Pousada de planta poligonal, construída no séc. 20 pelo Estado, em três fases distintas, inserida na atual rede Pousadas de Portugal - Pousadas Natureza. Pertence à segunda fase de pousadas construídas pela DGEMN e ao grupo de pousadas da "Série Beira-Mar", associadas à ideia de explorar os recursos turísticos naturais da costa, tendo sido construída no âmbito do programa de celebrações do V Centenário da morte do Infante D. Henrique, num lugar de grande simbolismo, ligado ao imaginário nacional, aos Descobrimentos Portugueses e ao papel da Escola de Sagres. Para manter o controlo do processo construtivo, o projeto é encomenda ao arquiteto Jorge Segurado, anterior colaborador do MOP, sendo inaugurada em 1960. Integra-se na arquitetura de expressão "regionalista", harmonizando a estrutura de betão com o ambiente e as características tradicionais da arquitetura algarvia, expressa nas fachadas lisas e caiadas, arcaria de aresta chanfrada, chaminés algarvias sobre os telhados, rematados em beirais à portuguesa, cantarias singelas nos vãos e escadarias, contrafortes de alvenaria caiados com capeamento simples de pedra e portadas exteriores de madeira. Compunha-se de dois edifícios: o da pousada, propriamente dita, com as instalações destinadas aos hóspedes e passantes, excursionistas, serviços gerais e aposentos do gerente, e um edifício de apoio, com a garagem e quartos para o pessoal, lavandaria, estendal e outras dependências. O edifício da pousada tem duas alas formando ângulo, construídas em simultâneo, por parecer do arquiteto e perante as vantagens económicas, apesar do programa construtivo das pousadas estabelecer que as obras ocorressem em duas fases distintas. As fachadas evoluem em dois pisos, de nítida horizontalidade, abrindo-se a fachada posterior ao oceano, em arcada corrida, acompanhada por amplo terraço destinado a zona de estar e de refeições, ao ar livre, para onde se abrem as salas principais, sustentando as varandas individuais dos quartos, separadas por muro e grelhagem caiada tradicional. Na fachada principal, virada a terra, o portal para o interior é protegido por alpendre contrafortado. O interior, com racional correspondência construtiva e distributiva, é de grande simplicidade e de carácter regional, com o emprego de materiais algarvios, tendo a decoração e o mobiliário como tema central o ambiente náutico, o Infante D. Henrique e São Vicente. Espacialmente organiza-se, no piso térreo, a sala de jantar, destinada aos hóspedes e passantes, com lotação para 72 pessoas, uma sala de jantar contígua e independente, para os excursionistas, para 80 pessoas, ambas com lareira, uma sala de estar e uma sala de leitura, todas acedidas por corredor, a partir do vestíbulo de entrada, dispondo-se a zona de serviço a nordeste. No segundo piso, organizam-se os 15 quartos, comportando pequeno vestíbulo com nicho para as malas e acesso às instalações sanitárias e ao quarto, com duas camas, ficando a zona de serviço e os dormitórios dos empregados a nordeste. O edifício de apoio, de maior simplicidade, apresenta planta quadrangular e as fachadas de um piso, ritmadas por arcadas. A partir de 1977 estudou-se a remodelação da pousada e a sua ampliação, concluída em 1980, prolongando o edifício cerca de 27 metros para poente, também da autoria de Jorge Segurado, mas com a colaboração de José Maria Segurado, seguindo no entanto a mesma modulação estrutural e a feição plástica da construção existente, conferindo grande unidade arquitetónica ao conjunto. A remodelação do núcleo primitivo e a ampliação permitia o aumento de 21 quartos ao empreendimento. Posteriormente, a pousada foi ainda ampliada com uma outra ala de quartos.
Planta poligonal, composta por várias alas articuladas, com coberturas em telhados de quatro e duas águas, rematadas em beiradas simples, sobrepostas por chaminés algarvias. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, de dois pisos. A fachada posterior, virada ao mar, abre-se por meio de arcada corrida, parcialmente acompanhada por amplo terraço, destinado a zona de estar e de refeições, ao ar livre, sustentando as varandas individuais dos quartos, separadas por muro e grelhagem caiada tradicional.
Materiais
Estrutura de pilares e vigas de betão armado; alvenaria de pedra e de tijolo; alvenaria hidráulica de pedra rija no exterior; pedra vermelha do Algarve no exterior e interior; pedra serrada em brecha de Tavira ou calcário dos Ferreiros no exterior, interior e decoração; mármore branco de Estremoz e mármore Viana na decoração; pavimento de ladrilho, mosaico cerâmico, em soalho ou tacos de madeira; silhar de azulejos policromos; lambris de madeira; elementos em madeira de casquinha, madeira de castanho, madeira de mogno, madeira de azinho, madeira de sicupira e cortiça; vidros simples; cobertura de telha, suportada por estrutura de betão, pré-esforçado.
