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Núcleo urbano da cidade de Abrantes

Núcleo urbano da cidade de Abrantes

O ponto de interesse Núcleo urbano da cidade de Abrantes encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Abrantes (São Vicente e São João) e Alferrarede no municipio de Abrantes e no distrito de Santarém.

Núcleo urbano sede municipal. Cidade situada em encosta, na proximidade de margem fluvial. Vila medieval de jurisdição de ordem religiosa militar (ordem de Santiago) e posterior jurisdição senhorial / régia, com castelo e cerca urbana. Vila fundada no topo de colina onde se implanta o castelo do séc. 12, incluindo a igreja de Santa Maria no recinto muralhado. Malha urbana de origem medieval, de configuração radial na zona do castelo, e mais regular na zona de expansão, cuja transição se faz a partir do eixo da Rua Grande. O limite do núcleo urbano estruturou-se a partir dos edifícios conventuais, erguidos no sec. 16; na sequência da demolição da muralha a O. e S., organizou-se o tecido urbano do séc. 20. Devido à sua localização estratégica junto ao Rio Tejo e à sua implantação no topo de uma colina, abrangendo todo a envolvente, Abrantes teve desde a fundação de Portugal, um importante papel na defesa do território. Durante as invasões napoleónicas, após a primeira invasão, foi fortificada nos seus limites, resistindo e tornando-se numas das praças-fortes desta época. Malha urbana medieval de configuração radio-concêntrica bem preservada.

