na face O. da torre semicircular da área palaciana aparentam demonstrar, em conjunto com o adarve da parede N. da dependência, que ali terá existido um corredor. Terá, provavelmente, existido uma dependência na área O. da habitação, no local que tem ligação para o pátio de armas e para a zona habitacional devido à natureza desses dois vãos que, sendo bastante amplos e tendo configuração de portas simples, não poderiam servir de ligação ao exterior de uma muralha. Não existem dados suficientes para considerar a inscrição medieval autêntica. *1 - segundo Cunha Rivara (cit. por Carreira, 1995), a possível carta de foral de 1290 pode ter sido confundida com uma carta de aforamento do reguengo de D. Dinis no termo de Arraiolos; *2 - na ocasião da estadia do rei em Arraiolos em 1379, este recebeu várias queixas dos habitantes acerca de vexações por parte do governador da vila, sobretudo ao nível da aposentadoria, o que levou o rei a escrever a Carta de Composição entre os seus moradores e D. Álvaro Pires de Castro, documento de compromisso a favor da população que o alcaide assinou; *3 - a concessão do título de alcaide-mor a Perdo Zuzarte foi feita em agradecimento da denúncia feita pelo fidalgo do duque, avisando a corte de propósitos infiéis por parte do seu amo; *4 - trágico episódio da morte do cavaleiro Diogo Gil Magro, que foi assassinado depois do assalto à cidadela pelos fidalgos de Évora da família Mendes de Vasconcelos.