Santuário instituído numa capela de construção românica, que se afirma como ponto importante nos caminhos de peregrinação a Santiago de Compostela. É de pequenas dimensões, de planta retangular composta por nave e capela-mor, com coberturas interiores diferenciadas, de madeira em masseira, executadas no séc. 20, e iluminada escassamente por pequenas frestas e uma rosácea, ainda românica. Revela-se como um exemplar do período de transição do românico para o gótico no arco triunfal, com perfil apontado, sendo o portal axial e o arco triunfal em arcos dobrados, assentes em impostas salientes; as portas travessas assentam em impostas salientes, talhadas nos silhares, encimadas por lintel e falso frontão semicircular. O portal axial possui rosácea simples, com decoração geométrica. A cachorrada ostenta decoração vária, com elementos fitomórficos, animais fantásticos e figuras humanas, que intercalam com pequenas edículas decoradas com elementos vegetalistas; sobre esta, surge um friso de esferas e a cornija. No arco triunfal, os capitéis possuem decoração vegetalista, zoo e antropomórfica, revelando que foram executadas num período tardo-românico, em época de transição. Contudo, este templo teria raízes mais antigas, provavelmente visigóticas, surgindo sobre estruturas de uma villa romana, que se encontra anexa e parcialmente escavada. Na capela-mor, um simples altar em cantaria, novecentista.
Planta retangular composta por nave única e capela-mor mais estreita, de volumes articulados e escalonados, com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas, rematados em beiradas simples. Fachadas em cantaria de granito aparente, em aparelho isódomo, rematadas por cachorrada e cornijas pontuadas por elementos esféricos. Os cachorros, em número de 34 no lado N. e 33 no oposto, apresentam decoração variada, como meias esferas, cruz de Santo André, cartelas, pirâmides, pássaros, cabeças de lobo, figuras antropomórficas e, entre eles, existem pequenos nichos em arcos quebrados, à exceção das cornijas da cabeceira, onde são decorados com motivos vegetalistas e geométricos, constituindo palmetas, rosetas, trilóbulos e quadrilóbulos, meias-esferas e estrelas. Fachada principal, virada a O., rematada em empena, com cruz grega no vértice, marcada por três mísulas, que poderiam constituir o suporte de um alpendre. É rasgada por portal escavado, em arco dobrado e de volta perfeita, assentes em impostas salientes, o qual tem, no silhar do lado esquerdo a data incisa de "1897" e, no lado oposto, um nicho inciso em arco de volta perfeita, sobrepujado por uma mísula. No topo, rosácea circular, ostentando decoração lobulada. As fachadas laterais são semelhantes, rasgadas por porta travessa de verga reta, assente em impostas talhadas no próprio silhar, a do lado N. encimada por dintel e a oposta por falso frontão semicircular. Possui duas frestas no corpo da nave e um no da capela-mor. Fachada posterior em empena, rasgada por pequena fresta. INTERIOR com paredes em cantaria de granito aparente, teto de madeira em masseira e pavimento em lajeado de granito. Arco triunfal de perfil apontado, dobrado e assente em impostas salientes, com a arquivolta interna suportada por colunas embebidas no muro, com bases circulares assentes em plataformas com ângulos decorados com cabeças humanas, de fuste liso com dois anéis no primeiro terço e capitéis cúbicos, o do lado do Evangelho ornado por motivos vegetalistas estilizados, cabeça humana com gorro e um animal feroz, surgindo, no oposto, motivos vegetalistas, duas aves afrontadas e nos vértices superiores duas cabeças de monstro. No interior da capela-mor, elevada por um degrau, altar em cantaria, com tampa assente em maciço central, surgindo, na parede testeira, três mísulas de cantaria *3.
Materiais
Estrutura em cantaria de granito; cornijas, cruzes, cunhais, modinaturas, arcos, pavimento, altar e mísulas em cantaria de granito; coberturas e portas de madeira; janelas com caixilhos de chumbo e vidro incolor: telhados com telha cerâmica de meia-cana.
Observações
*1- esta pertencia à capela, onde surgia em forma de sineira de volta perfeita, assente em impostas salientes e rematada por cornija, com cruz latina ao centro. *2 - o topónimo "Mileu" é um termo francês ligado a tecido medieval. *3 - o portal axial tinha uma argola, que constituía uma "viria" lusitana, datável da Idade do Bronze ou da II Idade do Ferro, destinada a proteger a parte superior do braço do guerreiro. As obras da DGEMN alteraram o interior, que era rebocado e pintado de branco, percorrido por lambril esponjado, elemento que surgia à volta dos vãos e arco triunfal. Tinha coro-alto de madeira com guarda vazada por motivos geométricos. No lado da Epístola, existia um retábulo colateral, de planta côncava, de um eixo composto por duas colunas de fuste liso e capitéis coríntios, assentes em plintos paralelepipédicos almofadados e encimadas por fragmentos de frontão, rematando em espaldar recortado, com amplo resplendor; ao centro nicho contracurvo, tendo altar paralelepipédico. A capela-mor tinha uma estrutura retabular de madeira em branco, revivalista, composta por três eixos definidos por quatro pilares, rematados em pirâmides, com tribuna central em arco de volta perfeita, rodeado por moldura toreada, assente em colunelos finos, flanqueada por dois nichos semelhantes, envolvidos por elementos fitomórficos vazados; ao centro, trono com a imagem e nas laterais, mísulas suportando Nossa Senhora de Lourdes e Santa Filomena. Na base, sacrário em forma de templete do século XVIII; altar paralelepipédico. Os eixos laterais formam dois nichos em arco de volta perfeita, assente em colunas de fuste liso e capitéis fitomórficos, assentes em altos plintos paralelepipédicos, na base dos quais surgem apainelados com motivos fitomórficos com a imagem de Santo António no Evangelho e Sebastião no lado oposto.