Arquitectura agrícola, vernácula. Moinho de água, de planta rectangular e de um rodízio, com dois pisos e cobertura de colmo, a duas águas, seguindo a tipologia comum dos moinhos de água do Norte. Fachada principal com porta de verga recta, com data de construção gravada, e na lateral direita a abertura sub-rectangular para o cabouco. Sistema de moagem no segundo piso, formado pela moenda, com pouso e andadeira, protegida por cambeiras, com moega piramidal de madeira, cujo prolongamento do rebordo superior se apoia em barrotes.
Planta rectangular, de dois pisos. Massa simples com cobertura de colmo de duas águas, sobreposta por pedras de granito. Fachadas em cantaria de granito, com três fachadas em fiadas de aparelho irregular, rematadas por capeamento em lajes de granito e a quarta, a E., em pedras irregulares. Fachada principal voltada a N., terminada em meia empena, visto a metade NE. Se apresentar incompleta, e com o cunhal NO. horizontalizado, rasgada descentradamente por porta de verga recta, com a data de 1857 inserida em cartela inscrita na verga, ladeada a O. por mísula. Fachada S. cega; fachada E. pouco evidenciada, marcada pelo caleiro que transporta a água até ao rodízio; fachada O. com 2 registos, sendo o cabouco rasgado por amplo vão de acesso ao rodízio, e o sobrado cego. INTERIOR com paramentos em cantaria de granito aparente. No primeiro piso, o cabouco, processa-se a captura de energia, através da água que, com grande força é lançada pelo cubo (túnel em pedra com grande inclinação que conduz a água desde a caleira de alimentação) sobre as penas do rodízio, de madeira, que, através de um eixo, faz girar as mós. No segundo piso, em terra batida, localiza-se o sistema de moagem. A "moenda" é constituída pelo pouso (mó inferior e fixa), inserida num bloco de cantaria, e pela mó ou andadeira, mais delgada, de face inferior plana e a superior ligeiramente cónica, esta protegida por anteparo de cantaria (as cambeiras). O grão é armazenado na moega, de madeira, de forma tronco-piramidal, invertida e truncada, por onde cai o grão para dentro da quelha ou caleira de madeira, sendo a moega suspensa através do rebordo superior, apoiado em barrotes verticais fixos no pavimento e no travejamento do tecto. A moenda é ladeada de ambos os lados por muretes de cantaria, onde se apoiam vários barris, à esquerda, e se empilham várias garrafas, à direita. Tecto com travejamento de madeira à vista para suporte da cobertura.
Materiais
Estrutura e mós de granito; porta, estrutura da cobertura, "moega", veio e rodízio em madeira; cobertura exterior de colmo.
Observações
*1 - O moinho funciona quando a ribeira transporta água suficiente; o interior do moinho serve, também, de adega, aí estando guardadas pipas de vinho e garrafas. *2 - Este tipo de construção usual em meio rural tem vindo a desaparecer aceleradamente, devido à perda de funcionalidade.