Arquitectura de serviços, pombalina. Edifício destinado a sede de sociedade da indústria pesqueira, de gaveto, inserido em frente de rua, em quarteirão fechado, desenhada como fachada da vila, e da qual, a par do Torreão Norte (v.PT050816020027) constituía um dos remates, marcando o limite do Plano Pombalino de malha regular reticulada (v. PT05081602003), ambos destacando-se na frente urbana pela volumetria da cobertura, dimensão e tratamento mais elaborado das cantarias dos vãos.Torreão de planta quadrangular, de três pisos e delimitado por muro.
Planta centralizada, quadrada, desenvolvendo-se em redor da caixa de escada implantada no centro do edifício. Volumes articulados, massas dispostas na vertical com coberturas diferenciadas, em telhado de tesouro a quatro águas no centro, duas águas nas mansardas e nos vértices das fachadas e uma água entre mansardas abertas na mesma fachada. Fachada principal a E. ligeiramente avançada em relação à frente dos edifícios adossados a N.; compõe-se de três registos e divisão em três corpos; primeiro registo: corpo central com duplo portão sobrepujado por uma moldura em cantaria que os une; corpos laterais com portas de arco recto e cunhais marcados por pilastras; segundo registo segue a organização tripartida do registo inferior, com vãos abertos no prolongamento vertical dos do primeiro registo, abrindo para uma varanda individual protegida com grade rectangular de ferro decorada com motivos geométricos; segundo registo termina com cornijamento superior, definido a uma maior altura que o cornijamento dos restantes edifícios adossados a N., que suporta os beirais do telhado; terceiro registo corresponde à elevação do telhado, e compõe-se de três mansardas dispostas axialmente em relação aos vãos dos registos inferiores *1. Fachada lateral S. segue a divisão tripartida em registos e corpos da fachada principal, apesar de pequenas diferenças; primeiro registo: vão de ângulo recto colocado no extremo O. da fachada e portão de arco abatido ligeiramente desviado para E. do eixo da fachada *2; segundo registo retoma a organização tripartida, com vãos de ângulo recto e dimensões idênticas abertos ao centro de cada corpo; terceiro registo separa-se do segundo por uma cornija que suporta o beiral dos telhados e compõe-se de três mansardas no prolongamento dos vãos do registo inferior, como na fachada principal. Fachada posterior O. com organização semelhante; porta de acesso ao interior ladeada por duas janelas no primeiro registo e uma porta com varanda ladeada por duas janelas no segundo; terceiro registo com três mansardas e uma chaminé no topo NO.. Fachada lateral N. adossada. INTERIOR: espaços diferenciados organizados em torno da caixa central das escadas, separados entre si por arcos abatidos e arcos de volta perfeita, com tecto em madeira e comunicação entre todos os espaços do interior; escadaria de degraus em cantaria, com arco de volta perfeita, de fecho bem marcado, assente sobre impostas salientes. Três pisos espacialmente idênticos.
Materiais
Alvenaria; cantaria; ferro; telha; vidro simples; azulejo industrial; betão; madeira
Observações
*1 - Aquando do início das obras de adaptação a arquivo, restavam apenas duas mansardas nesta fachada, tendo a central sido suprimida em data indeterminada antes de 1984, data em que já não aparece em fotografias; *2 - Este portão foi descoberto aquando dos recentes trabalhos de picagem e desobstrução levados a cabo antes do restauro do edifício; na impossibilidade de se determinar se pertencia ao plano original ou se correspondia a uma adulteração posterior, optou-se por mantê-lo no actual plano de restauro; *3 - Segundo José Eduardo Horta Correia, os torreões de Vila Real de Santo António (N. e S. e os da Praça Marquês de Pombal) são a síntese resultante dos ensaios de Terzi e de Mardel.