Igreja paroquial de traça românica muito adulterada, mantendo portal de volta perfeita. É de planta retangular, composta por nave, capela-mor e capela lateral adossada. Fachada principal com portal de volta perfeita e remate em empena. Campanário adossado ao alçado lateral esquerdo, com acesso pelo exterior. Interior com cobertura de madeira em masseira, na nave e abóbada pintada na capela-mor. Retábulos de talha dourada, do estilo maneirista na capela-mor, nacional, os colaterais e tardo-barroco o conjunto da capela lateral. Encostado ao embasamento da fachada S., túmulo com cruzes dos Templários em pedra granítica, uma no topo da frente e uma em cada topo lateral.
Planta longitudinal, composta, pelos rectângulos justapostos da nave e capela-mor, existindo coincidência entre o interior e o exterior. Volumes articulados de disposição na horizontal e coberturas diferenciadas de duas e três águas. Construção sobre embasamento proeminente nas fachadas O. e S.. Na fachada principal, voltada a O., abre portal de arco pleno assente em impostas salientes trabalhadas, com a base decorada e encimado por pequena fresta. No lado direito, é visível o lançamento de um arco incompleto com imposta saliente, surgindo o campanário adossado. Fachada N. com três panos desfasados, um em pedra com aparelho isódomo e dois rebocados, rasgados por duas portas almofadadas, uma com lintel em arco perfeito e um de verga recta. Janela de rampa gradeada e uma fresta, ambas de perfil rectilíneo e molduradas. Campanário com duas sineiras rematado por frontão aberto por nicho, encimado ao centro por cruz e nos cunhais, duas pedras de formas prismáticas, com acesso por escadaria exterior. Fachada E. com três panos desfasados: dois em pedra, com aparelho isódomo e um rebocado, rasgados por uma porta almofadada, uma janela de rampa gradeada, ambas de perfil rectilíneo e ombreiras em granito formando moldura. Existe meio óculo entaipado e, numa pedra está esculpida a data de 1585. Fachada S. com dois panos desfasados com aparelho isódomo, uma porta rústica de duas folhas com lintel em arco apontado encimado por carranca em granito, uma janela de rampa gradeada e duas seteiras, ambas rectilíneos e ombreiras em granito, formando moldura apenas na janela. Nesta fachada e encostado ao embasamento, túmulo com cruzes dos Templários em pedra granítica, uma no topo da frente e uma em cada topo lateral *1. Remate das fachadas N. e S. em cornija e beiral com cachorrada, as fachadas O. e E. em empena angular e cornija sendo esta última com cruz latina. Articulação interior/exterior em desnível, vencido por três degraus exteriores nas fachadas N., E., S. e cinco na O.. INTERIOR em espaços diferenciados, iluminado por vãos praticados nas fachadas, cobertura em tecto de madeira em masseira na nave. Do lado da Epístola, guarda-vento em madeira, uma mísula com imagem e, do lado do Evangelho, uma capela lateral, vão com lintel em arco perfeito e ombreiras de granito, formando moldura. Nesta, integra-se o retábulo, composto por painel ladeado por colunas de fuste liso marmoreado, contendo o Crucificado, encimado por fragmentos de frontão e remate em cornija com acantos. A estrutura é ladeada por dois nichos em ângulo, ladeados por pilastras e com remate em cornija curva. Integram as imagens de roca de Nossa Senhora das Dores e São João Evangelista, formando o conjunto do Calvário. Cobertura de apainelados, pintados com acantos. Arco triunfal de volta perfeita, ladeado por dois retábulos de talha dourada, compostos por tribuna, dois pares de colunas torsas, que se prolongam em dupla arquivolta e alfiz rematado por cornija. Capela-mor coberta por abóbada pintada. Retábulo-mor em talha dourada com tribuna e trono, ladeado por dois eixos em andares, contendo pintura e imaginária.
Materiais
Pedra granítica, madeira, argamassa, ferro forjado, telha lusa.
Observações
*1 - nas Memórias Paroquiais de 1758, o Pároco atribui a o túmulo a um antigo Comendador, pai de um Bispo e natural daquela Freguesia, alusão a D. Diogo da Silva (1485/1541), que foi desembargador do Rei D. João III, Bispo de Ceuta e Arcebispo Primaz de Braga; *2 - nas Memórias Paroquiais, é referido que, em 1223, ano da fundação da Irmandade de São Vicente, já se encontrava construída; *4 - nas Memórias Paroquiais, é referido que vários indícios apontam para que estivesse sobre a alçada da Ordem do Templo, depois chamada de Cristo, pois marcos com as iniciais O.C. eram visíveis na periferia.