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Castelo de Monção

Castelo de Monção

O ponto de interesse Castelo de Monção encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Monção e Troviscoso no municipio de Monção e no distrito de Viana do Castelo.

Arquitectura militar, seiscentista. Fortaleza fronteiriça de planta poligonal composta por 10 baluartes, irregulares e dispostos assimetricamente, e um meio-baluarte a NO., virando-se este e seis baluartes ao rio, a N., e os restantes a terra, sendo unidos por cortinas predominantemente rectas, apresentando alguns falsas-bragas. Paramentos das cortinas e baluartes em talude, com a escarpa exterior de duas secções escalonadas, em alvenaria de pedra irregular, e cunhais aparelhados, coroados por cordão e parapeito liso ou com canhoneiras na linha baixa de defesa, tendo nos ângulos flanqueados guaritas facetadas, assentes em mísulas facetadas, tal como a cobertura em cúpula. Possui três portas, a de Salvaterra, inicialmente com ponte levadiça, com arco de volta perfeita entre duplas pilastras toscanas, suportando frontão semicircular, com brasão nacional no tímpano; a porta do Rosal, em arco de volta perfeita assente nos pés-direitos, encimada por guarita, com trânsito rasgado por frestas de tiro, porta dupla, coberto por abóbada de berço e flanqueado por casamatas, acedidas por portais a partir do trânsito ou pelo terrapleno, onde são contrafortados; e as portas das Caldas duas poternas em arco de volta perfeita sobre os pés-direitos, com trânsitos igualmente abobadados. Paiol do Rosal com célula de armazenamento de planta rectangular, interiormente abobadada e cobertura em lajes de granito, envolvida por anteparo de protecção, alto, rasgado por portal central em arco de volta perfeita, sobre impostas salientes. Juntamente com a fortaleza de Viana, Caminha e Valença, constitui uma das quatro grandes fortalezas em que assentava a antiga defesa do Noroeste português, estruturada em vilas muralhadas na época medieval, e mais tarde transformadas em praças de configuração abaluartada, a qual era complementada com pequenos fortes. A cerca muralhada medieval nunca possuiu castelo, tendo-se conservada dois panos de muralha da barbacã integrados no perímetro N. da praça, voltados ao rio, e onde ainda subsiste, quase cinco metros abaixo do nível da rua, a porta (entaipada) de acesso ao porto fluvial, com arco quebrado de aduelas largas sobre os pés-direitos. Em princípio, a fortificação moderna foi delineada por Miguel de Lescole e levado a efeito sob a direcção de Manuel Pinto Vilalobos. O traçado da cintura fortificada é muito irregular, sendo composta por baluartes de configuração diversa, sendo os do lado S., virados a terra, de maior dimensão, mais possantes e com as faces dos baluartes e cortinas intermédias com falsas-bragas, contrastando com os dispostos a N., que apenas excepcionalmente, têm esses dois níveis de defesa. A consistência da praça de guerra ficou comprometida na raiz, uma vez que os trabalhos de fortificação não foram concluídos, ficando por terminar os fossos e a esplanada. De referir ainda o contraste entre as estruturas da Porta de Salvaterra, aparelhada e armoriada, de composição monumental, e as portas das Caldas e a do Rosal, de estrutura simples, semelhantes a uma poterna, sendo esta última acasamatada, mas desprovida de qualquer tipo de ornamentação e encimada por guarita.

