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Quinta da Agrela

Quinta da Agrela

O ponto de interesse Quinta da Agrela encontra-se localizado na freguesia de Agrela no municipio de Santo Tirso e no distrito de Porto.

Quinta com zonas distintas, de produção e de recreio, com jardim estruturado em terraços interligados por escadas. Nos moldes das quintas de recreio portuguesas, estão estabelecidos percursos e zonas de estadia sombreados por latadas. A rede de caminhos formaliza a articulação do espaço, e as zonas de estadia situam-se e modo a possibilitar a melhor fricção do sistema de vistas para a envolvente, destacando assim os pontos privilegiados para o efeito. O projeto resulta assim da topografia do terreno e do clima da região refletido na escolha de espécies vegetais especialmente bem adaptadas à mesma. O seu assento da lavoura destaca-se pelo agrupamento de elevado número de diferentes tipos de construções rurais, primorosamente projetadas por Caldeira Cabral, constituindo um dos mais ricos núcleos do género, pela variedade e pela qualidade arquitetónica e construtiva dos referidos edifícios.

Quinta composta por duas zonas distintas, uma residencial e de lazer, que inclui a casa de habitação, o jardim e os terrenos utilitários desta casa e outra zona com função agrícola, separada da primeira por estrada sobre linha de festo, composta pelos campos agrícolas e construções do assento da lavoura. A primeira zona situa-se, ou entre a casa de habitação e a estrada, separadas por cortina de árvores e arbustos ou em vertentes orientadas a S. E. e O.. Nestas, o jardim apresenta o terreno armado em TERRAÇOS, tirando partido do sistema de vistas sobre o Vale do Sobrado, suportados por um complexo sistema de muros de suporte em pedra seca. Estes muros são construídos em xisto com coroamento em granito. Fronteiro às fachadas O. e S. existe o TERRAÇO DA CASA, á cota de soleira da mesma. Este terraço apresenta defronte da fachada O. e separada por caminho com cerca de 8 m. em tout-venant, um RELVADO, contido exteriormente por uma orla de árvores e arbustos, da qual é separado por um caminho pedonal com cerca de 1,5m que assume um formato de ferradura. Esta orla isola este relvado do limite O. da propriedade. Colateralmente ao mesmo, a S., cerca de 2 m abaixo, ligado por escada de 10 degraus, existe um terraço estreito ao longo do qual se encontram, de um lado bancos, ensombrados por uma pérgula, proporcionando uma zona de estadia com vista sobre o vale do lado oposto um canteiro com arbustos do género Rhododendron. Descendo-se por escada, também de 10 degraus, entra-se no TERRAÇO DO TANQUE, este com 18x6m, situado ao centro, com adução de água por concha com cerca de 1m de diâmetro esculpida em granito, rodeado por bancos do mesmo material, envolvido por rododendros (Rhododendron arboreum Sm.), azáleas (Rhododendron indicum L.) e cameleiras (Camellia japónica L.) Este tanque é ensombrado por um exemplar notável de magnólia-chinesa (Magnólia soulangeana) de flor branca e possui nenúfares brancos (Nymphaea alba) implantados nas suas águas;. Descendo-se no extremo S. deste terraço encontra-se um MIRANTE sobre o vale, também ele com bancos adossados no muro, ensombrados por uma pérgula preenchida por uma glicínea (Wisteria floribunda (Willd.) DC.). Este terraço constitui o extremo SO. da propriedade e encontra-se ligado à Estrada do Sobrado por vários lanços de escadas que conduzem a um portão de grade. O terraço da casa em frente à sua fachada S. possui plantado um exemplar notável de um pinheiro-do-Paraná (Araucaria angustifolia). É limitado por muro de suporte cujo coroamento fica cerca de 1m acima da cota do solo e no qual vamos igualmente encontrar bancos adossados, sombreados por uma pérgula suportando videira (Vitis vinífera), com vista para um terraço situado a uma cota 3,9 m inferior, onde está instalado o ROSEIRAL. A comunicação entre ambos é assegurado por uma escada a E. dos mesmos. Este jardim formal, de canteiros definidos por banquetas de buxo, apresenta um traçado retilíneo elaborado, simétrico a partir de dois eixos, um transversal e outro longitudinal. Nos interstícios deste desenho, nas zonas de canteiro, estão plantadas rosas. As zonas pavimentadas do jardim são em tijoleira disposta em espinha. A revestir o referido muro de suporte encontram-se rosas de trepar e dois bancos que enquadram uma pequena "sala de fresco" com tanque e bancos no interior. O roseiral é separado a S. do JARDIM DOS LÍRIOS (Iris germanica), por muro de suporte de 1 m, situado este num último patamar, já praticamente ao nível da estrada. De carácter totalmente informal, em oposição ao anterior jardim, este apresenta árvores dispostas irregularmente no terreno entre as quais se encontram plantados grupos de lírios. Este jardim comunica com o terraço da casa, por uma rampa sinuosa, em diagonal, que separa a zona de jardim dos terrenos agricultados. Nestes terrenos situam-se, as estufas, os viveiros, as hortas, o laranjal e um prado permanente para corte de feno. A separação entre esta e a zona E. da casa é efetuada por um caminho retilíneo, com a orientação E.-O., delimitado a S: por um muro de suporte, que tem ao longo do seu coroamento uma sebe em buxo (Buxus sempervirens), com cerca de 2,20 m de altura, que abre para a zona do vale agrícola por meio de janelas nele talhadas, estabelecendo uma ligação visual com a paisagem. Esta sebe ladeia de ambos os lados um caminho que conduz, a partir da casa em primeiro lugar a um pequeno jardim informal, de seguida vamos encontrar, separada por buxo, uma zona arrelvada de planta retangular, destinada a coradouro. Esta zona comunica com outra também arrelvada, com uma área aproximadamente 1/6 da primeira, destinada à secagem da roupa no extremo do qual termina o caminho retilíneo delimitado bilateralmente por buxo. A N. desta zona situa-se dois tanques em pedra que constituem um lavadouro coberto por alpendre, a O. deste existe um tanque quadrangular com cerca de 5m de lado, e a E, outro tanque de rega, este de grandes dimensões, com planta retangular, com cerca de 20x7m. A zona agrícola, de produção da quinta encontra-se, na sua maior parte em frente à casa, na encosta virada a N., e inclui vasto núcleo de construções agrícolas, como residências de caseiros, sequeiro e respetiva eira, cavalariça, palheiro, vacaria, silos, nitreira, lagar, pombal, celeiros e um telheiro seguindo-se vastos campos agrícolas.

Materiais

INERTES - muros, tanque e respectiva concha de adução de àgua, bancos, esteios de apoio de pérgulas e pavimentos em granito; pavimentos e muros em xisto; pavimentos em tijoleira e em terra batida. VEGETAL - Árvores: cameleira (Camellia japonica), laranjeira (Citrus sinensis), magnólia-chinesa (Magnolia x soulangeana), pinheiro-do-Paraná (Araucaria angustifolia); Arbustos: bambu (Arundinaria falconeri), buxo (Buxus sempervirens), rododendro (Rhododendron ponticum L.), azáleas (Rhododendron indicum L. ), roseira (Rosa sp.); Herbáceas: lírio (Iris germanica), nenúfar branco (Nymphaea alba); Trepadeiras: glicínia (Wisteria sinensis), videira (Vitis vinifera).

Observações