Núcleo urbano adaptado à encosta, com fundação no castelo situado no topo de colina e com crescimento para as vertentes mais favoráveis, a SO. Malha orgânica junto ao castelo, de raiz medieval e de configuração radial, caracterizada por vias estreitas e sinuosas e por quarteirões compactos com lotes estreitos e quintal nas traseiras, com muro a confrontar a rua de trás. O eixo constituído pela Rua 5 de Outubro (antiga Rua da Ferraria), Rua Grande e Rua da Barca estrutura a ligação entre esta zona e as áreas de expansão. Os três conventos da vila (São Domingos, v. PT031401130004, da Esperança, v. PT031401130013, e da Graça, demolido), edificados no séc. 16 e situados em limites opostos (SE. e NO.) estruturaram o crescimento da malha setecentista, mais regular e igualmente adaptada à morfologia do terreno. A ligação entre o convento da Esperança, situado a NO., e o conjunto formado pelo convento de São Domingos, igreja e hospital da Misericórdia (v. PT031401110011), a SE., faz-se pelo eixo formado pela Rua Marquês de Pombal (Rua Corredoura) / Rua D. João IV (Rua do Bacharel) / Rua Tenente Valadim (Rua Nossa Senhora do Socorro). Perpendicularmente um outro eixo destaca-se, atravessando os vários espaços públicos de diferente configuração, mas semelhantes na vivência (espaços de lazer e sem trânsito rodoviário). Esse eixo é definido, de SO. para NE., pela Rua Nossa Senhora da Conceição (Rua das Pousadas), a Praça do Barão da Batalha (Praça da Palha de Baixo), o Largo Dr. Ramiro Guedes (Praça da Palha de Cima), a Rua Avelar Machado e a actual Praça Raimundo Soares (Praça do Concelho), onde ainda se localiza o centro político e administrativo da vila, representado na Casa da Câmara Municipal, construída no séc. 16 (v. PT031401130007). No séc. 20 a zona envolvente ao Largo da Feira foi urbanizada, desaparecendo o olival da vila. Aí se encontram alguns dos principais equipamentos públicos (mercado, tribunal, repartição de finanças e conservatória). A O., localiza-se uma zona residencial na Alameda de Santo António, resultante da demolição da muralha. Caracteriza-se por quarteirões alongados, no sentido da encosta, e por lotes de maior dimensão, alguns com moradias. A S., na Praça da Palha de Cima (actual Largo Dr. Ramiro Guedes), de configuração triangular, é visível a transição de malhas; daí partem vários eixos viários, originando quarteirões de configuração rectangular, que dão acesso ao Largo da Feira. Actualmente, resultado do relevo escarpado onde se implanta a cidade, o crescimento urbano é bastante descontínuo, ao longo dos eixos viários de acesso à vila. Devido à sua localização geoestratégica, Abrantes torna-se no séc. 19 numa das praças mais importantes do país, vendo as suas fortificações renovadas depois da primeira invasão napoleónica. Os testemunhos que restam hoje resumem-se ao pano de muralha abaluartado do castelo, ao reduto de São Pedro (Jardim do Castelo e Rua dos Quinchosos) e aos panos de muralhas de Santo André (Rua da Barca e Ladeira dos Quinchosos), de São Domingos (junto ao convento), do Adro Velho (nas traseiras da Igreja de São Vicente) e de São Francisco (Rua de São João Baptista de Ajudá e Rua Defensores de Chaves). O recinto do castelo / fortaleza, de forma sensivelmente oval e parcialmente abaluartado a S., hoje ajardinado, encerra a torre de menagem (v. PT031401130004), a Igreja de Santa Maria do Castelo (v. PT031401130001), actual museu municipal D. Lopo de Almeida, e o palácio dos Governadores. A Rua do Castelo (actual Rua Capitão Correia de Lacerda) é a principal via de acesso ao castelo, bastante alterada (observável na largura da via e nos lotes que foram sendo urbanizados, assim como nas casas do séc. 19 e habitações plurifamiliares do séc. 20); é provalmente uma das mais antigas da vila, a par da Rua Nova e da Rua Grande. Faz a ligação do mesmo ao Largo da Ferraria, onde se encontra sobrelevada a Igreja de S. Vicente (v. PT031401130004). Deste largo distribuem-se, radialmente: a Rua Grande, que dá acesso à Igreja de São João Baptista (v. PT031401130003) e à Rua da Barca, que ligava a cidade ao rio (ainda com o pavimento urbano em seixo rolado); a Rua Nova, a Rua Maria de Lurdes Pintasilgo (Rua dos Oleiros) que liga à Praça do Concelho; a Rua dos Combatentes da Grande Guerra (Rua de São Vicente), que dá acesso ao Largo de São Pedro, onde se implanta destacado o Cine-Teatro São Pedro, construído no local da igreja com o mesmo nome. Terá sido na Rua dos Condes de Abrantes (Rua da Boga) que se situou a judiaria da vila, no período tardo-medieval. Os espaços públicos do centro urbano, com excepção do jardim da República, antigo Rossio, e do Largo Actor Taborda, caracterizam-se pelo despojamento de árvores, que aliás não desempenham um papel relevante na cidade, como acontece nos núcleos urbanos de origem medieval. Nos séc. 19 e 20 fizeram-se alguns arranjos paisagísticos (Largo do Barão da Batalha e Rossio). A O., no limite do centro histórico, o Campo de Santo António (onde entraram as tropas francesas), actual Parque de Santo António, foi adaptado a espaço lúdico na década de 40 do século passado, sendo a única área verde de grandes dimensões da cidade. A zona comercial localiza-se a SO. da Praça do Concelho, destacando-se da Praça da Palha de Baixo. A arquitectura residencial corrente caracteriza-se por casas unifamiliares e plurifamiliares de 2 e 3 pisos em alvenaria de xisto rebocada, com escada interior lateral, iluminada por óculo. Destacam-se algumas casas abastadas, que seguem o alinhamento da rua (Rua Grande), assim como moradias, do século passado, algumas da autoria de Raul Lino (Casas na Rua Tenente Valadim, Rua Luís de Camões, Rua de S. Pedro, Rua de Santa Isabel e Rua D. Afonso Henriques). Na decoração das fachadas predominam as molduras em argamassa e os cunhais, caiados com pigmento amarelo. As chaminés, por vezes datadas e perpendiculares à fachada principal, destacam-se nos pontos altos da cidade.

Materiais

Não aplicável

Observações