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Tribunal do Santo Ofício de Évora

Tribunal do Santo Ofício de Évora

O ponto de interesse Tribunal do Santo Ofício de Évora encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Évora (São Mamede no municipio de Évora e no distrito de Évora.

Arquitectura judicial, chã. Antigo edifício do Tribunal e Palácio do Santo Ofício de Évora de volumetria simples e articulada, funcional e de grande austeridade e sobriedade construtiva, característica do estilo chão e patente em toda a obra de Mateus do Couto, arquitecto que, no período de construção deste imóvel, seria o arquitecto-mor das Inquisições do Reino. A planta original seria rectangular com pátio interior rectangular envolvido pelas alas onde se encontravam os cárceres inquisitoriais, estes acedidos através de estreitos corredores*1. Fachadas com cunhais, pilastras, frisos e molduras de vãos em cantaria granítica, com três linhas de rasgamento de vãos, emoldurados a cantaria, com repetição dos mesmos em cada linha segundo uma mesma rítmica e dispostos hierarquicamente com janelas simples com gradeamento no piso térreo, janelas de varandim no andar nobre, e janelas simples e de jacente nos piso superior. O portal principal seria antecedido por alpendre aclaustrado, de planta quadrangular, assente sobre colunas. Espaços interiores organizados segundo corredores de acesso às várias salas. Traço semelhante ao que encontramos em outras obras de Mateus do Couto, nomeadamente os seus colégios jesuítas de Portalegre (v. PT041214080101) e Elvas (v. PT041207010024). O imóvel compreendia duas partes distintas: o palácio dos inquisidores e o tribunal, abarcando este último a Sala dos Julgamentos, a Sala do Secreto, os cárceres, os cárceres de vigia.

