Arquitectura religiosa, manuelina, maneirista, barroca e revivalista neomanuelina. Mosteiro feminino, de Clarissas Xabreganas, adaptado a um percurso museológico, de fundação manuelina, de que restam alguns elementos, como a torre sineira e respectiva decoração e revestimento de azulejos do coruchéu de uma segunda torre, com reforma maneirista, dando origem a uma igreja de planta longitudinal simples, com nave, pequeno cruzeiro e capela-mor de pequenas dimensões, antecedida por coros, com amplo claustro adossado ao lado esquerdo, quadrado e de dois pisos, o inferior composto por arcadas e coberturas em abóbada de aresta, sendo o superior arquitravado e suportado por pequenas colunas toscanas, com cobertura de madeira. A igreja recebeu decoração barroca, tendo cobertura de masseira na nave, com caixotões pintados, em abóbada na capela-mor, com elementos de talha e em falsa cúpula no cruzeiro, com retábulos de talha joanina e rococó, tendo, nas paredes, azulejos figurativos, azuis e brancos, encimados por telas pintadas com molduras de talha. No lado da Epístola, o púlpito, rococó, com profusa decoração e acesso pelo interior do muro, a partir da nave, surgindo, no lado oposto, a tribuna real, com decoração de talha rococó. No lado do Evangelho, a sacristia, com arcaz de duplo espaldar, o inferior mais sóbrio e o superior rococó. Os coros são profusamente ornados por azulejo e talha, destacando-se o do segundo piso, com cadeiral de pau santo, dois altares laterais e telas pintadas, envolvidas por talha joanina. A fachada principal é neomanuelina, com portal flanqueado por colunelos e rematado em arco canopial e cogulhos, solução que se repete de forma mais simples nas janelas. Também o claustro de menores dimensões é deste estilo, rectangular, com arcos trilobados no piso inferior e arcos mainelados no superior, rematados por platibanda vazada e com profusa decoração de elementos vegetalistas e cordiformes; têm coberturas em abóbada de aresta no piso inferior e em tecto plano no superior. As demais fachadas são simples, rasgadas por janelas rectilíneas, surgindo, ao nível do terceiro piso, óculos circulares, construídos durante o séc. 20. Mosteiro feminino, de fundação régia, pela rainha D. Leonor, que se fez sepultar no local, em campa rasa, o qual recebeu várias benesses e doações ao longo do tempo, ganhando uma riqueza decorativa, em parte espoliada no séc. 19, com a venda e remoção de peças para os palácios reais e para o Museu Nacional de Arte Antiga. O exterior apresenta-se bastante amplo, apesar de truncado, pela cedência de uma ala à Casa Pia, com alguns panos de feição simples, mantendo o esquema da sua construção inicial, rasgado por janelas rectilíneas e rematadas em platibanda, surgindo, na zona dos coros, igreja, capela-mor e sacristia, uma profusa decoração dos vãos, com elementos neomanuelinos, onde se distinguem os colunelos com pequenos capitéis fitomórficos, os arcos canopiais, os cogulhos e os perfis lobulados, que alterou o carácter maneirista do edifício, com portal simples, rematado por frontão e tabela, segundo os esquemas de Vignola, e com janelas rectilíneas, em capialço, como se verifica em gravuras anteriores ao restauro oitocentista. A igreja apresenta um esquema pouco comum nos conventos femininos, com um cruzeiro coberto por falsa cúpula, definido por arcos nos quatro lados, flanqueados por arcos de menores dimensões, formando um falso motivo serliano. Este espaço, os coros e sacristia distinguem-se pela profusão decorativa de azulejo, português e holandês, e pintura portuguesa, todos com cariz catequético, os primeiros mostrando os exemplos de santos eremitas ou de grandes heroínas do Antigo Testamento, surgindo, nas telas, cenas da vida de Cristo, de Maria, de Santa Clara e São Francisco, surgindo, no arco triunfal, a glorificação da Virgem, com a sua Assunção. Contudo, a reaplicação de