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Santuário do Senhor da Serra

Santuário do Senhor da Serra

O ponto de interesse Santuário do Senhor da Serra encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Semide e Rio Vide no municipio de Miranda do Corvo e no distrito de Coimbra.

Capela eclética, tendência facilmente intuída pela justaposição de apontamentos estilísticos de diversas épocas, como o bizantino, o românico, o gótico e o renascimento, exemplificado no portal românico em gablete gótico, portais laterais góticos ou contrafortes escalonados. O interesse da capela é resultado de actividades artificinais, desenvolvidas em Coimbra na transição do séc. 19 - 20, na Escola Livre das Artes do Desenho. Retábulo principal de madeira inspirado no da Sé Velha de Coimbra, da autoria de António Augusto Gonçalves, sob a direcção do mestre João Machado. Os altares colaterais barrocos de colunas torsas e adaptados, pertenceram à demolida igreja da Misericórdia de Coimbra. Púlpito seiscentista veio da Sé Velha.

Planta composta, regular, em cruz latina, volumetria articulada de predominante horizontal. Coberturas diferenciadas, em telhado de duas águas na nave central, cruzeiro e transepto, e de quatro águas na ousia. Fachada principal a E., com embasamento saliente, composta por três panos divididos pela volumetria dos diferentes elementos que a constituem, e quatro pisos definidos em altura por frisos e escalonamento de volumes, apresentando no primeiro registo um portal de duas arquivoltas, englobado num gablete saliente, ladeado por duas frestas em volta perfeita. Acima do gablete desenvolve-se a torre, com janela de volta perfeita no seu primeiro registo, com dois lumes separados por mainel com capitéis, e dois óculos. O terceiro registo apresenta quatro janelas em volta perfeita, com colunelos capitalizados. O último registo é octogonal e tem a função de sineira, abrindo-se também quatro vãos, que albergam outros tantos sinos, sendo coroado por zimbório pétrio terminando em agulha. O alçado N. apresenta quatro panos limitados por cinco contrafortes com ligeiro escalonamento, tendo dois pisos definidos pela linha da fenestração. No primeiro registo rasgam-se três frestas, sendo duas em volta perfeita e a outra rectangular; no terceiro pano abre-se um portal composto por um arco apontado, de impostas salientes e arquivolta com toro circular, ao qual se acede por quatro degraus. O segundo registo tem uma janela de portada a pleno centro com varandim pétreo assente em mísulas. Ao lado, duas frestas a pleno centro complementam a fenestração. O alçado S. apresenta idêntica disposição. A capela-mor é poligonal, com embasamento saliente acima do qual se definem cinco panos organizados em dois registos, apresentando o superior, janelões de volta perfeita que iluminam o interior. O transcepto apresenta pano único, definindo dois registos marcados pela linha da fenestração e portal, ao qual se acede por seis degraus. INTERIOR de espaço único, diferenciado, iluminado por vinte e dois vãos de diferente formato. Nave única conduzindo ao cruzeiro e capela-mor, desenvolvendo-se em dois andares, divididos pela linha de fenestração, correspondendo à organização do alçado exterior. Altar-mor com retábulo em madeira tendo ao centro a imagem do Santo Cristo, crucifixo de pedra com inscrição na base: 1704 e R(eforma)do 1862,; retábulos colaterais de colunas torcidas, tendo o da direita a escultura do Salvador, e o da esquerda uma "Pietá". No corpo da nave púlpito oriundo da Sé Velha de Coimbra Cobertura em abóbada na nave e capela-mor.

Materiais

Alvenaria, pedra, vidro, vitral, madeira, telha, ferro, azulejo.

Observações

*1 -A povoação que envolve o Santuário teve a sua origem na devoção regional ao Santo Cristo de Semide, que atraíu populações que ali se fixaram desde o Séc.17. A história deste santuário está intimamente realcionada com a do mosteiro beneditino de Santa Maria de Semide do qual dependia, de devoção anual de 15 a 23 de Agosto.