Arquitectura religiosa, maneirista e barroca. Igreja paroquial de transição com planta longitudinal de uma só nave, sacristia e torre sineira adossados em eixo seguindo o esquema tradicional bracarense. Alçados laterais ritmados e fachada principal enquadrada por pilastras nos cunhais terminada em frontão triangular, com portal de verga recta com pilastras jónicas e frontão triangular, óculo, nichos e cartelas. Empena saliente, pináculos e cruz sobre acrotério. Decoração interior com retábulos de talha dourada barroca e azulejos barrocos do chamado ciclo dos mestres. Excelente exemplar de igreja de transição do maneirismo para o barroco, pois embora a estrutura obedeça aos princípios rígidos da arquitectura militar foi a primeira igreja a ser concebida para ser revestida interiormente por azulejos barrocos. Destaca-se a sanefa do arco cruzeiro pela sua grande delicadeza.
Planta longitudinal, composta por nave única, capela-mor com sacristias laterais e torre quadrangular adossados em eixo. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de quatro e duas águas. Alçados percorridos por embasamento avançado. Fachada principal toda em granito com pilastras nos cunhais e terminada em frontão triangular com brasão do Arcebispo Dom Luís de Sousa, no tímpano, coroado por pináculos laterais e cruz cardinalícia sobre acrotério ao centro. Portal de verga recta com pilastras jónicas, suportando frontão triangular encimado por óculo oval decorado com enrolados, tendo de cada lado dois nichos em arco pleno, suportados por três mísulas e encimados por frontões triangulares que albergam as figuras de dois arcebispos, e duas cartelas rectangulares ornamentadas com enrolados, dizendo a do lado esquerdo "D. LVDOVICVS A SOVSA ARCHIEPISCOPVS AC DNS BRACHARENSIS HISPANIARVM PRIMAS REGIAE MAIESTATIS A STATVS CONSILIIS" e a outra "TEMPLVM HOC VETERI FERE COLLA BENTE A FVNDAMENTIS EREXIT ET DIVO VICTORI DICAVIT ANNO INCARNATIONIS DOMINI 1686". Alçados laterais semelhantes, ritmados por pilastras sobrepujadas sobre os telhados por bolas sobre plintos, rasgados por cinco janelões e porta na nave e dois janelões na capela-mor. Torre sineira com acesso interior, delimitada por cunhais de cantaria e três registos, tendo no superior quatro sineiras. Remate em pináculos sobre os cunhais e cobertura piramidal com catavento. Interior forrado de azulejos historiados azuis e brancos, organizados em dois níveis, coro-alto sobre arco abatido e com balaustrada de madeira, ladeado por órgão de tubos; sub-coro tendo à esquerda pia baptismal de mármore num vão de arco abatido com grades de ferro, e à direita vão com arco abatido. Colateralmente duas pias de água benta em granito, dois confessionários, dois vãos rectangulares com altares, quatro capelas de arco pleno com retábulos de talha dourada e dois púlpitos quadrados, com base de pedra sobre mísula e guardas de madeira e oito janelões com varandim em madeira e sanefas de talha. Arco triunfal, de arco pleno sobre pilastras, com sanefa de talha. Tecto de granito de perfil curvo, de caixotões. Capela-mor com azulejos historiados azuis e brancos, dois janelões com varandim em madeira e sanefas de talha, retábulo de talha dourada com imagem de Cristo, com cortina que resguarda a tribuna com o trono eucarístico, ladeado pelas imagens de São Vítor e São José, a que se acede por quatro degraus de granito. Tecto de granito de perfil curvo, com caixotões. Sacristia, do lado esquerdo, com janela rectangular e porta, onde se destaca arcaz, guarda roupa e lavabo de granito. A sacristia do lado direito, adaptada a casa mortuária, tem uma porta e quatro janelas rectangulares.
Materiais
Granito na estrutura do monumento, púlpitos, pias de água benta, abóbadas, pavimentos e escadas; mármore na pia baptismal; madeira nas portas, soalho, altares, sanefas, órgão, sacadas e balaústres do coro-alto; ferro no gradeamento da pia baptismal; azulejos nas paredes; cobertura exterior em telha.
Observações