azulejos vindos de outros conventos ou o seccionamento de outros na Igreja, alterou profundamente o íntimo diálogo entre a arquitectura e aquele revestimento, o mesmo sucedendo com as telas do coro-baixo. A talha é maioritariamente joanina, com retábulos de planta recta, côncava ou convexa, com colunas torsas ou salomónicas e profusa decoração de acantos, baldaquinos, drapeados, festões, anjos de vulto e querubins, revelando uma forte unidade estilística, especialmente na igreja, pois foram executados pelo mesmo mestre; no conjunto, destaca-se o púlpito, com o seu remate e mísula decorada por enrolamentos, parecendo pairar sobre uma glória, seguindo uma gravura de Filippo Passarini, publicada em Roma, em 1698. O retábulo-mor é rococó, executado após a ruína provocada pelo terramoto de 1755, de planta convexa e colunas ornadas por falsas espiras fitomórficas, rematando em espaldar curvo e fragmentos de frontão, que mantêm anjos de vulto. O coro-alto distingue-se pela profusão de pintura e, especialmente, pelo enorme tabernáculo, de talha dourada, com colunas torsas e inúmeras figuras estofadas, onde se distinguem as três Virtudes Cardeais, Deus Pai, anjos de vulto e as armas régias, sendo o primeiro elemento que as freiras visualizavam ao entrar no coro-alto, rodeado por relicários, o tesouro das religiosas. Os retábulos joaninos e o relicário do coro-alto revelam, como característica especial do artista, a capacidade de dar à madeira o aspecto de bronze dourado, o que é novidade para a época nos relevos decorativos. O ante-coro é constituído por uma capela, dedicada a Santo António, com azulejo e pintura alusivo ao orago, para a qual abre a Sala do Presépio. Este evidencia o trabalho de vários artistas, apresentando uma qualidade de tratamento algo desigual, algumas delas com afinidades com peças de terracota de uma Via-sacra, actualmente numa capela do Mosteiro de Santos-o-Novo. As cenas bíblicas são em maior número que o comum, surgindo um ciclo completo da vida de Cristo desde o Nascimento até ao Baptismo. As imagens dos cortejos, mais exóticas, possuem traje próximo da cultura índia brasileira. O modelo de algumas figuras repete-se em vários grupos que se integram no torrão. Facto interessante e curioso é a importação de alguns modelos, como o traje de alguns camponeses, com camisas tipicamente italianas e a presença de uma galinha paduana, que pertence a uma espécie criada para fins meramente decorativos, num esquema semelhante ao do presépio da Capela de Nossa Senhora do Monte (v. PT031106160047). O claustro é bastante simples, não revelando a solução que o arquitecto Diogo Torralva viria a desenvolver no Convento de Cristo (v. PT), em Tomar, mas terá a ver com a simplicidade exigida pela Ordem, especialmente nas zonas de clausura, onde dominam os elementos arquitectónicos toscanos, sendo marcado por duas ordens de contrafortes. O claustrim, a zona mais antiga do convento, foi todo remodelado, evidenciando características neomanuelinas, onde se distinguem, nos capitéis, elementos inovadores, como um comboio a vapor, sendo o azulejo também colocado no séc. 19 e proveniente de outro espaço conventual. De destacar, ainda, uma capela anexa ao coro-baixo, com tecto de alfarje. Junto a esta, situa-se a Sala de D. Manuel, a qual poderá ter correspondido à primitiva igreja.