Planta irregular descrevendo um F onde o espaço entre os segmentos curtos é preenchido por volume edificado térreo. Volumes articulados e dispostos na horizontal em três pisos em todos os corpos e de um piso no corpo atrás referido. Cobertura diferenciada em telhados de 4 águas no corpo mais comprido e de 3 águas nos restantes, e em terraço sobre o corpo de um piso. Fachadas rebocadas e caiadas, com cunhais, frisos e molduras de vãos em cantaria de pedra granítica. Fachada principal a SE., simétrica, delimitada por cunhais em cantaria, embasamento e cimalha em alvenaria pintada a amarelo e remate recto em beirado; três linhas de rasgamento de 11 vãos cada, dispostos de forma ritmada: a inferior com portal principal no 6º vão com moldura em cantaria e dupla verga recta delimitadas por duas cornijas, com inscrições na verga superior; duas portas com moldura simples em cantaria no 4º e 8º vãos e janelas quadradas com moldura em cantaria e gradeamento nos restantes vãos; linha de rasgamento intermédia com 11 janelas de varandim idênticas, com molduras em cantaria e guarda em ferro forjado; ao nível das pedras soleiras destas janelas passa, em toda a extensão desta fachada e das restantes, um friso em cantaria; linha de rasgamento superior com 11 janelas rectangulares idênticas, com moldura em alvenaria pintada a amarelo. Fachada NE. delimitada de forma semelhante à anterior, apresentando a mesma disposição de vãos, com duas janelas de varandim e duas janelas rectangulares no registo superior ao friso mas sem abertura de vãos no registo inferior. Num plano mais recuado e à direita desta, apresenta-se a fachada NE. de um dos corpos mais curtos, sem embasamento e com remate em beirado sobre cimalha, sendo delimitada por cunhal de cantaria à direita e dividida em dois tramos por pilastra saliente em cantaria; no primeiro tramo, o mais estreito, abre-se inferiormente porta com moldura simples em cantaria e superiormente, segundo um eixo vertical, janela de varandim e janela rectangular idênticas às anteriormente descritas; segundo tramo com três janelas quadradas idênticas às da fachada principal, sendo a terceira encimada por outra janela igual, embora sem o gradeamento; ainda neste tramo e acima do friso, abrem-se três janelas rectangulares da sequência das que se verificam para a linha superior das anteriores fachadas. Fachada SO. delimitada por cunhal à esquerda e remate em beirado sob cimalha; dividida em dois registos pelo friso, sendo o inferior desprovido de vãos e o superior com duas linhas de rasgamento de vãos: a inferior com 5 vãos dispostos desordenadamente correspondendo, da esquerda para a direita, a duas janelas de varandim idênticas às anteriores, e a fresta com larga moldura reentrante e ladeada por duas janelas quadradas com moldura em cantaria e gradeamento; acima abrem-se três janelas rectangulares semelhantes às superiores das anteriores fachadas, sendo apenas a da esquerda provida de gradeamento. Fachada NO. do corpo maior delimitada à esquerda por cunhal, sem embasamento e rematado por beirado sobre cimalha em alvenaria pintada de amarelo; inferiormente rasgam-se 4 janelas idênticas às inferiores da fachada principal e acima do friso abrem-se 4 janelas de peitoril com moldura em cantaria e, numa linha superior, as já descritas janelas rectangulares. Num plano mais avançado e à direita desta última, apresenta-se a fachada NO. de um dos corpos mais pequenos, sendo esta delimitada por cunhais de cantaria e rematada por beirado sobre cimalha; no registo inferior definido pelo friso, abre-se duas janelas quadrangulares iguais às da fachada anteriormente descrita e uma porta com moldura simples; superiormente abrem-se três janelas rectangulares idênticas às das demais fachadas. Ainda à direita deste corpo, após o corpo térreo, apresenta-se a fachada NO. do outro corpo pequeno, sendo delimitado da mesma forma do que o antecedente, abrindo-se no entanto duas janelas de varandim sobre o friso e duas janelas rectangulares sobre estas. Terraço com pavimento cerâmico, rasgado por 4 amplas clarabóias, com três alçados e com muro a NO.; alçado SE. rematado por beirado sobre cimalha, apresentando duas portas com moldura simples em cantaria encimadas por duas janelas rectangulares com moldura em cantaria pintada a amarelo; alçado NE. delimitado pelo mesmo remate em beirado e com cunhal de cantaria à esquerda, sendo o pano deste rasgado por uma porta idêntica às do primeiro alçado; alçado SO. idêntico ao alçado NE. abrindo-se no entanto duas portas. INTERIOR: Acesso principal pelo portal da fachada SE., comunicando directamente para vestíbulo. Vestíbulo com pavimento em pedra e cobertura em caixotões em estuque, com alçado anterior com portal resguardado por guarda-ventos em vidro, ladeado por duas janelas que iluminam o interior; alçado posterior precedido por arcada composta por três arcos de volta perfeita em cantaria, sendo o central o mais alto e confrontante com o vão de acesso às escadaria, também este com arco de volta perfeita à entrada; a ladear este último vão encontram-se duas portas de acesso a dependências, enquanto nos extremos da galeria criada pela arcada abrem-se dois vãos, sendo o que fica no extremo NO. aberto para o exterior; alçados laterais simétricos, repetindo a mesma arcada do alçado posterior, embora esta seja endossada ao pano mural, sendo o arco central fechado e os laterais rasgados por vão de acesso a outras salas. Ainda no piso térreo, a O., ampla sala sob o terraço, iluminada pelas clarabóias, e com dois janelões com moldura em cantaria e gradeamento de ferro forjado no alçado SO., sendo estes abertos para um estreito corredor de cobertura em abóbada de berço comunicante com vários pequenos compartimentos, com pavimento cerâmico e abóbada de berço, e parcamente iluminados por uma pequena fresta aberta para o exterior. Acesso aos pisos superiores através de uma larga escadaria em pedra granítica, com dois lanços dispostos em sentidos opostos e um patamar de descanso por cada mudança de piso, iluminado por janelas em dois alçados, correspondendo este espaço a um dos corpos curtos constituintes da volumetria edificada. Pisos superiores com disposição semelhante, apresentando de frente para a escadaria uma sequência de três vãos, situados, em termos de corte de planta, sobre a arcada do piso térreo, adoptando-se no primeiro piso a configuração destes em arco de volta-plena enquanto no último piso é adoptado a verga recta. Estes vãos abrem-se para um corredor de acesso às restantes dependências, todas estas de pavimento em soalho de madeira, paredes rebocadas e pintadas de branco. SALA DOS JULGAMENTOS: situada no primeiro piso, de planta rectangular e com pé direito alto, irrompendo os dois pisos superiores, pavimento em soalho de madeira, lambril de azulejos envolvente, e cobertura em madeira com as insígnias da Inquisição ao centro; sala iluminada por três alçados através de janelas de varandim, sendo este espaço correspondente a um dos corpos curtos do imóvel; no alçado NO. abre-se a boca de uma lareira, emoldurada a cantaria e fechada por portadas em madeira. SALA DO TECTO PINTADO: situada no último piso, de planta rectangular, com pavimento em soalho de madeira, paredes pintadas e rebocadas, e tecto em madeira com pinturas com elementos vegetalistas, sendo este espaço iluminado por uma pequena janela.

Materiais

Alvenaria rebocada e caiada nos alçados; pedra em cantarias, cunhais, pilastras, arcadas do vestíbulo e escadaria; pavimentos de pedra e madeira; azulejos na Sala Grande do Despacho; cobertura exterior em telha cerâmica; cobertura interior em masseira na Sala Grande do Despacho e em outra sala; madeira em portas e caixilhos; ferro em guardas de varandas.

Observações

*1 - assumindo à partida que as plantas de Mateus do Couto, guardadas na Torre do Tombo, correspondem ao projecto efectivamente realizado, podemos concluir que foram profundas as remodelações e as destruições que este imóvel sofreu até aos nossos dias; verifica-se a destruição de duas alas do antigo pátio de acesso aos cárceres, e todo o corpo que se extendia até ao Templo Romano.