Arquitectura cultural, ecléctica. Cine-teatro de planta rectangular, de cena contraposta, com lotação para 876 lugares, distribuída por plateia, frisas junto ao fosso de orquestra e 3 ordens de balcões. Plateia com pendente, provida de coxia central. Fosso de orquestra. Palco de configuração rectangular, com pendente, dotado de boca de cena e proscénio. Caixa de palco com teia, varanda e subpalco. Camarins distribuídos em dois pisos com acessos verticais e horizontais abertos para o palco. Cabina de projecção em espaço independente, localizada no balcão de 1.ª ordem. Trata-se assim de um auditório tipo A1 (salas de espectáculos) de 2ª categoria (entre 500 a 1000 lugares), com palco de tipo B2 (espaços cénicos integrados), com espaços de apoio dos tipos C1 (locais de projecção e comando), C2 (locais de apoio) e C3 (locais técnicos e de armazenagem).
Planta rectangular, desenvolvida segundo o eixo O.-E., de volumetria compacta e coberturas escalonadas e diferenciadas em telhados de 4 águas e em terraço. Dispõe de duas frentes urbanas, alinhadas com a via pública, sem uma fachada preponderante, característica reforçada pela localização da entrada principal no gaveto (actualmente desactivada). A fachada N., voltada à Av. José da Costa Mealha, estrutura-se em três pisos, sobressaindo o volume do corpo dos camarins e da caixa de palco, mais alto que o corpo do átrio / foyers - este com cobertura em terraço -, comportando um quarto piso. Na fachada O. destaca-se o corpo do auditório, centralizado e elevado sobre os dois corpos que o ladeiam, correspondentes, respectivamente, ao átrio/foyers (N.) e às escadas de acesso ao balcão de 3.ª ordem (S.). A composição das fachadas, cadenciada pela fenestração regularizada na horizontal, piso a piso, e alinhada na vertical, evidenciando a desigualdade de pé-direito, parte da divisão em diversos panos, acordada à organização e distribuição dos espaços interiores. No conjunto, o edifício apresenta fachadas rebocadas e pintadas de amarelo, sobressaindo uma esquadria de linhas verticais e horizontais pintadas de branco correspondentes, respectivamente, às pilastras que definem os panos e aos frisos que demarcam pisos. Uma cornija saliente percorre todo o edifício ao nível do piso 2, acima desta emergindo os panos dos corpos alteados dos camarins (N.) e do auditório (O.), igualmente rematados por cornija saliente e enquadrados lateralmente por pilastras, colocadas a eixo das existentes nos panos inferiores: o pano N. é rasgado por janelão semicircular de iluminação de uma sala aberta para a caixa de palco e quase ao nível da teia, e o pano do lado O. é cego. Os vãos são rectangulares nos dois primeiros pisos e de verga abatida no piso 2, com excepção dos dois óculos circulares do corpo dos camarins, encontrando-se todos providos de molduras. As janelas dos pisos 1 e 2 têm no primeiro terço superior um friso a recortar a moldura pelo exterior. As pilastras, com base e capitel, que seccionam os alçados, arrancam de uns "plintos" aplicados a toda a altura do piso térreo: mais largos do que as pilastras e com efeitos a sugerir silharia fendida, estes "plintos" assemelham-se a um grande embasamento, apesar de entrecortado pelas sucessivas portas de acesso ao edifício, e a partir do qual se retoma a composição dos diferentes alçados. Uma dupla pilastra reforça a separação nítida, no alçado N., da zona técnica e de apoio à cena (caixa de palco e camarins) do corpo que alberga as circulações e os espaços de estar para o público; aqui, nova pilastra assinala a compartimentação interior, destacando o vão das escadas das zonas de átrio / foyers e originando um estreito pano; seguem-se depois os amplos espaços de entrada e de foyer / bar, cuja tradução em alçado é determinada pela importância atribuída à composição do gaveto, enquanto corpo de articulação entre as