Espaço verde de recreio. O passeio Público , novecentista. foi convertido na década de 50 em jardim público de estadia onde a tentativa de isolamento das contingências da envolvente (isolamento visual e sonoro da linha de caminho de ferro) evidenciam o espírito modernista de uma valorização da estadia do utente, para melhor usufruição das potencialidades do lugar.
Orientado no sentido NE. SW. sendo constituído por três arruamentos longitudinais, paralelos ao muro que o separa da linha de caminho de ferro, e um passeio paralelo à linha de costa, ligeiramente enviusado em relação aos primeiros. Entre estes quatro caminhos estão definidos quatro canteiros longitudinais encontrando-se o canteiro situado mais perto da linha de costa e o canteiro adjacente a este interrompidos por 3 caminhos secundários perpendiculares aos primeiros. Os primeiros três arruamentos referidos possuem bancos, no do centro - o caminho principal do jardim - bilateralmente, frente a frente e nos adjacentes unilateralmente, nestes últimos orientados de forma a que os passeantes se encontrem sentados defronte para o rio para desfrute da paisagem ribeirinha. No caminho situado junto à linha de costa não encontramos bancos. Nos três percursos transversais, só no central vamos encontrar bancos, que se encontram distribuídos ao longo das suas duas margens, frente a frente. Na placa arborizada frente ao topo deste percurso, está situada uma zona de estadia composta por uma pérgula, aproximadamente rectangular, com duas entradas a partir do caminho principal. Esta construção com cobertura em traves de madeira, assente por colunas em alvenaria, com pavimento em pedra, alberga junto aos seus limites vários bancos de madeira, orientados uns frente aos outros, constituindo assim uma sala de estar ao ar livre. Esta pérgula apresenta de cada lado um lago cuja forma é, no sentido do comprimento a de rectângulo que em cada topo assume uma forma côncava, semicircular, onde se situa cada um dos dois peixes em pedra que promovem a adução de água ao lago. Os canteiros são bordejados por árvores, revestidos a relvado, crescendo no seu interior arbustos ou manchas de herbáceas em canteiros com posição central. A N. desta composição situa-se um coreto de planta octogonal, com base em alvenaria e cobertura em ferro com uma cúpula, a SE. articulam-se duas escadarias em ferro forjado, com 10 degraus com portão. O palco é protegido por um gradeamento em ferro forjado e, em cada uma das arestas do polígono, erguem-se oito colunas em ferro fundido que suportam a estrutura onde assenta a cobertura. As colunas apresentam associados arcos em ferro forjado para reforço do travamento da cobertura. O tecto é construído por ripas em madeira.
Materiais
INERTES: alvenaria - base do coreto e colunas da pérgula, coreto em ferro, bancos em madeira, inscrição em pedra, pavimento em gravilha.. VEGETAL: árvores - choupo-negro (Populus nigra), freixo (Fraxinus angustifolia), ginco (Ginkgo biloba), grevilea (Grevillea robusta), jacaranda (Jacaranda ovalifolia), palmeira-das-canárias (Phoenix canariensis), palmeira das vassouras (Chamaerops humilis), plátano (Platanus orientalis); arbustos - loendro (Nerium oleande), miosporo (Myoporum tenuifolium), pitosporo ( Pittosporum ondulatum); herbáceas - agapanto (Agapanthus praecox), clorofitos (Chlorophytum comosum), nenúfar (Nymphaea spp.); trepadeiras - bougainvilea (Bougainvillea glabra).
Observações
*1 - O Arquiteto Paisagista Francisco Caldeira Cabral conservou as árvores adultas pré-existentes no local, sobretudo os ulmeiros e manteve as três ruas longitudinais, embora conferindo-lhes importâncias diferentes já que, segundo as suas palavras "julgamos indispensável dar-lhes características diferentes porque nos parece pouco lógico construir três ruas iguais e paralelas, quasi encostadas umas às outras. Assim não só o conjunto de torna monótono como as pessoas ficam indecisas entre três possibilidades de igual valor." Assim estreita para 6 m. a rua do lado nascente, alargando o espaço de plantação junto à linha férrea isolado o jardim da sua influência, mantém a largura de 9 a 10 m. na rua central" e cria-se junto à margem uma rua mais estreita com de 2m. que comunica com 3 largos para estar mesmo à beira rio". Também a nível de plantação procurou diferenciar bem as ruas de forma a que a rua central aparente ser mais larga. Entre a rua de 2 m. e a margem do rio projectou apenas relva e alguns grupos de árvores da vegetação ribeirinha, " - choupos e salgueiros - que formarão o primeiro plano da paisagem. Não se julgou conveniente aqui a existência de flores porque não parece desejável distrair a vista da beleza do rio. O todo é fechado com uma sebe de 0.60 m. de altura e 1 m. de largura que impede as crianças de se aproximarem demasiado do rio, sem contudo tirar a vista." Caldeira Cabral propõe integrar a margem natural do rio no arranjo do parque, plantando apenas grupos de salgueiros e criando um caminho acima da linha de máxima cheia. Esta sua pretensão foi contrariada por razões de segurança como evitar o acesso directo de crianças ao cais.