Planta rectangular irregular, composta por igreja de eixo longitudinal interno, capela-mor profunda com uma sacristia rectangular adossada ao lado esquerdo e construída de ângulo, antecedida por coros, a que se adossa, no lado direito, uma torre sineira quadrangular, surgindo, no lado oposto, as dependências conventuais, organizadas em torno de um amplo claustro e de um claustrim em cota superior, e dois pátios, de volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de uma e duas águas, plana na torre. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por embasamento de cantaria e flanqueadas por cunhais apilastrados, encimados por pináculos escalonados, com a zona inferior quadrangular, ostentando decoração de elemento entrelaçado, iniciais (P) e coroas abertas, onde se apoia uma base oitavada e coluna torsa, rematada por pirâmide canelada, sendo rematadas por frisos, cornijas e platibandas. Fachada principal virada a S., composta por seis panos desnivelados, marcando a estrutura interna de parte do edifício, os dois do lado esquerdo com platibanda plena, sendo os restantes por platibanda rendilhada, atravessada por elemento cordiforme, onde surgem, de forma alternada, alcachofras e flores de lis estilizadas, cruz latina, o pelicano a alimentar os filhos e caravela envolvida por corda; na cornija, surgem várias gárgulas. Os dois panos do extremo esquerdo evoluem em três pisos, rasgados uniformemente por vãos rectilíneos emoldurados a cantaria, correspondendo, no pano saliente, a três janelas de peitoril, a do piso inferior entaipada; o pano imediato possui dois eixos de vãos, o do lado esquerdo correspondente a janelas de peitoril, a inferior entaipada, e, do direito, a porta, encimada por ampla bandeira, e duas janelas de peitoril; no ângulo formado pelos panos, surgem dois óculos ovalados, ao nível dos segundo e terceiro pisos. O pano imediato, reentrante, corresponde à zona dos coros, evoluindo em dois pisos, cada um com um par de janelas, as inferiores em arcos trilobados e molduras triplas, a exterior boleada, rematando em cogulhos entrelaçados; as do piso superior são flanqueadas por colunelos finos, assentes em bases côncavas e convexas, com capitel simples, prolongando-se em moldura em toro sobre a verga. No ângulo deste pano e no do anterior, adossa-se a torre sineira, de três registos, o inferior marcado por moldura saliente, que se interrompe para a abertura de uma porta em arco levemente abatido, flanqueado por quatro colunelos, com capitéis simples e bases de côncavos e convexos, as exteriores dispostas uma cota superior, formando arco canopial, rematado por cruz latina, tendo, no lado direito, uma esfera armilar e, no lado esquerdo, vestígios da existência de uma segunda; entre a verga da porta e o arco surge elemento cordiforme e, no centro do canopo, uma nau com uma rede. O registo superior é definido por uma cornija, uma corda, que pende ao centro, acantos entrelaçados e o escudo português, encimado por coroa aberta; sobre este, rasga-se uma pequena fresta e, no topo, as sineiras em arco de volta perfeita e moldura simples; no interior possui uma escada em caracol com 50 degraus. Sucede-se o pano correspondente à nave da igreja, com doze janelas, cinco inferiores, com modinaturas e estrutura semelhante às do pano do coro-baixo, e seis num nível superior, também semelhantes às do coro-alto. Descentrado, o portal de acesso ao templo, elevado e com acesso por dois lanços de escadas de planta poligonal *1; é escavado e trilobulado, assente em colunelos finos, com bases de côncavos e convexos e capitéis fitomórficos, flanqueado por arquivolta côncava, ornada por videira entrelaçada e por duas colunas de fuste liso, assentes em bases semelhantes às anteriores, com estreito capitel fitomórfico, de onde evolui arco trilobulado, interrompido por canopos, ornados por cogulhos, encimados por cogulhos de acantos e alcachofras, que centram um escudo português, encimado por coroa real, e flanqueado por dois emblemas, o pelicano a alimentar os filhos e uma caravela, envolvida por cordas. O pano correspondente à capela-mor, possui três janelas semelhantes às da nave, num nível inferior, e três semelhantes às da nave, num nível superior. Bastante reentrante, o corpo da sacristia, composto por duas portas em arco abatido, flanqueada por quatro colunelos, assentes em bases de côncavos e convexos, as exteriores formando moldura recta sobre o vão, e as interiores