Arquitectura Política e Administrativa, do séc. 20. Paços do Concelho de planta trapezoidal de dominante horizontal, envolvendo dois pátios interiores, com cobertura em terraço, fachadas em cantaria de granito aparente, e torre ao centro com cobertura em cúpula. No interior, desenvolvido ao longo de sete pisos, destacam-se os paços perdidos do rés-do-chão, pela composição arquitectónica e pinturas, a escadaria monumental iluminada por clarabóias e andar nobre pelo mobiliário e elementos decorativos. Edifício emblemático de grande presença arquitectónica, destacado pela sua implantação privilegiada, numa das principais praças da cidade. A sua composição arquitectónica e decorativa foi baseada em elementos construtivos dos finais do século XIX, inspirados na Ópera de Paris e nos grandes Palácios do Norte da França e da Flandres. A cobertura é em lajes de betão armado, impermeabilizadas.
Planta trapezoidal, desenvolvida em seis pisos e cave, de dominante horizontal, envolvendo dois pátios interiores, torre ao centro e cobertura em terraço. Fachadas em cantaria de granito aparente, de aparelho isódomo intercalado com fiadas salientes e arestadas no piso térreo. A fachada principal, orientada a S., de maior exuberância decorativa, desenvolve-se em três níveis de registo delimitados por friso, cornija e varandas balaustradas, sendo o primeiro rasgado por sete portais engradados, rematados por meio arco pleno, sobrepujados e intercalados por mísulas com decoração vegetalista, a que se sobrepõem varandas. A ladear a porta principal, dois atlantes seguram a varanda central, mais saliente que as restantes. O segundo registo, a que corresponde o andar nobre, é marcado pela presença de um mezzanino e pela abertura de sete pórticos de verga recta, ladeados por pares de colunas dóricas, rematados por frontões entrecortados, encimados por óculos com grinaldas, ao nível do mezzanino, exceptuando o vão central, rematado por arco de volta perfeita com aduela ao centro, assente em capiteis de importa, e tímpano com a pedra de armas da republica portuguesa esculpida. Sobre o arco de volta perfeita, colocados lateralmente, surgem dois corpos masculinos, desnudos, em alto-relevo, sobre incrustação metálica. Sob a cornija e friso, estes suportados por modilhões lisos, foram reproduzidas doze pedras de armas que correspondiam ao número de freguesias do Concelho do Porto, na época de construção. O terceiro e último registo, é marcado pela arcada de vinte e um vãos, distribuídos em conjuntos de três, intervalados pela colocação de doze cariátides de tradição helénica, que suportam o remate em platibanda, percorrido por balaustrada, de onde emergem doze urnas bem ritmadas, seguindo o mesmo enfiamento das cariátides. O acesso à fachada principal faz-se através de duas rampas laterais que principiam na Pç. do General Humberto Delgado, junto das extremidades da fachada principal. As fachadas laterais e posterior, idênticas entre si, denunciam maior sobriedade. São rasgadas por numerosos vãos de portas e janelas, de verga recta, distribuídos harmoniosamente ao longo dos seis pisos. Ao nível do andar nobre, apresentam varandas protegidas por balaustrada, suportados por mísulas, duas lateralmente e uma no alçado posterior. O quinto piso é rematado por entablamento assente em modilhões simetricamente repartidos. O sexto piso, em mansarda, ligeiramente mais recuado e recortado, apresenta-se revestido com placas de ardósia tipo "escama" e preenchido por aberturas de verga recta, ritmadas, encimadas por varandins de cantaria com balaústres, que circundam o terraço. A torre, com setenta metros de altura, apresenta planta quadrangular de volumes escalonados, apoiando-se no rés-do-chão em maciço de betão. Os quatro panos da torre apresentam decoração idêntica entre si, e dividem-se em três níveis de registo, delimitados por friso e cornija saliente, e varandas. O primeiro registo é marcado pelo conjunto de três esguias seteiras rematadas por arco de volta perfeita, sobrepujadas por cornija assente em modilhões lisos, seguidas pela colocação dos mostradores do relógio eléctrico, com carrilhão, envolvidos por festões florais, circulares e aduelas sem decoração, com fundo branco, numeração árabe a preto, e ponteiros em ferro. O segundo registo, de configuração octogonal, ligeiramente mais recuado para dar lugar a varanda circundante assente em mísulas, protegida por balaústres, apresenta em quatro faces