Fortificação de planta poligonal composta por 10 baluartes, irregulares e dispostos assimetricamente, e um meio-baluarte a NO., virando-se este e seis baluartes a N., e os restantes a terra, denominando-se, de NO. para E., no sentido dos ponteiros do relógio por: Nossa Senhora da Guia, de Salvaterra (antigo São Luís), São João (antigo São José), Nossa Senhora da Boavista (antigo Boavista e Nossa Senhora do Loreto), São Luís (antigo São Francisco), São Filipe, São Bento, Nossa Senhora da Conceição, do Souto (antigo de São Pedro), da Cova do Cão (antigo de Santo António) e, o último, de Terra Nova (antigo de São João); os baluartes são unidos por cortinas predominantemente rectas. Paramentos das cortinas e baluartes em talude, com a escarpa exterior marcada, em quase toda a sua extensão, por duas secções escalonadas, em alvenaria de pedra irregular, disposta a seco, e cunhais aparelhados, coroados por cordão e parapeito liso, igualmente em alvenaria irregular, na face N. encimado por guarda em ferro. Um dos flancos do baluarte da Boavista, que cobria o local onde existia a barca de ligação à Galiza, o de São Filipe e São Bento, que cobriam a porta das Caldas, e ambos os flancos dos baluartes virados a terra, do de Nossa Senhora da Conceição até ao da Guia, dois para cobrir a Porta do Sol e a do Rosal, e respectivas cortinas entre eles apresentam falsas-bragas, tendo o nível inferior de defesa parapeito de canhoneiras. Os seus ângulos são coroados por guaritas facetadas assentes em mísulas molduradas e também facetadas, sendo inferiormente circundadas pelo cordão e superiormente rasgadas por pequenos vãos rectangulares dispostos na vertical; são acedidas por vão de verga recta e cobertas por cúpula facetada sobre cornija rectangular e coroadas por pináculo irregular. A N., entre os baluartes da Boavista e o de São Luís e entre este e o de São Filipe existem integrados na fortificação dois panos da muralha medieval, com perfil curvo, de aparelho de cantaria regular, sobrepujado por moldura e parapeito; o segundo pano de muralha conserva, quase cinco metros abaixo do nível da rua, portal em arco quebrado de aduelas largas, sobre os pés-direitos, entaipada. No baluarte de São Filipe, a linha baixa de defesa possui pavimento em saibro, sendo esta e a do baluarte de São Bento acedidas por portal em arco de volta perfeita sobre os pés-direitos. A fortificação foi interrompida e atravessada a SO. pela linha do caminho de ferro e o baluarte da Terra Nova pela Rua Engenheiro Duarte Pacheco, a S., onde se rasgava a porta do Sol, pela passagem da EN. 201, de ligação a Ponte da Barca - Braga, a NE. pela avenida das Caldas, que liga o recinto da Fonte da Vila (v. PT011604170018) à estância termal e às terras baixas da várzea, a E. pela EN. 202, em direcção a Melgaço, para o que se demoliu a porta de São Bento. Das cinco portas conserva a de Salvaterra, a NO., a das Caldas, a NE. e a do Rosal, a SO.; a de Salvaterra, inicialmente com ponte levadiça, abre-se na face lateral do baluarte de Salvaterra, tendo arco de volta perfeita sobre pilastras, enquadrado por duplas pilastras toscanas, suportando frontão semicircular, contendo brasão nacional no tímpano; virada ao terrapleno, a porta possui superiormente parapeito de circulação. A porta das Caldas é, na verdade, duas portas, bastante discretas, rasgadas nos topos da cortina entre o baluarte de São Filipe e o de São Bento, apresentando arcos de volta perfeita sobre os pés-direitos, com trânsitos de paredes em alvenaria de pedra e cobertos por abóbada de berço. A porta do Rosal, virada a Valença ("caminho velho"), abre-se na cortina entre o baluarte da Guia e o da Terra Nova ou São João, tendo arco de volta perfeita assente nos pés-direitos e sendo encimada por guarita. Possui trânsito rasgado por frestas de tiro, com molduras de capialço, pavimentado a lajes de cantaria com passeios laterais e coberto por abóbada de berço; no terço virado ao terrapleno apresenta portais em arco de volta perfeita sobre impostas salientes dos pilares avançados; lateralmente, abrem-se amplos arcos abatidos transformados em portais de verga recta, de acesso às casamatas. Na face interna, com paramento reforçado por quatro contrafortes, tem a poterna de arco em volta perfeita sobre impostas salientes, ladeado por dois portais de verga recta de acesso às casernas. Para lá dos últimos contrafortes, abrem-se, de cada lado, portal abatido, com trânsito, precedido por escadas, para acesso à linha defensiva inferior. Sensivelmente na gola do baluarte de Nossa Senhora da Guia, ergue-se o PAIOL do Rosal com célula de armazenamento de planta rectangular, fachadas em alvenaria de granito, com cunhais aparelhados e terminadas em cornija, interiormente abobadada e com cobertura em telhado de lajes de granito, em duas águas; a S. é rasgado por portal central, de verga recta assente nos pés direitos, formando moldura relevada e tendo grade de ferro. A célula é envolvida por anteparo de protecção, alto, rasgado a S. por portal central em arco de volta perfeita, sobre impostas molduradas salientes, com porta de madeira.

Materiais

Estrutura em alvenaria ou cantaria de granito; portas de madeira; cobertura do paiol em lajes de cantaria.

Observações

*1 - Segundo Carlos Alberto Ferreira de Almeida, no reinado de D. Sancho I (séc. 11 / 12) já devia haver uma fortificação elementar. *2 - Segundo a tradição, em 1368, estando o castelo cercado pelas tropas de Henrique II, de Castela, a esposa do alcaide, Deu-la-deu Martins, fez cozer pão e enviou ou lançou alguns pães aos sitiadores para lhe provar que a vila ainda tinha abundância de mantimentos, encorajando-os assim a levantar o cerco. *3 - Segundo os desenhos de Duarte de Armas, o castelo de Monção tinha planta circular e duas portas ligadas pela R. Direita, a principal, ladeada pela torre de menagem, dando para o terreiro (hoje Pç. Deu-la-deu Martins), e a outra no lado oposto. A barbacã, com cubelo circular, tinha três portas, uma sobre o cotovelo da cortina, dando acesso para S. - a Porta do Postigo, a outra servia o largo, frente à Misericórdia e a terceira permitia o acesso ao rio e porto fluvial. Já não existem vestígios da torre do Poço, mas o seu local de implantação continua a ser sensivelmente conhecido. Persistem vestígios essencialmente na organização urbana do núcleo mais antigo da vila, conservando um reduto circular onde, para além do habitual alinhamento de casas instaladas sobre e na sequência das bragas, apresenta seis arruamentos paralelos, encurvados, regulados pela R. Direita e cruzados por uma travessa que passava fronteira à Igreja Matriz. A S. as "escadas do Postigo" revelam a localização do antigo Postigo. Os dois troços integrados na fortaleza pertenciam à barbacã, destacando-se o que possuía porta de acesso ao rio.