prolongam-se superiormente, emoldurando duas janelas, com cogulhos semelhantes às dos panos da nave e capela-mor; no topo, ao centro, óculo lobulado, envolvido por tripla moldura, a interior cordiforme, a intermédia torsa e a exterior simples. No lado direito possui um portão de ferro, de acesso a um pátio, que antecede a entrada no Museu. Fachada lateral esquerda, virada a O., adossada ao edifício da Casa Pia. Fachada lateral direita, virada a E., evolui em três andares, rasgados por vãos emoldurados a cantaria simples, os inferiores compondo quatro portas em arco de volta perfeita, nos extremos, uma delas de acesso ao claustro, e três janelas de peitoril rectilíneas; são encimados por sete janelas de peitoril rectilíneas, sobrepujadas, no terceiro, por óculos circulares. No corpo da sacristia, são visíveis duas janelas rectilíneas, encimadas por duas de perfil trilobulado, surgindo, no topo, quatro janelas quadrangulares sobrepostas duas a duas. Fronteiro ao portão de acesso ao pátio, arco de volta perfeita, assente em impostas salientes, flanqueado por duas janelas rectilíneas; no segundo piso, três janelas de peitoril rectilíneas, encimadas, no terceiro, por três óculos circulares, todos com molduras simples de cantaria; este corpo adossa-se ao edifício do Palácio Nisa. O pátio, pavimentado a calçada, possui canteiros adossados às fachadas, com árvores, várias flores, bancos de cantaria e talhas em cerâmica. Fachada posterior parcialmente adossada a edifícios, sendo possível ver a face que abre para o pátio do bar, com três pisos, rasgados regularmente por janelas de peitoril rectilíneas, com molduras simples em cantaria. INTERIOR da IGREJA com pavimento em lajeado de calcário de várias tonalidades, e cobertura em falsa abóbada de berço, assente em friso de talha ornado por elementos fitomórficos, e cornija de cantaria, dividido em caixotões com molduras em talha pintada de bege, pontuadas por elementos vegetalistas dourados, contendo pinturas com cenas da vida da Virgem. As paredes têm alto lambril de azulejos monocromos, azul sobre fundo branco, com temas religiosos e profanos, com molduras de acantos enrolados, assentes em rodapés onde figuram "putti", anjinhos e sátiros, surgindo, sob um dos painéis, medalhões representando alegorias aos cinco sentidos, na forma de anjinhos, que seguram atributos. Sobre estes, dois níveis de pintura, envolvidas por molduras de talha e separados por friso e cornija, representando, no inferior, cenas da vida de São Francisco e, no segundo, de Santa Clara, estes intercalados pelas janelas. No lado da Epístola, a porta protegida por guarda-vento de madeira e o púlpito. Elevado por um degrau e protegido por teia de madeira torneada *2, o presbitério, onde surgem, confrontantes, dois retábulos de talha dourada, o do Evangelho com as relíquias de Santa Auta e o oposto dedicado à Sagrada Família. Arco triunfal de volta perfeita, assente em quatro pilastras, ornada por talha de elementos entrelaçados de concheados e querubins, com o fecho decorado pelas armas reais, encimadas por coroa fechada, flanqueadas por dois anjos de vulto. Está ladeado por quatro arcos de volta perfeita, em cantaria, assentes em pilastras toscanas, surgindo, no intradorso, mais um arco de cada lado, com pequeno elemento decorativo dourado, o frontal encimado por apainelado e por duas telas pintadas, a representar São Francisco e Santa Clara; sobre o conjunto, uma enorme tela, a representar a "Coroação da Virgem". Dá acesso ao cruzeiro, com cobertura em falsa cúpula assente em pendentes ornados de talha, com o tambor dividido em apainelados rectangulares, rematados por cornija e concheado dourado, definidos por pilastras assentes em cubos; segue-se cornija e elementos de talha entrelaçados, com a luminosidade vinda do topo, através de vão em cruzeta de talha. No lado do Evangelho, a tribuna real. Capela-mor