Arquitectura religiosa, tardo-barroca. Capela mostrando ainda uma grande imponência, de nave única e capela-mor com sacristia adossada. Fachadas laterais revelando a existência de outras construções e apresentando modinaturas dos vãos tardo-barrocas. Interior de nave sem cobertura, com duas bases de púlpito que se confrontam. Arco triunfal pleno, apresentando, ainda, vestígios de policromia do marmoreado, abre para capela-mor com cobertura em abóbada de berço sobre cornija, de grande profundidade, em cujo pavimento lajeado se encontra uma pedra epigrafada, vestígios de degraus do altar e de um carneiro. Capela construída a partir de 1753, tendo a primeira missa sido dita, com autorização, em 1764. A não referência à sua existência nas Memórias Paroquiais de 1758, deve-se, provavelmente, ao facto de o templo ainda não ter sido consagrado nessa data. O único acesso ao interior do templo é efectuado pela sacristia, dado todos os vãos estarem entaipados. A grande profundidade da capela-mor poderá ser justificado pela hipótese de ter existido uma cripta nesse espaço. Os vestígios de ossadas encontradas e a existência do Carneiro, levam-nos a acreditar que o espaço da capela-mor que apresenta maior depressão fosse na realidade um espaço de enterramento. A nave foi cortada tendo sido adossado à fachada principal o edifício da escola, de planta rectangular, com cobertura diferenciada em telhados de 4 águas; apresenta características tardo-barrocas nas modinaturas dos vãos, fazendo supor o aproveitamento dos materiais da capela.
Conjunto de planta longitudinal composto por capela de nave única, capela-mor mais estreita e de grande profundidade, sacristia adossada a SO.e edifício escolar adossado a NO:. Volumes articulados e disposição horizontalista das massas, apresentando a capela-mor alguma verticalidade que impõe ao conjunto um certo dinamismo. CAPELA: cobertura inexistente sobre a nave, em abóbada na capela-mor e em laje pré-esforçada sobre a sacristia. Fachadas em alvenaria de pedra argamassada sem reboco; remates em empena recta nas fachadas laterais e triangular nas de topo. Fachada lateral direita: corpo da nave com marcação de um vão cego de moldura rectangular; corpo saliente da sacristia com portão que dá acesso ao interior do templo e corpo reentrante da capela-mor rasgado por vão de iluminação de moldura rectangular; os corpos são delimitados por cunhais de cantaria, sendo estes arredondados no corpo da sacristia. Fachada posterior: delimitada por cunhais em cantaria é rasgada por 2 vãos. Fachada lateral esquerda: corpo da capela-mor com remate em empena recta com cornija saliente, rasgada por janela de moldura rectangular, recortada, com gradeamento, é delimitado por contraforte do corpo saliente da nave, rasgado por 3 vãos cegos e apresentando no remate vestígios de uma sineira. INTERIOR: de nave única com cobertura inexistente, apresenta paredes em alvenaria de pedra rebocada e com vestígios de pintura a branco e pavimento em terra batida. Parede fundeira com pórtico e janela superior entaipados; porta e janela entaipadas na parede do lado do Evangelho e do lado da Epístola abre-se a porta para a sacristia, tornando-se o único meio de acesso ao interior do templo. Confrontantes são duas bases de púlpitos assentes sobre mísulas, com acessos entaipados. Arco triunfal pleno, sobre pilastras, apresentando, ainda, vestígios de policromia do marmoreado, abre para capela-mor (esguia e profunda) rebocada, de cobertura em abóbada de berço assente em cornija; vestígios de degraus do altar com supedâneo e de um carneiro sob os restos do pavimento lajeado. Hipotética existência de uma cripta na capela-mor à qual se acede por 3 degraus descendentes, sendo visível os vestígios de uma pedra tumular epigrafada com a inscrição: "JANEIRO / ANO"; parede testeira rasgada por dois vãos Sacristia de planta rectangular com paredes rebocadas e pintadas e pavimento em cimento; parede lateral direita rasgada por vão de iluminação e dois vãos de moldura rectangular recortadas superiormente e rematadas por friso, rasgam-se na parede lateral esquerda, um com acesso à nave e outro cego com grande lage de pedra na soleira. EDIFÍCIO ESCOLAR: justaposto ao frontispício da capela, constituído por planta quadrangular e coberturas diferenciadas em telhados de 4 águas, com cantarias reaproveitadas do templo. Fachadas percorridas por embasamento, rebocadas e pintadas de branco com remates em beiral. Fachada principal com alpendre de cobertura em telhado de 3 águas, assente sobre 2 colunas toscanas e um lanço de escadas com guarda em pedra, através do qual se acede à entrada principal com porta de moldura recta recortada superiormente rematada por friso e ladeada por duas janelas de peito com o mesmo recorte e com falso avental. Fachada lateral direita aberta por 2 janelas de recorte igual às da fachada principal e uma porta rectangular a que se acede por um lanço de escadas com guarda em alvenaria. Fachada lateral esquerda rasgada por 3 janelas de moldura rectangular. INTERIOR: de espaço amplo, dividido por um balcão que diferencia o espaço público do espaço de serviço. Paredes rebocadas e pintadas de branco, pavimento em mosaico e tecto em laje
Materiais
Estrutura em alvenaria e cantaria; pavimento (vestígios) lajeado; cobertura em telha (Escola)
Observações
A escultura de Santa Ana encontra-se colocada na Capela do Senhor Jesus da Boa Hora, de Santa Justa e Santa Rufina (v. PT031005030012). A concha, de estrutura neoclássica, que se encontra actualmente junto da fachada principal do edifício da antiga escola foi talhada para remate do portal principal. Existe um pinheiro nascido sobre o telhado da capela-mor, o que comprova o avançado estado de deterioração do templo. A pedra de fecho do arco triunfal continua caída (07-05-07). *1: pensamos que esta base poderá ser uma pedra aproveitada da Capela de Santa Ana, quando da erecçãodo cruzeiro neste local; *2: Em finais de 1754 tinham sido gastos com a construção da nova igreja o valor de 1 conto 163.825 reis. *3: O inventário dos bens da confraria dá-nos conta da existência de "uma banqueta de madeira dourada", o que pressupõe a existência de um retábulo na capela; é igualmente referido a existência de uma coroa de prata pertencente à imagem de Santa Ana e outra mais pequena, também de prata, da imagem da Virgem; e também a existência de "Nove capas de irmãos de pano encarnado" e "Doze de [serafina] encarnada".