Arquitectura militar, românica e quinhentista. Castelo medieval de defesa fronteiriça e de guarda a estrada medieval, de planta irregular, com dupla muralha, a barbacã construída no séc. 16, tendo várias torres de planta quadrangular e cubelos. Duas portas de acesso, uma delas dupla, de perfil em volta perfeita. No interior, a malha urbana desenvolve-se de forma desordenada, estruturando-se à volta de um largo. Implantação do castelo e vila fortificada junto de uma via de circulação que remontaria à época romana, de crescente importância na Idade Média em virtude do seu significativo papel na defesa da fronteira transmontana. Aparentemente, Vinhais revela-se um caso típico de fundação, criação, consolidação e declínio de um burgo medieval mediante a sua evolução histórica; dessa realidade física, sobrevivem as portas norte e sul do núcleo muralhado, a primeira com vão duplo, e os vestígios de uma cintura dupla de muralhas, a exterior de construção quinhentista, além de algumas manchas, mais ou menos perceptíveis da malha urbana, potencialmente medieval. Junto à barbacã corre uma via paralela e que se mostra mais eficiente do ponto de vista de organização urbana, seguindo os ditames classicistas. Diferenças sensíveis de altura dentro do conjunto de muralhado, principalmente a N.. Existência de várias torres, algumas reformadas, com a abertura de vãos neogóticos e coroação por merlões e pináculos. Nichos sobre as portas, um deles com imaginária.
Planta irregular, na sua generalidade com construções em xisto, de que subsistem apenas alguns panos dispersos da dupla muralha, com merlões, escassos vestígios de cubelos e de torres, além de duas portas. A partir do Antigo Largo do Arrabalde, a N., hoje designado Largo dos Combatentes da Grande Guerra, na confluência da Rua das Freiras, sobe-se na direcção da antiga cidadela e passa-se por porta dupla em arco de volta perfeita, com nichos nos extra e intradorso do topo, protegidos por pequena vidraça. O primeiro é simples, mas o interior é tripartido e possui uma imagem de Santo António. Do exterior resta apenas o arco, embebido na caixa murária dos edifícios que o flanqueiam; contudo, a porta interior mantém ainda parte da estrutura original, com um dos torreões laterais no lado esquerdo, relativamente bem conservado, inclusive no espaço interno, com acesso efectuado a partir de uma das casas de habitação. Do outro torreão, só se observa a parte inferior, tendo sobreposta uma casa de habitação. A S., situa-se outra porta, igualmente em arco de volta perfeita e com nicho vazio envidraçado, no intradorso. Também esta apresenta o aproveitamento das muralhas para a construção de casas de habitação, fazendo com que a estrutura da porta fique embebida no aglomerado. Exteriormente, detecta-se a presença de muros com aparelho de xisto que remetem para a segunda cintura de muralhas, nomeadamente para um dos seus cubelos *1. Um conjunto de habitações acompanha o que terá sido a muralha exterior que corre pelos terrenos aproveitando o relevo, sendo as ruas paralelas a essas habitações; após estes espaços rodoviários, a urbe ergue-se de forma aparentemente desordenada, em que as ruas são orientadas todas para um único ponto, o chamado Largo do Pelourinho. A E. da zona muralhada volta-se a encontrar mais uma série de vestígios do castelo, traduzidos quer em troços de panos de muro, quer numa torre quadrangular. Toda a vertente nascente, de acentuado desnível e sem qualquer tipo de acesso, apresenta-se ainda cingida por restos da fortificação, paralela à qual corre arruamento, tendo ao fundo os restos de uma torre, rasgada por janela em arco apontado e com pináculos piramidais a rematar os cunhais.
Materiais
Xisto argamassado com barro; alvenaria de granito; vidro nas janelas, ferro nos caixilhos.
Observações
*1 - segundo informação do GTL da Câmara Municipal de Vinhais, registou-se a existência de um cubelo em posição oposta, parcialmente visível e pertencente à cintura exterior das muralhas; esse elemento está situado no quintal de uma propriedade privada. *2 - este informa que o seu perímetro rondaria os 300 metros e que a sua torre de menagem, adossada e de planta rectangular (com c. 27 m2 de superfície), se encontrava em mau estado de conservação, pois estava "toda derybada da parte de dentro da vylla", motivo pelo qual o alcaide morava numa outra torre da fortaleza; acrescentava que possuía mais cinco torres, quase todas com cerca de 8 m. de altura, à semelhança do pano da muralha, e uma sexta com 12,54 m de altura, havendo duas que não estavam "bem firmes"; também elas eram rectangulares, a maioria de pequenas dimensões (c. 4 a 14 m2), excepto a mais alta, que apresentava 12,76 no lado maior do rectângulo e se situava sobre uma porta, sendo aposento do alcaide; distariam umas das outras entre 35,64 m. e 95,70 m., à excepção de duas delas, dispostas lado a lado, junto a uma porta; além disso, detecta-se no debuxo, de forma bem nítida, vários "alicerces pera fundarem ao redor desta vila cobellos" ou torreões, bem como a indicação de lanços da barbacã, com portas em arco, nas proximidades de poços ou fontes perenes, com vista ao abastecimento de água. *3 - a fortificação era de pedra, alvenaria, barro e cal, medindo cerca de 450 passos de circunferência, e por ela se distribuíam sete torres, duas ao lado da parte que sai para o terreiro e onde acabava a última porta de três; a S., outras duas torres mais duas portas com um intervalo de comprimento; para nascente, uma quinta torre, chamada a do Souço, e, entre esta e o S., uma outra, estando a sétima situada para poente; nesta cintura de muralhas havia ainda uma pequena porta falsa, a do Sol, entretanto entaipada com pedra; quanto à segunda cintura de muralhas, ela "distava quinze pés da interior, possuía quatro tenalhas redondas, em proporcionada distância das torres do mesmo interior; estava esta cintura guarnecida com peças de artilharia".