com acesso por arco de volta perfeita, flanqueado por dois arcos de menores dimensões, surgindo outros dois no intradorso; tem cobertura em abóbada de berço, pontuada por elementos de talha e, no topo, surge o retábulo-mor, de talha dourada e planta côncava, de um eixo definido por duas estípides e quatro colunas com o fuste liso, envolvido por falsa espira fitomórfica, e com o terço inferior estriado; ao centro, tribuna bastante alta, em arco de volta perfeita, contendo trono expositivo de sete degraus, encimado por baldaquino, sustentado por quatro colunas; na base, o sacrário embutido, decorado por cálice eucarístico, flanqueado por dois apainelados. A estrutura remata em dois fragmentos de frontão, encimados por duas figuras alegóricas, a Fé (Evangelho) e a Esperança (Epístola), com espaldar curvo, flanqueado por enrolamentos e sobrepujado por cornija, contendo medalhão ornado por delta luminoso. Altar paralelepipédico em cantaria de calcário branco e vermelho, com o frontal tripartido, decorado por elementos ovalados e cruciformes. No lado do Evangelho, a sacristia e na parede fundeira da igreja, dois vãos rectilíneos, ligando aos coros, separados por friso ornado por talha, o inferior flanqueado por duas colunas de fuste liso e por dois painéis de azulejo representando a "Chegada das relíquias de Santa Auta" e "Partida das relíquias de Santa Auta"; o vão superior é encimado por friso e cornija, com guarda de madeira torneada; a partir do vão inferior, acede-se, por escadaria de cantaria ao antigo CORO-BAIXO, com pavimento em lajeado de granito e tecto plano, dividido em nove caixotões, com molduras de madeira pintadas de bege, com elementos de talha dourada; nos caixotões, a representação de símbolos marianos. As paredes encontram-se revestidas a azulejo, com silhar inferior em enxaquetado branco e verde, encimado por azulejo de padrão policromo, de 2x2, com elemento fitomórfico; o mesmo padrão reveste as janelas, em capialço e os vãos das portas. Sobre estes, telas pintadas, representando cenas da vida de São Francisco e de Santa Clara, e uma "Crucificação", todas com molduras de talha. No topo, duas portas de verga recta e moldura de cantaria, rematadas por friso e cornija, de acesso à Sala de D. Manuel; entre elas, um relicário de talha dourada. Nas paredes laterais, confrontantes, dois retábulos de talha dourada, dedicados à Senhora da Boa Morte e ao Crucificado. No lado esquerdo da escada de acesso à igreja, uma inscrição, identificando a pessoa que mandou efectuar um desaparecido confessionário e a data "1873". O CORO-ALTO tem pavimento em parquet e cobertura em masseira, assente em friso e cornija de talha, formando quinze caixotões, com molduras de talha, com cenas da vida de Cristo e de São Francisco. No interior, 62 cadeiras, dispostas em duas ordens, as posteriores mais elevadas, com o espaldar composto por apainelados divididos por estípides, contendo cada um deles, nichos de várias dimensões com relicários. As janelas, em capialço, encontram-se revestidas a azulejo em monocromia, azul sobre fundo banco, representando heroínas bíblicas do Antigo Testamento e símbolos da Virgem. Entre estas, telas pintadas, com cenas franciscanas e da vida de Cristo, sendo visíveis, com molduras de talha, que também surgem sobre a porta de acesso, em verga recta e moldura recortada, em cantaria, e no lado oposto, onde se rasga o vão da clausura; sobre este, um tabernáculo e a flanqueá-lo, dois altares paralelepipédicos, com frontal formado por sebastos e sanefas, encimados por sacrário, ladeados por anjos e com a porta marcada por baldaquinos com falsos drapeados, a abrir em boca de cena; têm ao lado os retratos de D. João III e D. Catarina, ladeados pelos seus santos protectores, São João Baptista e Santa Catarina. O coro é antecedido pela CAPELA de Santo António, com pavimento em parquet e tecto em gamela, contendo