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Ponte de Santa Clara

Ponte de Santa Clara

O ponto de interesse Ponte de Santa Clara encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Santa Clara e Castelo Viegas no municipio de Coimbra e no distrito de Coimbra.

Arquitectura de comunicações e transportes do séc. 20. Ponte em betão armado do tipo pórtico múltiplo especial, com tabuleiro plano, assente em cinco vãos de arco abatido com uma articulação num dos vãos extremos, em que só os montantes extremos são solidários com a viga; os apoios intermédios são pilares pendulares de livre dilatação horizontal. Os montantes são articulados na base. Na direcção transversal a superestrutura é formada por elementos principais ligados superiormente por uma laje que se prolonga em consola, nas extremidades, para ambos os lados. A articulação do tabuleiro situa-se no vão extremo do lado de Santa Clara a 7 m. do montante. Os cilindros dos encontros do lado de Santa Cruz foram cravados por "Havage" e os de Santa Clara, na primeira fase pelo mesmo sistema e na segunda fase com o auxílio de ar comprimido.

Ponte em betão armado de tabuleiro plano, composto por cinco tramos, em arco abatido, assentes em pilares pendulares com talhamares elípticos. As articulações da viga e dos montantes, assim como as da base dos pilares, são articulações rolantes com superfícies de contacto sobre chumbo. As vigas apoiam nos pilares por meio de aparelhos de apoio de aço vazado. Os encontros são grandes maciços com paredes interiores de contraventamento e cobertos superiormente por uma laje de betão armado. As fundações dos encontros são constituídas por 6 cilindros de betão armado sendo solidarizados superiormente por uma sapata de betão. As guardas da ponte são metálicas no tabuleiro e em cantaria de lioz nos encontros; o pavimento dos passeios é de lajeado de lioz serrado e o pavimento da faixa de betão betuminoso alcatroado (*1). Ma margem direita, o tabuleiro apresenta nos dois lados elementos monolíticos de planta rectangular e corpo de cantaria, contendo de um lado as armas da cidade e a identificação da ponte "PONTE DE SANTA CLARA" , e do outro o Escudo Nacional com a data de inauguração da ponte "MCMLIV" e a identificação da entidade responsável pela sua construção "MINISTÉRIO DAS OBRAS PÚBLICAS / JUNTA AUTÓNOMA DE ESTRADAS".

Materiais

Estrutura em betão armado; cantarias nos capeamentos; pavimento de betão betuminoso alcatroado e guardas em ferro e cantaria de lioz

Observações

*1 - Quando da inauguração da ponte em 1954 as superfícies do tabuleiro, dos encontros e pilares eram revestidos a argamassa e, pintados posteriormente em cor esverdeada. *2 - A substituição da ponte velha, construída em 1875, que por sua vez tinha substituído a mandada construir por D. Manuel I, pela actual, não foi determinada pelo assoreamento do leito do rio, como tinha acontecido anteriormente, mas pelas necessidades do trânsito rodoviário, intenso que colocava em risco a segurança da velha ponte. A substituição da ponte metálica foi encarada como uma necessidade urgente. A ponte era de estrutura metálica, de tabuleiro inferior, constituída por 7 tramos apoiados em pilares e encontros de alvenaria revestidos de cantaria, tendo sido seu autor o Eng.º Matias Heitor de Macedo. A superestrutura de cada tramo era formada por duas vigas principais com 2,90 m de altura, de rótula de malha múltipla, distanciadas entre eixos de cerca de 1,40 m. e por uma longarina colocada a meio do tabuleiro. O pavimento era formado por um contraplacado de vigas de madeira com tapete de betão betuminoso. A faixa de rodagem tinha a largura de 4,50 m, com passeios exteriores com largura de 1,30 m. O comprimento total da ponte entre testas dos encontros era de 185 m..( CARDOSO / ABREU, 1954: 566). *3 - A construção da Ponte nova sobre o rio Mondego deu origem a obras subsidiárias, nomeadamente: rectificação da EN 1, no troço que atravessa a cidade de Coimbra, abrangendo a zona desde o Rossio de Santa Clara até à Estação Velha, construindo-se grande parte de novas artérias; trabalhos de infra-estruturas (esgotos, águas, electricidade, telefones); alteração do traçado das linhas do caminho de ferro da Lousã, dos carros eléctricos, dos "trolley-cars", etc.; construção de um novo troço de muralha de canalização do rio Mondego, junto à nova ponte, onde antes havia uma rampa de acesso ao rio. Todas as informações técnicas existentes nesta ficha foram retiradas do artigo referido na bibliografia, publicado no Boletim da Ordem dos Egenheiros.