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Convento e Igreja de São Francisco

Convento e Igreja de São Francisco

O ponto de interesse Convento e Igreja de São Francisco encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Tomar (São João Baptista) e Santa Maria dos Olivais no municipio de Tomar e no distrito de Santarém.

Convento franciscano construído ao longo do séc. 17, com interessante igreja maneirista, de fachada erudita, com pórtico clássico e estrutura tripartida, evidenciando a compartimentação interna, de uma nave ladeada por capelas intercomunicantes, a primeira com espaço unificado e luminoso, seguindo o modelo da igreja jesuítica do Espírito Santo de Évora (v. IPA.00003839). Foi desativado no início do séc. 19, sendo ocupado por um contingente militar, no âmbito das Invasões Francesas, pelo que já está depauperado em 1834. Os militares abandonam o edifício em 1979, tendo passado a funcionar serviços camarários no local, mantendo-se a igreja aberta ao culto, pertença da Ordem Terceira de São Francisco. As fachadas são sóbrias, as laterais marcadas pelos contrafortes que sustentam a abóbada da nave. Interior com vários exemplares de azulejo de padrão seiscentista nas capelas laterais, onde surgem painéis pintados com molduras de talha, provenientes da Igreja das Trinas do Mocambo, em Lisboa, de excelente qualidade, atribuíveis a André Gonçalves e à oficina de António Oliveira Bernardes. Do mesmo cenóbio feminino, é proveniente a estrutura do retábulo-mor, sem os elementos internos que o compunham, dando lugar à introdução de um conjunto de figuras de madeira, quase em tamanho natural, que compõem os Passos da Paixão de Cristo, proveniente do Convento de São Francisco de Xabregas, em Lisboa. O claustro principal é amplo, regular e erudito, com dois pisos, o inferior marcado por arcadas, entaipadas durante o séc. 18, a que correspondem, no segundo piso e a cada uma delas, dois vãos retilíneos seccionados por pilares toscanos, criando uma ambiência mais intimista nas alas superiores da quadra. Um segundo claustro, amplo adossa-se a este, de dois pisos, rasgado regularmente por vãos retilíneos. Adossada à igreja, foi construída a Messe dos Oficiais, um edifício moderno, construído em meados do séc. 20, posteriormente demolido. A única estrutura de talha que subsistirá no convento é o retábulo de São Francisco, exemplar da segunda metade do séc. 18, com corpo convexo e interessante decoração de acantos. Parte da cerca ainda se conserva a ocidente.