algumas telas com cenas da vida do orago; as paredes estão revestidas por azulejo figurativo, em monocromia, azul sobre fundo branco, encimados por telas com molduras de talha pintada de branco e dourado, com cenas da vida de Santo António. Num dos topos, retábulo de talha dourada, surgindo, no oposto, a reconstituição do antigo presépio. O CLAUSTRO é quadrado, com chafariz central, evoluindo em dois pisos, o primeiro com cinco arcadas assentes em pilastras toscanas, sendo o segundo arquitravado, assente em quatro colunas toscanas, ostentando duas ordens de contrafortes em cada tramo, com gárgulas nos topos, rematando em platibanda plena, estando os vãos protegidos por vidro; sobre este é visível o terceiro piso do imóvel, com janelas rectilíneas e uma torre rematada em coruchéu poligonal, revestido a azulejo enxaquetado verde e branco. Possui paredes rebocadas e pintadas de branco, tendo, no primeiro piso, coberturas em abóbadas de aresta, também rebocadas e pintadas de branco, e pavimento em lajeado de calcário; as paredes são percorridas por friso em cantaria de calcário amarelo, que se interrompe nos vãos, apresentando alguns escudos, com o pelicano a alimentar os filhos e a caravela com cordame. Neste espaço, surgem, nas alas N. e O., salas de exposição, com acessos por portas de verga recta e moldura simples, em cantaria. No ângulo SO. do primeiro piso, surge a Capela de D. Leonor, com tecto de alfarge. No piso superior, surge silhar de azulejo figurativo, com cenas alusivas ao sacrifício da clausura e mensagens moralistas, identificadas por inscrições. No piso inferior, o claustro tem acesso pela portaria, onde se integra uma loja, bengaleiro, um balcão de venda de bilhetes, encimado por uma galeria de madeira, com acesso por escada de caracol; no topo da portaria, o restaurante e as instalações sanitárias, ambos revestidos a azulejo em monocromia, azul sobre fundo branco, o primeiro com figuras avulsas e figurações alusivas a alimentação, e a segunda com uma cena campestre. Dá acesso a um pátio pavimentado a calçada, para onde abre a fachada posterior, com um lago rectangular no topo, com fonte central, composta por taça lobulada, com bicas em forma de roseta, assente em plinto de secção curva, ornado por folhagem estilizada e friso de esferas *3. No segundo piso, acede-se a uma sala de exposições temporárias, à biblioteca e às salas de serviços; na primeira existe um elevador e escadas que ligam os diferentes pisos. O CLAUSTRIM tem acesso a partir do claustro principal, através de um arco de volta perfeita, ornado por folhagem, situado no ângulo SO., que leva a dois lanços de escadas, com as paredes revestidas a azulejo de padrão, em monocromia, azul sobre fundo branco, formando silhar, nas quais surgem, confrontantes, duas janelas rectilíneas, flanqueadas por colunelos, assentes em bases côncavas e convexas, que se prolongam, sobre a verga. O claustro é rectangular, com dois pisos, separados por cordame, o inferior marcado por duas e três arcadas, de volta perfeita, assentes em colunas toscanas, surgindo, no segundo piso, igual número de arcadas maineladas, com arcos trilobulados e espelho vazado, apresentando capitéis com decoração variada, onde se destaca um comboio a vapor; sobre estas, surgem óculos vazados e friso de acantos, que sustentam uma platibanda vazada em quadrilóbulos, inscritos em losango, rematado por friso cordiforme. O piso inferior encontra-se revestido por azulejo de padrão 2x2, policromo, com abóbadas de arestas, decoradas por elementos geométricos, assentes em mísulas em leque, com elementos decorativos diversos; na ala O., a fonte de Santa Auta. O acesso ao segundo piso processa-se por um corredor abobadado, com arcos de volta perfeita ornados por folhagens, com as paredes revestidas a azulejo de padrão de albarradas, em monocromia, azul sobre fundo branco, que leva a um lanço de escadas, revestido com azulejos figurativos. O segundo piso apresenta portas de acesso à Capela de Santo António e a outros núcleos expositivos, existindo, num deles, uma escadaria principal, com colunas de madeira no patamar superior, revestidas a azulejo figurativo.