Observações
EM ESTUDO. *1 - Segundo as diretrizes dadas pelo Presidente do Conselho, as construções destinadas a pousadas deviam ser integradas nas características regionais, nunca podendo ser confundidas com as de outras zonas do país. O projeto devia ser estudado de maneira a poder ser executado em duas fases, pelo que o autor devia apresentar dois anteprojetos e dois projetos de cada uma destas fases. O estudo para a pousada de Sagres, que deveria incluir o isolamento térmico e sonoro, devido à localização em local desabrigado e exposto à ação do mar e dos ventos, deveria apresentar quatro zonas distintas: alojamento, receção, serviço e concessionário. A zona de receção deveria constar de uma entrada ampla, com vestiários, instalações sanitárias para homens e senhoras, cabine telefónica, balcão para receção, P.B.X. e alojamento para o porteiro ou quem ficasse à noite. O átrio, grande, devia ser guarnecido de modo a poder ser utilizado como casa de estar para hóspedes e situado em local que permita estabelecer uma fácil ligação com as restantes zonas da pousada. A casa de jantar deveria ser bastante vasta, pois previa-se que a pousada fosse muito procurada devido à sua localização privilegiada. Anexo deveria ter um terraço onde, sempre que o tempo o permitisse, pudessem ser servidas refeições e se usufruísse o panorama oferecido pelo mar e pelas costas. A sala de leitura e escrita, deveria situar-se próximo ,mas em zona recatada e que ofereça sossego. A zona de alojamento deveria constar de quartos de cama, todos com casa de banho privativa, e compartimentos especiais destinados aos serviços de pequenos almoços e limpeza. A zona de serviço deveria constar de cozinha e copa com dimensões proporcionadas ao movimento de hóspedes e passantes, despensa geral e do dia, garrafeira, arrecadações vastas, dependências destinadas a instalação das caldeiras de aquecimento, garagem compartimentada, lavandaria, rouparia, engomadoria e estendal, longe da vista dos hóspedes. A zona de concessionário deveria constar de dois quartos de cama, instalações sanitárias e uma sala ou escritório. A Pousada de Sagres deveria ter na sua fase final um mínimo de 15 quartos (todos de duas camas), dos quais 10 na primeira fase e os 5 restantes na segunda, sempre que possível com um terraço privativo ou uma boa varanda. A casa de jantar deveria poder servir simultaneamente 60 pessoas pelo mesmo, pelo que a cozinha teria de ser calculada para tal número acrescido das que o terraço comportasse. Deveria igualmente prever-se uma casa de jantar e instalações sanitárias para o serviço de excursões, estudadas de modo a ficarem perfeitamente independentes da casa de jantar dos hospedes e passantes. As zonas de serviço e uso geral não deveriam ficar sobrepostas à zona dos quartos, a fim de evitar ruídos que pudessem perturbar o repouso dos hóspedes. Aconselhava-se ainda uma completa independência entre as zonas destinadas ao pessoal e aos hóspedes da pousada. *2 - Os Serviços da Direção-Geral de Turismo consideram que merecia aprovação a proposta de ampliação da pousada, com um corpo edificado no topo poente, com 7 quartos no piso térreo e outros 7 no segundo piso, na mesma correspondência vertical, e mais 2 obtidos na área reservada ao gerente, no total de 16 quartos. No entanto, a proposta carecia de aprovação da Direção-Geral de Portos, uma vez que o corpo se aproximava grandemente da falésia, ultrapassando a linha dos 50 m vedados à construção. Dá também o seu acordo à proposta de adaptar no 1.º andar a zona ocupada pelo alojamento das empregadas e empregados a 5 quartos para hóspedes e na zona a poente se instalarem os aposentos da gerência e os serviços de apoio ao andar, embora esta zona de serviço devesse adotar um dispositivo diferente ao proposto no estudo elaborado. Concorda com a criação de um bar, mas considera que é pequeno e mesmo assim obtido pela redução da área da sala de estar, o que se afigura inconveniente. Não concorda com o estudo e traçado da galeria ligando a zona de entrada da pousada à sala de refeições, bem como a alteração da cozinha, pois o bloco de câmaras frigoríficas subtraia espaço à cozinha, e a supressão da cave do dia, sem se criar outra em substituição. Sugere trocar a loja por uma vitrine; deveria manter-se a sala de refeições para excursionistas e os correspondentes apoios; teria de se encontrar nova localização para o monta-cargas, já que o atual monta-pratos será eliminado com a construção de quartos do 1.º andar; considera que as zonas de serviço (r/c e 1.º andar) previstas no prolongamento da ala poente, são insuficientes para conter os sectores de pequenos almoços, roupas, despejos e material de limpeza. Tendo em vista reduzir os gastos com o aquecimento de águas da pousada, entendo que se deverão iniciar os estudos necessários ao aproveitamento da energia solar, substituindo ou talvez reforçando a rede de água quente existente. Finalmente, são de parecer que deverá remeter-se para uma 2.ª fase a construção do mini-golfe e o tiro aos pratos sendo de prever a construção de um ou dois campos de ténis e a piscina, aliás já sugerida pela Direção-Geral do Turismo.