Arquitectura assistencial, financeira e agrícola, maneirista e barroca. Celeiro comum de planta longitudinal irregular, com portal maneirista encimado por óculo e conjunto de azulejos barrocos. Espaço interior constituído por um longo corredor com arcos de volta perfeita de ambos os lados, que claramente estabeleciam a comunicação com outras dependências do mesmo edifício, entretanto desaparecidas.
Planta longitudinal irregular. Volume simples disposto na horizontal com cobertura homogénea em telhado de duas águas. Embasamento sugerido pela diferente coloração da pintura, ao nível do degrau da porta principal. Fachada principal virada a NO., de um corpo único organizado a dois registos; primeiro registo: portal principal, de arco recto executado em cantaria moldurada através de linhas de desbaste da pedra, a que se acede através de um lanço de três degraus; segundo registo organizado em torno de um óculo circular inscrito numa moldura polilobada delimitada lateralmente por uma composição de volutas douradas que arrancam de um motivo de âncora abaixo do óculo; entre o primeiro e o segundo registo uma inscrição em pedra rectangular disposta horizontalmente ao eixo do portal principal, com a seguinte legenda: "MONTE DA PI / DADE INST / IVIDO POR / THOMEROIZ / PINCHO: 1704", encimado por um painel de azulejos quadrangular composto por quatro azulejos decorados com segmentos de volutas, estando o padrão inferior esquerdo mal colocado; um quito padrão liga este painel ao motivo de âncora que antecede o óculo; a encimar a composição, uma cruz formada por padrões de azulejos, decorados com motivos vegetalistas e com um pequeno rectângulo horizontal em cima, repousa sobre um painel de quatro azulejos, idêntico ao inserido entre a inscrição e o motivo de âncora; fachada termina em empena, triangular bastante pronunciada, sem qualquer elemento a encimá-la. Fachadas laterais adossadas. Fachada posterior, voltada a SE., adossada ao nível do arranque do telhado, mas desafogada ao nível da empena triangular com que termina, de idêntica feição à empena da fachada principal, com um mesmo óculo circular, mas sem qualquer moldura nem outros elementos decorativos. INTERIOR: *1 Espaço único com iluminado por dois óculos; pavimento uniforme em tijoleira antiga, com partes em falta e desgaste contínuo; tecto dando directamente para o telhado, com asnas de madeira e travejamento longitudinal também de madeira suportando o assentamento das telhas. Portal principal de feição abatida pelo interior; Sucessão de quatro arcos de volta perfeita, de cada lado dos alçados laterais interiores, provam que o espaço que hoje subsiste se prolongava para E. e O.; separação dos arcos através de pilares de secção quadrangular algo robustos, com marcação de impostas através de uma banda de madeira dourada.
Materiais
Alvenaria rebocada e caiada; azulejo; madeira; telha; tijoleira
Observações
*1 - através de informações colhidas no local, foi possível concluir que o edifício se prolongava para E. e para O. através dos arcos do interior, sendo as paredes actuais, que o separam de outras propriedades privadas, muito estreitas; coloca-se, assim, a hipótese de este imóvel ter sido originalmente, de uma Mesquita, já que tudo indica tivesse três naves no sentido N. - S. e quatro a seis no sentido E. - O.; sugestão ainda reforçada pelo ligeiro desvio de orientação no sentido SE.;*2 - em São Bartolomeu de Messines existiu uma outra instituição com este nome, mas que deverá ser posterior (1783).