Materiais
Estrutura em alvenaria rebocada e pintada, em cantaria calcária e betão; cornijas, platibandas, cruzes, contrafortes, pilastras, colunas, modinaturas, plintos, pavimentos, altares em cantaria de calcário; mesa da sacristia em mármore; portas, caixilharias, pavimentos, cadeiral, arcaz, tectos e guardas de madeira; retábulos e relicários em talha dourada e policroma; pintura sobre tábua e tela; revestimentos de azulejo tradicional e industrial; janelas com vidros simples; coberturas em telha.
Observações
*1 - o portal tinha as escadas protegidas por grades metálicas, com dois pilares oitavados em cantaria, rematados por friso boleado, onde assenta esfera armilar, tendo portão central; em fotografias de 1953 já não existe. *2 - o espaço era fechado por uma teia com balaústres de embutidos de calcário, ornados por elementos vegetalistas e capitel jónico, e madeira torneada com marchetados, certamente de pau-santo. *3 - esta taça era a parte superior do chafariz que centra o claustro principal e à qual falta o remate em pináculo ornado por elementos torsos. *4 - o retábulo-mor teria várias pinturas, representando as Sete Dores da Virgem, composto por uma grande tela de Nossa Senhora das Dores e sete painéis mais pequenos, cinco no Museu Nacional de Arte Antiga e dois em museus estrangeiros (Worcester Art Museum e Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro). * 5 - era um conjunto de oito pinturas, duas de grandes dimensões e com temática franciscana e mariana, os quais estavam no coro-alto antes de darem entrada no Museu Nacional de Arte Antiga. *6 - a colecção é proveniente de vários locais, de Lisboa: sendo o azulejo do clustrim vem do convento de Santa Ana, Convento das Albertas, Convento de Nossa Senhora da Esperança, Convento de Santo António da Convalescença, Convento de São Bento, Igreja de Santo André, Paço da Alcáçova, Palácio da Rua dos Corvos, Palácio da Praia, em Belém, Palácio dos Condes de Tentúgal, Palácio Galvão Mexia, Palácio Melo, Palácio dos Marqueses de Nisa, Padaria Independente; dos arredores de Lisboa, do Palácio da Vila de Sintra, Convento de Odivelas, Quinta do Chapeleiro, na Póvoa de Santo Adrião, Quinta de Santo António da Cadriceira, em Torres Vedras e Palácio da Bacalhoa; de Beja, do Antigo Palácio dos Infantes, do Convento da Conceição; de Évora, do Convento de Santa Clara; do Paço Ducal de Vila Viçosa e do Convento de Santa Mónica, em Goa; surgem, ainda, várias doações particulares, de autor, de fábricas e depósito de peças do Museu de Arqueologia. *7 - Um desenho do séc. 18, embora simplificado, mostra-nos a fachada principal, com o pano da nave rasgado por portal em arco de volta perfeita, flanqueado por colunas, que sustentam arquitrave e tabela horizontal; possui três janelas. No coro-alto, duas janelas e, na capela-mor um janelão e uma luneta. Sacristia com janela quadrangular, encimada por janela de sacada, mostrando uma estrutura maneirista. *8 - O percurso museológico iniciava-se pela igreja, com a visita da mesma, sacristia e coro-baixo, passando-se ao Claustro de D. João III, visitando-se a Capela de D. Leonor, prosseguindo pela ala nascente até umas escadas, com azulejo, que leva ao segundo piso do claustro, com a visita em sentido contrário ao do primeiro, ingressando-se na Sala de Santo António e coro-alto, a parte superior do claustro de D. Leonor, saindo-se pelas escadas. *9 - várias fotografias das décadas de 30 e 40 mostram que o claustro tinha vários canteiros sinuosos e duas palmeiras. *10 - a rosácea apeada do claustro tinha uma cruz de Cristo, de feitura oitocentista ou do início do séc. 20.