composição arquitectónica de inspiração clássica, com quatro pórticos de verga recta ladeados por pares de colunas, encimadas por entablamento rematado por urnas em forma de vaso e pedras de armas coroadas, e nas restantes quatro faces, portas de verga recta encimadas por friso e cornija, sobrepujadas por ventanas rematadas por arco de volta perfeita que albergam sinos. O último registo, mais recuado, é rematado por cúpula octogonal e zimbório, interrompida em quatro dos lados por frontão triangular e coroada por pináculo. O acesso à torre é feito através de escada com cento e oitenta degraus. O INTEROR, com acesso pelas fachadas principal e posterior desenvolve-se ao longo de sete pisos com comunicação entre si, por intermédio de escadas e elevador. Do rés-do-chão sai uma escadaria central e monumental, de três lanços e um largo patamar, percorrida por balaustrada e revestida a mármore preto, que comunica com o andar nobre, e duas escadarias laterais que se desenvolvem ao longo dos sete pisos, organizados da seguinte forma: Arquivos e Central de aquecimento na cave; recepção no Rés-do-chão, presidência, vereação, sala das Sessões e D. Maria II no terceiro piso, e os serviços administrativos e técnicos nos restantes pisos. Todos os pisos possuem o mesmo número de divisões organizadas de igual forma, diferindo apenas ao nível dos pormenores decorativos. Alguns dos espaços encontram-se nobremente decorados, destacam-se no rés-do-chão os paços perdidos em alvenaria de granito aparente, com tectos em abobada de berço apoiada em arcos torais, com tectos pintados com motivos vegetalistas de influência romântica, tendo num dos pontos ao centro o Brasão da Câmara Municipal do Porto com a imagem de Nossa Senhora da Vandoma, padroeira da cidade. No andar nobre destacam-se o salão nobre, a sala da presidência, a sala D. Maria II, a sala das sessões e a sala de espera, pelo seu mobiliário e obras de arte.
Materiais
Granito, tijolo, madeira, vidro, betão armado, mármore preto, bronze, ferro forjado, estuque, cerâmica e azulejo liso e decorativo.
Observações
*1 - A construção deste monumento, da autoria de Salvador Barata Feyo (1899 - 1990), veio responder a velhos anseios da cidade. Podem ser apreciadas outras obras do autor no Porto como a Estátua de Vimara Peres (1968), as esculturas dos pilares da Ponte da Arrábida, entre outras. *2 - O arquitecto Correia da Silva era desde 1911 arquitecto da Câmara Municipal do Porto. Foi autor de outros importantes trabalhos como o Mercado do Bolhão (v.PT011312120187) e a transformação do Matadouro Municipal. *3- O arquitecto Carlos Chambers Ramos (1897 - 1969) era na altura Director da Escola Superior de Belas Artes do Porto, foi incumbido de concluir a obra e introduzir as alterações que entendesse necessárias nas obras já realizadas. Das alterações constam a substituição de portas por janelas na fachada principal, foram tapados com granito quatro nichos que se destinavam a albergar esculturas na mesma fachada, a torre foi rebaixada e substituídos alguns elementos arquitectónicos e decorativos, e a escadaria de acesso à entrada principal voltada à Avenida, já construída, foi substituída por duas rampas. Contudo, esta não foi uma substituição fácil, depois de construídas as rampas foram novamente destruídas e reconstruídas de acordo com um novo estudo, por estrangularem exageradamente o trânsito nas ruas dos Fenianos e António Sardinha. O total da despesa provocada por esta alteração rondou os 370 000$00, tendo o arquitecto Carlos Ramos assumido suportar 120 000$00 da despesa; *4 - Esta casa foi construída em princípios do séc. XVIII por José Monteiro Moreira e comprada pela Câmara do Porto em 23 de Março de 1816 à Companhia Geral de Agricultura dos Vinhos do Alto Douro a quem a tinha vendido o seu proprietário. Mais tarde, em 1864 a Câmara compra outro edifício junto a este. *5 - As chaves do cofre estão no gabinete da Presidência e têm a seguinte inscrição: "Chaves do cofre que está na pedra fundamental do novo edifício dos Paços do Concelho em construção na Avenida das Nações Aliadas, e que contém o auto de inauguração XXIV-IV-MCMXX". *6 - A obra de alvenaria, cantarias, terraços e torre demorou 20 anos a ficar concluída e foi realizada pela Cooperativa dos Pedreiros. A totalidade do granito utilizado, foi retirado das pedreiras de S. Gens, excepto o das colunas do átrio de entrada e paços perdidos do rés-do-chão, que é proveniente de Fafe.