Conjunto conventual, composto pela igreja e a zona regral a desenvolver-se no lado esquerdo, havendo, a ocidente, várias dependências de apoio, arruinadas e vestígios da primitiva cerca. Forma uma planta poligonal regular. IGREJA de planta retangular composta por nave, flanqueada por capelas intercomunicantes, capela-mor e sacristia, ante-sacristia, ambas adossadas ao lado esquerdo, e torre sineira no lado direito, de volumes articulados e coberturas diferenciadas em telhados de duas águas, rematadas em beiradas simples, sendo em domo na torre sineira. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, flanqueadas por cunhais apilastrados, firmados por pináculos piramidais sobre altos plintos paralelepipédicos, e rematadas em frisos e cornijas. Fachada principal virada a nordeste, rematada em friso e cornija, sobre a qual evolui frontão recortado, interrompido no topo por cruz latina e com o tímpano rasgado por óculo circular, em capialço. Encontra-se dividida em três panos, definidos por pilastras firmadas por pináculos, o central de maiores dimensões, e em dois registos seccionados por friso de cantaria, interrompido ao centro pelo remate do portal. No pano central, no registo inferior, portal de verga reta e moldura simples em cantaria, flanqueado por pilastras toscanas, de fustes almofadados sobre altos plintos paralelepipédicos, de faces almofadadas, encimadas por entablamento e pináculos piramidais, que centram frontão semicircular decorado por reserva ovalada, envolvido por elementos recortados e volutados, interrompidos por cruz latina. Está ladeado por janela retilínea, com moldura recortada, protegida por grades de ferro e tendo na base, cruzes latinas embutidas na estrutura murária, sobre plintos galbados. No segundo registo, surgem três janelas retilíneas, em capialço, aparecendo, no topo, óculo circular. Cada um dos panos laterais é mais baixo, tendo como remate, encimado por um registo que cria uma aleta de perfil contracurvo; em cada um deles, rasgam-se duas janelas retilíneas em eixo, com molduras recortadas. Atrás da aleta do lado direito, ergue-se a torre sineira, com três registos definidos por frisos e cornijas, os inferiores cegos, surgindo apenas pequeno óculo na face virada a nordeste, tendo, no topo, quatro ventanas de volta perfeita. A estrutura remata em frisos e cornijas, com pináculos e gárgulas de canhão nos ângulos. As fachadas laterais evidenciam a estrutura interna da nave, com as capelas mais baixas, sobre as quais descarregam os cinco contrafortes da nave, permitindo rasgar quatro janelas retilíneas em capialço, as da fachada esquerda inviabilizadas pelo adossamento da zona regral. No corpo da capela-mor, surgem quatro janelas em capialço, duas de cada lado, as da lateral esquerda, entaipadas pelo adossamento da sacristia. A lateral direita evidencia vestígios de vãos entaipados, um deles com moldura de cantaria e remate em friso, cornija e pequeno espaldar volutado, ladeado por pináculos e encimado por cruz latina; no topo das capelas laterais, rasga-se janela em capialço. Fachada posterior rematada em empena, sobre a qual é visível a empena do arco triunfal, rasgada por óculo circular; no corpo da sacristia, surge janela retilínea. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, as da nave definindo quatro panos pelas pilastras que seccionam o espaço, evoluindo em dois registos definidos por frisos e cornijas, tendo cobertura em abóbada de berço, de alvenaria rebocada e pintada de branco, e pavimento em tijoleira. Coro-alto sobre três arcos abatidos assentes em pilares de cantaria, com guarda balaustrada e acesso por portas laterais de verga reta. Sobre duas das janelas do coro, sanefas de talha dourada. Portal axial protegido por guarda-vento de madeira e vidro simples. O sub-coro tem as paredes revestidas a azulejo de padrão policromo, formando massarocas, com cobertura em abóbadas de aresta, pintadas com brutesco dourados sobre fundo branco, e pavimento em lajeado. Nos pilares do sub-coro, duas pias de água benta embutidas, em cantaria de calcário, de corpo bojudo e bordo saliente. Ainda no sub-coro e confrontantes, surgem, dois espaços com acesso por arcos de volta perfeita, sobre pilastras toscanas, o do lado do Evangelho, parcialmente entaipado, integrando porta de verga reta, encimada por quadro pintado. Constitui uma dependência de apoio, com escadas de madeira de acesso ao coro-alto, surgindo, no lado oposto, capela dedicada a Santa Iria. As capelas laterais abrem para a nave por arcos de volta perfeita, três delas profundas, sendo duas delas à face, permitindo rasgar escadas no seu interior, estas com as cantarias pintadas a imitar embutidos de mármore. São dedicadas à Anunciação, Nossa Senhora de Fátima, Santa Clara e Cristo Crucificado (Evangelho); no lado oposto a São Sebastião, Nossa Senhora da Conceição, Santíssimo e São Francisco. A partir desta, acede-se à Capela dos Terceiros, um espaço retangular com cobertura em falsa abóbada de berço, de alvenaria pintada a imitar caixotões pintados com brutescos em tons de verde e amarelo sobre fundo branco. Possui dois nichos em pedra com remate em verga de ressalto no alto das paredes e, sobre a porta de entrada, pedra armoriada com inscrição. No topo, altar em cantaria, adaptado a armário. Confrontantes, dois púlpitos quadrangulares, com bacia de cantaria, assente em mísula, e guarda de madeira pintada, o do lado da Epístola ativo e com acesso por porta de verga reta, a partir de escadas rasgadas na espessura do muro. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras, enquadrado por alfiz em cantaria. Capela-mor com as paredes rebocadas e pintadas de branco, com cobertura em abóbada de berço com caixotões de cantaria e pavimento em lajeado. Sobre supedâneo de um degrau, a mesa de altar, em cantaria de calcário, composta por dois pilares e tampo simples. Sobre supedâneo de degraus centrais, com os maciços protegidos por guarda metálica, o retábulo-mor de que apenas subsiste a estrutura frontal, de talha pintada de marmoreados fingidos e apontamentos dourados, de corpo reto e colunas torsas assentes em plintos paralelepipédicos a que se adossam consolas, que se prolongam em duas arquivoltas torsas, unidas por aduelas no sentido do raio, estas ligadas por cadeia vegetalista, tendo fecho saliente, recortado e contendo festão de flores. A sacristia é retangular, com cobertura em abóbada de berço abatido, com motivos de albarradas a fresco por cima da sanca, também ela pintada imitando dentículos, possuindo um pequeno lavabo em forma de concha. A ZONA REGRAL desenvolve-se em torno de dois claustros dispostos paralelamente, o principal quadrangular e um amplo pário retangular, com várias árvores na quadra, de volumes articulados e coberturas diferenciadas em telhados de duas e uma água. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por faixas pintadas de amarelo e rematadas em frisos e cornijas. Fachada principal virada a oriente, com dois pisos de vãos, definidos por friso de cantaria. O inferior tem três portas, as exteriores retilíneas e a central em arco de volta perfeita, intercalado por treze janelas de peitoril retilíneas e três óculos. O superior possui dezasseis janelas de peitoril retilíneas. Fachada lateral esquerda com dez vãos em cada piso, o superior correspondente a janelas de peitoril e, no inferior, janelas de peitoril e janelas jacentes de arejamento. Fachada lateral direita adossada à igreja. INTERIOR do CLAUSTRO PRINCIPAL com dois registos separados por friso de cantaria e rematados em entablamento. O inferior forma arcos de volta perfeita assentes em pilares, os arcos atualmente entaipados e com janelas de peitoril, exceto os centrais, por onde se faz o acesso à quadra; no superior, vãos catorze vãos retilíneos, marcados por pilares toscanos e com guarda balaustrada, parcialmente entaipada. As galerias do piso inferior têm coberturas em abóbadas de aresta e as do piso superior em abóbadas de berço abatido, em alvenaria caiada. A portaria é quadrada com cobertura em abóbada de aresta apoiada em coluna central toscana e silhares de azulejo de massaroca nas paredes, ligando em frente com o pequeno vestíbulo da escadaria. A porta de ligação, desse lado, possui lintel com invulgar decoração de volutas e enrolamentos vegetalistas. Nos topos, duas portas dão acesso ao Claustro e ao Pátio Grande, respetivamente. A escadaria de cantaria de dois lanços, termina em patamar, para onde abre uma comprida sala com teto de madeira. O CLAUSTRO GRANDE tem dois registos de vãos retilíneos, de moldura simples. No piso inferior, portas e algumas janelas de peitoril, surgindo, no superior, janelas de peitoril. A quadra tem serventia direta para a rua, a meio da ala virada a ocidente, através de um vestíbulo com cobertura em abóbada de berço, com silhares de azulejo de padrão azul e branco.

