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Museu Municipal de Viana do Castelo

Museu Municipal de Viana do Castelo

O ponto de interesse Museu Municipal de Viana do Castelo encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Viana do Castelo (Santa Maria Maior e Monserrate) e Meadela no municipio de Viana do Castelo e no distrito de Viana do Castelo.

Casa nobre maneirista, de planta rectangular seguindo as características comuns das casas contemporâneas de Viana, projectadas ou construídas por engenheiros militares e de linhas clássicas de influência tratadística. Fachada principal organizada em dois pisos, separados por cornija, com panos e cunhais definidos por pilastradas em silharia fendida, percorrida por embasamento e rasgada, no piso térreo por janelas de peitoril e no segundo por janelas de sacada, assentes em mísulas e encimadas por frontões triangulares, interligadas. No interior, vestíbulo central rectangular, ao fundo do qual se desenvolve escada de acesso ao andar nobre, onde as salas viradas à rua possuem silhares de azulejos barrocos e oratório virado ao pátio posterior, com retábulo barroco. Inspirada na Casa da Vedoria, ambas são do mesmo engenheiro militar, revelando a primeira, no entanto, um amadurecimento de projecto. Segue as características gerais da arquitectura projectada por Manuel Pinto de Vila Lobos, com cantaria em silharia fendida no embasamento e pilastras, mas eliminou-a das molduras dos vãos; as janelas e sacadas são mais elegantes, com cunhas reduzidas a três, surgindo também no portal principal, onde se acentua o eixo de simetria, e o qual foi valorizado por cornija e brasão. As gárgulas e volutas das sacadas, que reproduzem o desenho já utilizado na Vedoria, são acompanhados de outros motivos decorativos que animam a fachada, nomeadamente as volutas que enquadram os panos de peitoril das janelas do piso térreo. Segundo João Vieira Caldas, as pilastras da fachada principal resultam da projecção exterior das empenas e de outras duas paredes estruturais que atravessam a casa da frontaria ao tardoz. Uma parede transversal delimita os três compartimentos rectangulares, iguais, que se repetem em ambos os pisos junto à fachada. Constitui uma das casas da cidade que melhor conserva os espaços interiores e a respectiva decoração, destacando-se os silhares de azulejos barrocos, os da capela assinados por Policarpo de Oliveira Bernardes e provavelmente datados de 1635 / 1640. O beiral da casa foi substituído, na segunda metade do séc. 19, por platibanda de balaústres, alterando um pouco o seu aspecto.

Planta rectangular disposta longitudinalmente, composta por dois núcleos arquitectónicos, interligados e intercomunicantes. Volumes articulados com cobertura em telhados de quatro águas. Fachada principal rebocada e pintada de branco, com três panos e cunhais definidos por pilastras em silharia fendida, de dois pisos separados por cornija, sendo o primeiro percorrido por embasamento de cantaria, igualmente em silharia fendida, e o segundo terminado em duplo friso e cornija, sobreposta por platibanda de balaústres, com acrotérios no alinhamento das pilastras; sobre as pilastras dos cunhais surgem duas gárgulas volutadas com figura antropomórfica híbrida. No primeiro piso, no pano central, rasga-se portal de verga recta e moldura com cinco aduelas em cunha, encimado por cornija recta assente em duas mísulas que se prolongam na moldura, formando pingente; é ladeado por dois vãos altos e estreitos, gradeados, com molduras tendo superiormente aduelas em cunha, com pano de peito em silharia fendida ladeada por volutas estilizadas; nos panos laterais, simétricos, rasgam-se duas janelas de peitoril, com molduras sobrepostas por três aduelas em cunha e silhares de cantaria interligados à cornija separadora de pisos e tendo inferiormente panos de peito, em silharia fendida, ladeados de volutas. No segundo piso, rasgam-se em cada um dos panos, duas janelas de sacada, assentes em mísulas volutadas que se sobrepõem às molduras da janelas inferiores, com molduras côncavas e tendo também superiormente três aduelas em cunha, encimadas por frontões triangulares; nos panos laterais, as guardas em ferro são comuns e no central individualizados. Entre as janelas centrais, surge o brasão da família Teixeira Barbosa Maciel, envolvido por amplo paquife e com elmo, assente em mísula de linhas contracurvadas. A fachada posterior apresenta uma galeria alpendrada de dois pisos, com quatro arcos de volta perfeita, assentes em pilares no piso térreo e cinco tramos arquitravados sobre colunas toscanas no piso superior. A E. possui pequeno corpo saliente, correspondendo o do piso superior ao oratório. INTERIOR com vestíbulo, tendo lateralmente portas para as salas laterais e frontalmente, escada de acesso ao andar nobre, de quatro lanços, colocada descentradamente. No fim do primeiro lanço, mais extenso, surge um patamar de acesso a mezanino parcial entre o piso térreo e o andar nobre. Ao cimo da escadaria, surge um painel de azulejos com cena da vida de um santo. No andar nobre as três salas viradas à rua apresentam silhares de azulejo; o da sala central representa cenas alegóricas aos quatro continentes: Europa, América, África e Ásia; na do lado nascente representam-se os lazeres palacianos: um concerto, um banquete e cenas de jardim; na do lado poente, apresentam-se cenas de caça ao veado e, predominantemente, ao javali. Duas das salas colocadas à esquerda possuem tectos de apainelados. No topo direito surge a capela, revestida a azulejos, com a inscrição "Policarpus abolina Berd Pinxit", figurando nos painéis O Bom Pastor, Jesus e Nossa Senhora em concílio com as Santas Virgens, Visitação e Anunciação; possui retábulo de talha dourada e policroma. Sobre a secção posterior do piso nobre, com escada de madeira, existe um outro mezanino parcial.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada; elementos estruturais, molduras dos vãos, pilastras, frisos, cornijas, escada e outros elementos em cantaria de granito; silhares de azulejos; cobertura de telha.

Observações

*1 - Alguns autores, como António de Matos Reis atribuem a planta da casa ao mestre bracarense Manuel Fernandes da Silva. *2 - Inicialmente a casa dava para o pequeno rocio do convento de São Domingos com chafariz encimado pelo Salvador do Mundo, conforme quadro do viarense Álvaro de Pinho e Campos.