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Ermida de Santo António

Ermida de Santo António

O ponto de interesse Ermida de Santo António encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Cortiçadas de Lavre e Lavre no municipio de Montemor-o-Novo e no distrito de Évora.

Arquitectura religiosa, manuelina, barroca. Ermida de planta longitudinal, simples, constituída por exonártex, nave e capela-mor, estas cobertas por abóbadas de nervuras de secção quadrada, com pingentes no fecho da cruzaria, que descansam em mísulas embebidas na parede, na nave, e morrendo directamente na parede na capela-mor, apresentando os panos perfil curvo. Exonártex barroco, vazado nos três alçados por arcos em forma de asa de cesto, assentes sobre pés-direitos coroados por entablamento, e encimado por frontão recortado. Retábulo-mor, fingido, parietal, em pintura mural, maneirista; mesa de altar em estilo Josefino.

Planta longitudinal, simples, com exonártex, nave, capela-mor quadrada e sacristia à direita. Coincidência exterior / interior. Volumes articulados, massas dispostas na horizontal com cobertura diferenciada em telhado de duas águas no exonártex e corpo da nave, contínuo, de três águas na capela-mor e de uma água na sacristia. Fachada principal a N., precedida por exonártex, coberto por abóbada de berço abatida, aberto nos três alçados, com gradeamento; alçado principal de pano único, delimitado por pilastras com estereotomia marcada a imitar cantaria, com embasamento e capitéis moldurados, encimados por friso decorado por dentilhado, dividido em dois registos: primeiro registo rasgado por arco em asa de cesto, assente em capitéis moldurados, decorado axialmente por voluta; segundo registo constituído por frontão recortado, ladeado, na continuidade das pilastras, por acrotérios com pináculos, encimado no vértice por esfera com cruz. Fachada da ermida de pano único, rasgada por portal em ângulo recto, ladeado por bancos embebidos na parede que acompanham também parte dos alçados laterais do exonártex, e encimado por óculo entaipado; à direita, por cima do telhado e no alinhamento da ligação entre o nártex e o corpo da ermida, campanário com empena semi-circular, sem sino. Alçado E. composto por dois panos, sendo o primeiro, correspondente à cabeceira, reentrante, rasgado por fresta com capialço e rematado por cornija e beirado; segundo pano, relativo ao corpo, delimitado por pilastras de estereotomia marcada a imitar cantaria, com embasamento e capitéis moldurados, sendo o da direita encimado por friso decorado por dentilhado, rasgado à esquerda, ao nível superior, por fresta, e à direita, por arco em asa de cesto, assente em capitéis moldurados; remate em cornija e beirado. Alçado S. de pano único, cego, terminando em empena à esquerda, no troço relativo à sacristia, e com remate em cornija à direita, no troço respeitante à cabeceira, deixando este antever, posteriormente, o pano correspondente à empena do corpo. Alçado O. composto por volume da sacristia, à direita, anexo à cabeceira, com vão de janela, quadrangular, virado a N., e pano relativo ao corpo igual ao do alçado oposto. Soco e os vários elementos arquitectónicos, arcos, cunhais, cornijas e pináculos, pintados a azul. INTERIOR: espaço diferenciado entre nave e capela-mor. Nave, rectangular, coberta por abóbada de nervuras a formar três tramos, descansando as nervuras em mísulas embebidas na parede, com pequenos pingentes no fecho das cruzarias. Alçado N. rasgado por vão de porta em ângulo recto, encimado, ao nível superior, por óculo vazado na caixa murária, e ladeado, à sua direita, por púlpito de caixa com perfil arredondado, de assentamento directo no chão, e moldura a um terço da altura, para o qual se ascende através de degraus embebidos na parede, virados a S.. Lados do Evangelho e da Epístola rasgados por fresta com capialço, ao nível superior, entre as nervuras correspondentes ao tramo central da abóbada; pia de água benta embebida na parede, à direita, no lado da Epístola. Arco triunfal em volta perfeita, com capitéis moldurados a coroar a zona dos pés-direitos; intradorso e pés-direitos de estereotomia marcada, a imitar aparelho de cantaria, visível por debaixo da cal; por cima do arco triunfal, sob cal, é visível a pintura mural que outrora revestia os alçados. Capela-mor coberta por abóbada de nervuras, morrendo estas nas zonas de ângulo; nível de pavimento mais elevado, dado por degrau sob o arco triunfal, com duas lápides sepulcrais epigrafadas; alçado E. rasgado por fresta axial, com capialço, e alçado O. aberto, à esquerda, por vão de porta, em ângulo recto, de acesso à sacristia. Retábulo-mor fingido, de pintura mural ocupando todo o alçado, enquadrando nicho central de volta perfeita; a pintura, em tons de vermelho sinopia e amarelo, com apontamentos de verde, sob fundo branco, dispõe-se em dois registos e três panos: no primeiro, a ladear o nicho, painéis com cartelas circulares ao centro, enquadrados por pilastras coroadas por entablamento, com friso decorado por marmoreados; segundo registo com os panos definidos por quarteirões; no pano central a pomba do Espírito Santo, enquadrada em cartela circular, recortada; nos laterais decoração com arabescos e enrolamentos. Mesa de altar em forma de urna, embebida na parede, decorada com pintura mural de motivos florais sendo os ângulos da caixa ornados de molduras que terminam em volutas. Sacristia coberta por tecto plano, com vão de porta de acesso ao templo rasgado no alçado E. e vão de janela, quadrangular, no alçado N..

Materiais

Alvenaria mista, rebocada e caiada. Altar-mor e mesa de altar em alvenaria rebocada e pintada. Granito: emolduramento de vão de porta, mísulas na nave e capela-mor, pia de água benta, cruz do frontão, cruzeiro. Mármore: lápides sepulcrais, degrau de acesso à capela-mor. Telha cerâmica: coberturas. Tijoleira: pavimento da nave e capela-mor. Ferro pintado: vãos de acesso ao exonártex com gradeamento. Betonilha: pavimento do exonártex e da sacristia. Betão: tecto da sacristia em laje de vigotas pré-esforçadas. Madeira pintada: portas e caixilharia de janela.

Observações

*1 - a imagem original de Santo António era de madeira estofada e, por estar em muito mau estado de conservação, foi levada para o Centro Paroquial do Lavre (ESPANCA, 1978).