fachadas N. e O.: a pilastra que do lado N. não permite o desenvolvimento em um só pano do compartimento correspondente ao átrio (piso 0) e aos foyers (piso 1 e 2) está ali aplicada por exigências de simetria com o pano O., este a assinalar a transição dos espaços de estar para o público com o espaço do auditório. O corpo central da fachada E. desenvolve-se num pano único, o mais extenso e naturalmente correspondente ao auditório, demarcado em altura e reforçado a S. por outra pilastra divisória a assinalar o espaço das circulações verticais secundárias. Todos os elementos utilizados na composição dos alçados resultam de modelação em betão simulando trabalho em cantaria, com excepção da fachada do corpo de gaveto, integralmente revestida com silhares pétreos. Aqui se localiza a entrada principal, realizada através de porta de verga recta, encimada pela varanda do piso 1, assente em mísulas e provida de guarda em balaustrada. O foyer / bar do balcão de 1.ª ordem dispõe de um acesso à varanda, espaço que surge enobrecido por duas pilastras com capitéis ornamentados a suportarem um entablamento que sustenta um frontão triangular, interrompido nos ângulos da base para receber duas carrancas, simbolizando a comédia e a tragédia; no piso superior, correspondente ao foyer do balcão de 3.ª ordem, de menor pé-direito, idêntica solução, embora adaptada à hierarquização da distribuição do público no auditório: um vão em arco abatido, com voluta no fecho e trabalho em cantaria sugerindo uma sacada. INTERIOR: Caixa de palco a E. e auditório a O., com espaços de apoio à cena (camarins) e espaços de estar (foyers) e apoio (circulações, bar e bilheteira) para o público localizados a N., entre os vãos da caixa de palco e do auditório e a rua. Espaços de ESTAR E APOIO PARA O PÚBLICO - no piso 0 situam-se o átrio e foyer térreo (6 m x 14 m x 3,9 m), com a bilheteira e o bengaleiro (desactivados). A entrada, antes realizada pelo acesso aberto no gaveto, é actualmente feita pelas portas laterais N. No topo nascente do foyer localiza-se o núcleo de escadas principal, com estrutura em madeira, guarda em ferro e patamares intermédios de lanço de arranque central e dois laterais. Estas escadas, que asseguram comunicação vertical do piso 0 ao terraço, não permitem aceder directamente ao auditório, com a excepção do balcão de 2.ª ordem, cuja entrada se faz a partir de uma porta de entrada lateral na sala, aberta no patamar intermédio do piso 2. O acesso do público ao balcão de 1.ª ordem, cujas portas se localizam ao fundo da sala, realiza-se através destas escadas pelo foyer do piso 1 (6 m x 14 m x 4,8 m), solução idêntica repetindo-se no piso 2, com a variante da entrada no balcão de 3.ª ordem se localizar no próprio foyer (6 m x 14 m x 2,9 m), sendo portanto lateral. O acesso à plateia (piso 0) realiza-se a partir de um corredor paralelo à fachada O. (R. Frutuoso da Silva). Os vãos de porta aí existentes funcionam como saída para o exterior, acumulando a função de saída de emergência. Na fachada O., a porta mais a S. permite aceder a um núcleo de escadas secundário, de ligação directa ao balcão de 3.ª ordem, embora possibilite igualmente aceder aos outros balcões. No lado S. do auditório, em todos os pisos, existe um corredor longitudinal que, no piso 0, possibilita o acesso às frisas, ao palco e ao logradouro, onde existem umas escadas exteriores de saída de emergência a ligarem o piso 0 ao último balcão do auditório. A passagem para o interior do edifício faz-se pelas instalações sanitárias localizadas neste lado e piso do auditório. Espaço do AUDITÓRIO - espaço independente, ligado ao palco pela boca de cena, de planta rectangular e contando com uma lotação de 876 lugares distribuídos por plateia (296), balcão de 1.ª ordem (179), balcão de 2.ª ordem (135) e balcão de 3.