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Castelo de Salir

Castelo de Salir

O ponto de interesse Castelo de Salir encontra-se localizado na freguesia de Salir no municipio de Loulé e no distrito de Faro.

Arquitectura militar islâmica, almóada. Castelo de taipa sem alcáçova, de planta oval acompanhando as linhas de relevo do monte onde se implanta. Construção islâmica tardia, numa altura de intensa pressão militar cristã. Inserido na rede de castelos almóadas do Algarve, uma extensa linha defensiva do litoral e do interior da província, que ligava praticamente os dois extremos, desde a Castro Marim e a Alcoutim: Salir encaixava-se na rede defensiva rural, linha de fortificações que aliava os castelos a uma série de alcarias na zona do barrocal, funcionando também como posto avançado para o interior.

Planta centralizada irregular definindo uma figura geométrica oval. Volumes articulados dispostos horizontalmente (na origem dispostos verticalmente), sem qualquer cobertura exterior, para além dos sistemas característicos a uma ou duas águas que cobrem o casario tradicional que se implantou no interior do recinto, ou a cobertura em terraço do centro interpretativo. Fachada principal virada a S., onde o declive é menos acentuado; portão principal desconhecido, mas, ao que tudo indica, deveria situar-se no extremo SE., correspondendo hoje à principal R. de acesso ao castelo; cinco panos de muralhas definidos pelo portão principal e por quatro torres, todas de secção quadrangular e de que ainda se conservam vestígios; Torre D (ou "Muro do Meio"), implantada a NE., numa zona de acentuado declive, revela uma sapata muito robusta, conservando-se a pouco mais de 1m acima do caminho, cuja abertura obrigou à sua destruição quase total; secção de 4,7m x 3,88m; Torre C (ou "Torre da Alfarrobeira"), localiza-se na vertente mais a N. do castelo, precisamente no local onde o declive em relação ao vale é mais acentuado; conserva ainda 3m c. de altura, possuindo uma secção de 5,1m x 4,6m; Torre B, (também denominada de "Muro Maior"), localiza-se na vertente NE., sendo a que se encontra mais afastada do caminho; secção praticamente idêntica às restantes (4,6m c. de lado) e está hoje adossada a alguns edifícios a E. e a S.; era a torre albarrã do conjunto; Torre Sul encontra-se hoje integrada em construções posteriores, e adossa-se ao pano de muralha do lado SE.; possui ainda uma secção de 4,8m c. de lado e conserva-se praticamente até aos 4m de altura; dois panos de muralha são ainda visíveis: o N., que actualmente liga as Torres D e B, passando pela C, e um pequeno pano a SE., conhecido como "Muro da Sabedoria", são o que resta do caminho de ronda que circundava o castelo e que ligava o interior do recinto, mais baixo, às torres avançadas da estrutura; caminhos ajardinados, com pavimento em calçada típica portuguesa delimitados por canteiros e pelas torres nas vertentes viradas para o exterior, e pelos restos das muralhas; colocação de bancos de jardim junto da torre B; Aparelho das muralhas: pseudo-isódomo muito irregular, com algumas fiadas de pedra mal aparelhada dispostas horizontalmente, mas com o recurso abundante a cotovelos e subvertendo-se muitas vezes este padrão horizontal. Impossibilidade em determinar qualquer interior original, bem como eventuais articulações de corpos e sistemas de iluminação e abobadamento. Via principal definida pela Tv. do Castelo, que parte da entrada principal a SE. para terminar a O., dividindo praticamente ao meio o recinto interior do castelo; CENTRO INTERPRETATIVO - Localizado sobre a área escavada, a E. da torre B; Planta rectangular regular; Volume simples disposto horizontalmente em apenas um registo; Fachada principal virada a S., para a via pública, a que se acede através de um duplo lanço de quatro degraus; três registos de cinco corpos, compostos por cinco painéis de portas, com puxadores; pequeno alpendre metálico ao nível do segundo painel, desenvolvendo-se superiormente um terceiro registo de painéis acompanhando a divisão geométrica em cinco corpos. Fachada lateral O. adossada à muralha, mas contendo amplos janelões verticais a toda a altura, protegidos por painéis semelhantes aos da fachada principal e por outro alpendre metálico. Fachada lateral O. adossada a casario térreo. Fachada posterior, voltada a N. com um passadiço metálico sobre a área escavada, permitindo a visita superior dos trabalhos arqueológicos.

Materiais

Taipa *2; pedra; tijolo; telha; madeira; ferro; vidro; mosaico

Observações

*1 - Entre os trabalhos então realizados foi possível identificar o entaipamento de uma porta e o acrescento de torres de taipa (CATARINO, 2002); *2 - Juntamente com a taipa aparece uma "argamassa heterogéna com pedras, seixos de ribeira, ossos pouco triturados, fragmentos de cerâmica e de materiais de construção, que dão ao conjunto um tom castanho-claro-acizentado" (CATARINO, 1992).