Materiais

Estrutura em alvenaria, rebocada e pintada; socos, pilastras, pilares, cornijas, pináculos, modinaturas, cruzes, pavimentos, bacias dos púlpitos em cantaria de calcário; retábulos de talha pintada e dourada; revestimentos e painéis de azulejo tradicional; mobiliário, guarda-vento, portas, pavimentos e tetos de madeira; pavimento da igreja e capelas em ladrilho cerâmico; janelas com caixilharias de madeira e vidro simples; cobertura em telha cerâmica.

Observações

*1 - DOF: Igreja de São Francisco e respectivo claustro; a classificação respeita apenas à igreja e ao claustro. *2 - Auto do estado do edifício no extinto convento de São Francisco em Tomar, que foi apropriado para quartel militar pelas obras ultimamente ali executadas - aos 15 dias do mês de Junho do ano 1869 nesta cidade de Tomar e edifício do extinto convento de S. Francisco apropriado para quartel militar pelas obras que ultimamente se alli fizeram, se reuniu o conselho composto do Major do Estado Maior Engº Miguel Baptista Maciel, do capitão Engº José Correia P. Pamplona, e que fora director das respectivas obras e do alferes do Batalhão de Caçadores nº 6, Manoel M. Dias, actualmente destacado nesta cidade (...) afim de na conformidade do disposto na ordem do exército nº 92 de 17 de Set. 1852 se proceder ao exame do estado em que ficou o edifício com as referidas obras ultimamente executadas e que terminaram há pouco, as quais tiveram por fim, como já foi dito apropriar o dito edifício para quartel dum corpo de infantaria; cumprindo também a este conselho depois de findo o exame do edifício fazer entrega dela ao último dos oficiais acima mencionados na qualidade de comandante do destacamento aqui da guarnição" (DSE: Tombo Militar, 1869). *3 - *8 - Descrição Predial: "Número 26905, a folhas 129 v. Do livro B 68º. Edifício que foi convento da Ordem de S. Francisco que consta de casa de 2 pavimentos e terreno anexo com outros edifícios para cavalariça, paiol e outros serviços situado no largo 5 de Outubro da cidade de Tomar a confinar com Francisco Pinto e Igreja de S. Francisco, nascente com o lg. 5 Outubro, sul com abegoaria e poente com aterro da estrada de Paialvo (...)" (DSE: Tombo Militar). *4 - o retábulo tinha, ao centro, trono em talha, com pintura amovível, representando a "Coroação da Virgem pela Santíssima Trindade", atualmente no Convento de Cristo, e lateralmente esculturas dos santos patriarcas da ordem dos trinitários. *5 - descrição da zona classificada e não classificada do antigo convento de São Francisco, devolvido ao Ministério das Finanças em 1979: - Prédio urbano, com entrada pela avdª. General Bernardo Faria, situado na freguesia de S. João Baptista, composto por edifício de forma quadrangular, com 2 pisos e claustro interior. Tem área coberta de 767 m2, e descoberta de 529 m2, correspondente ao claustro. Confronta do norte com a igreja de S. Francisco, do sul com CM Tomar (corpo do antigo convento), do nascente com via pública, e do poente com estado. Zona não classificada: Prédio urbano, com entrada pela avdª. General Bernardo Faria, situado na freguesia de São João Baptista, composto por edifício de forma quadrangular, com 2 pisos e pátio interior correspondente ao edifício principal do antigo convento. Tem área coberta de 1.507 m2, e descoberta de 1.306 m2, correspondente ao pátio. Confronta do norte com a parte classificada do antigo convento de S. Francisco, do sul com estado do nascente com via pública, e do poente com estado (DSE: Tombo Militar).