ª ordem (c. 150), além das frisas junto à boca de cena (4), duas de cada lado. Plateia com pendente de 7 %, de coxias longitudinais laterais e central, e transversais de fundo e de boca, equipada de cadeiras fixas, forradas de tecido verde; pavimento em alcatifa e paredes rebocadas e pintadas de cor creme; o acesso e escoamento do público realizam-se por porta lateral centralizada (lado S.) (*1) e por três portas rasgadas na parede de fundo da sala (O.). Os balcões, prolongados por galerias laterais em consola, articulação que resulta num U aberto, dispõem-se escalonadamente pelo vão da sala: têm guarda em betão, de perfil convexo, com paramento rebocado e pintado, rematado por grelha com corrimão de madeira. A hierarquização dos lugares, criada pela disposição dos balcões, é confirmada pela decoração, no tipo de pavimento e nas cadeiras. Balcão de 1.ª ordem: acesso através de duas portas, localizadas no fundo da sala, junto à cabina de projecção, e que abrem para corredor de circulação paralelo à fachada O.; tem duas coxias longitudinais, 3 filas centrais (foram suprimidas 3) e 1 fila lateral (foi suprimida 1 fila); pavimento com alcatifa cor-de-laranja, cadeiras de estrutura em madeira forradas de material sintético a sugerir couro. Balcão de 2.ª ordem: acessos laterais, pelas escadas N. e O., com corredor de circulação a E. e acesso à escada que serve o balcão de 3.º ordem; coxia de fundo, que corre atrás da coxia lateral; coxia central para 6 filas centrais; pavimento de soalho, cadeiras de estrutura em ferro, com assento e espaldar em madeira. Balcão de 3.ª ordem: acessos laterais, a N., pelo bar/foyer do balcão de 3.ª ordem e a S. pelo corredor de ligação às escadas com saída pela fachada O.; pavimento em soalho, com bancadas em madeira, 6 filas centrais e 1 lateral. O tecto do espaço do auditório, estucado e pintado de cor creme, é enquadrado por friso saliente de cor contrastante (castanho), tendo ao centro uma moldura, de cor semelhante, dentro da qual se encontram os 4 candeeiros com sistema de iluminação regulável. Espaços cénicos - PALCO, ligado à sala pela boca de cena, com largura de 15,5 m e profundidade de 9,1m, para uma área de cena de 10 m x 7,1 m x 8 m, dispondo de coxias laterais, pendente de 2 %, paredes pretas, soalho de madeira disposto perpendicularmente à boca de cena e acesso de carga realizado através de antecâmara que liga ao palco vencendo um degrau . O portão de carga tem 1,5 m de largura por 2,6 m de altura. A boca de cena é rectangular, aberta numa parede de alvenaria, sendo sublinhada por duas pilastras laterais estriadas sobre as quais assenta um frontão triangular: tem de largura 10 m, até à altura da bambolina régia (a cerca de 5,5 m), passando depois a 8,5 m de largura (*2), fixando-se a sua altura nos 8 m. Diante do palco encontra-se o fosso de orquestra, coberto por avant-scène fixo. Espaços técnicos - a CAIXA DE PALCO com teia de estrutura e piso em madeira, com uma varanda lateral direita a 10 m do piso do palco. Conta com subpalco, de estrutura e piso em madeira, dotado de quarteladas não operacionais. A cabina de projecção situa-se ao fundo do balcão de 1.ª ordem, e constitui um espaço independente.
Materiais
Alvenaria de pedra, betão, vidro e madeira (exterior). Betão armado, alvenaria de tijolo maciço, madeira, ferro, alcatifa e pedra mármore (interior).
Observações
*1 - Existiria uma outra porta lateral do lado N., a abrir para o átrio e foyer térreo, e que terá sido suprimida para colocar as vitrinas que ocupam, neste espaço, a parede entre a porta de acesso às frisas, a E., junto ao bengaleiro, e a porta de acesso ao corredor, a O., que assegura a entrada para a plateia pelo fundo da sala; *2 - Esta variação nas medidas da boca de cena deve-se, provavelmente, a obras de adaptação da sala para cinemascope, implicando o alargamento da boca de cena até à altura do ecrã.