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Santuário de Santa Eufémia

Santuário de Santa Eufémia

O ponto de interesse Santuário de Santa Eufémia encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Penedono e Granja no municipio de Penedono e no distrito de Viseu.

Arquitetura religiosa, oitocentista. Santuário composto por capela acedida por alameda e plataformas terraceadas vencidas por escadas, onde se situam um cruzeiro, altar campal, dois chafarizes alusivos às Virgens Mártires, e a Casa das esmolas, todas estas estruturas criadas no séc. 20, após a elevação do templo à categoria de santuário. A capela é mais antiga, de construção seiscentista, tendo nascido de um voto gratulatório formulado por Rui Freire de Andrade. Desta época, subsiste a estrutura de nave e capela-mor, com as respetivas janelas retilíneas, permitindo uma iluminação uniforme do interior. O edifício foi remodelado no início do séc. 19, seguindo esquemas tardo-barrocos, visíveis no remate da fachada principal com empena em cortina encimada por cornija contracurva, de inspiração borromínica, no perfil do janelão e no do nicho da fachada posterior, com extremos curvos e remates; nesta data, foram colocados os pináculos em forma de urna e construída a sacristia, com acesso através do retábulo, permitindo a criação de um circuito dos peregrinos junto à tribuna, dando origem à denominada "romaria das três voltas". Contudo, o retábulo não mantém a sua estrutura primitiva, tendo sido alvo de uma profunda remodelação no séc. 20, pouco subsistindo da antiga estrutura do início de oitocentos. Íntegras, estão as estruturas retabulares das capelas colaterais, de planta côncavas e com remates típicos da talha tardo-barroca, em fragmentos de frontão com espaldares centrais e remates de folhagem dourada. Possui coberturas interiores em falsas abóbadas de berço, pontuadas por medalhões pintados a representar cenas da vida da Mártir e os Evangelistas, estes na capela-mor. No interior, mantêm-se vários ex-votos pintados, da autoria de Carlos Massa, datados do séc. 19.

Complexo composto por amplo terreiro formado por cinco terraços escalonados, com acesso pelo lado S.. O terraço superior está sobre plataforma artificial, sustentado por muros de cantaria aparente, pontuados por altos pináculos piramidais, assentes em esferas, e orlado por árvores e arbustos, pavimentado a relvado, pontuado por corredores em lajeado e bancos em cantaria; a igreja é envolvida por pavimento em calçada, constituindo um corredor para pagamento de promessas. No centro, surge a IGREJA de planta poligonal composta por nave, capela-mor e torre sineira adossada ao lado direito, de volumes articulados e escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas, sendo em coruchéu de perfil côncavo na torre sineira. Fachadas em cantaria de granito aparente, percorridas por socos de cantaria, flanqueadas por cunhais apilastrados, firmados por urnas, e rematadas em frisos e cornijas. Fachada principal, virada a S., rematada em empena em cortina, visivelmente alteada relativamente ao nível original, na zona superior com perfil de inspiração borromínica e com cruz latina sobre plinto; é rasgada por portal em arco abatido com molduras múltiplas salientes, tendo silharia fendida, e cornija, que a separa de amplo janelão com os extremos curvos e recortados, e estando ladeado por óculos circulares com molduras salientes. No lado direito e levemente recuada, a torre sineira de dois regidos, o inferior cego e o superior com quatro ventanas de volta perfeita. A estrutura remata em cornija e pináculos piramidais nos ângulos. Fachada lateral esquerda rasgada por porta travessa e duas janelas no corpo da nave e por porta e janela no da capela-mor, com uma segunda janela no volume da sacristia, separado pela marcação de uma pilastra; as portas possuem molduras recortadas, encimadas por cornijas interrompidas por pequenos espaldares, sobrepujados por cornijas em cortinas. Fachada lateral direita semelhante no corpo da nave, tendo, ainda, uma janela no corpo da capela-mor e uma no da sacristia. Fachada posterior rematada em empena cega, possuindo um nicho rematado em cornija de cortina e avental, contendo a imagem do orago, em mármore ("Santa Eufémia do Douro"). INTERIOR com as fachadas rebocadas e pintadas de branco, com coberturas em falsas abóbadas de berço com forros de madeira pintada, assentes em frisos e cornijas de cantaria, e pavimentos em lajeado. Coro-alto com acesso pelo lado da Epístola, pela torre sineira. No lado do Evangelho, púlpito quadrangular, com bacia de cantaria. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, ladeado por capelas retabulares colaterais, dedicadas a Nossa Senhora dos Remédios (Evangelho) e São José (Epístola). Capela-mor com mesa de altar de madeira, tendo, confortantes, dois nichos para alfaias. Na parede testeira, o retábulo de talha pintada de branco, vermelho, dourados e colunas de marmoreados fingidos, de planta reta e três eixos definidos por quatro colunas em entasis, com fuste liso, com o terço inferior marcado por anel fitomórficos e os superiores com folhagem, tendo capitéis coríntios e assentes em altos plintos paralelepipédicos com falsos almofadados marcados por molduras douradas e folhagem. Ao centro, tribuna de perfil contracurvo e moldura saliente, contendo trono expositivo de três degraus facetados, contendo baldaquino com a imagem do orago e fundo pintado de azul. O baldaquino é coberto por cúpula e assenta em pilastras. A tribuna está ladeada por duas mísulas com imaginária. Os eixos laterais possuem apainelados recortados, encimados por falsos baldaquinos vazados e ornados por folhagem, contendo mísulas com imaginariam; na base, portas retilíneas, de acesso à sacristia. A estrutura remata em amplo frontão semicircular interrompido por fragmentos de frontão e, ao centro, painel com decoração fitomórfica, encimado por cornija contracurva, ornada por motivos fitomórficos vazados. Altar em forma de urna, encimado por sacrário embutido na estrutura, envolvido por folhagem e com a porta ornada por cálice e hóstia. O RECINTO é ainda composto, num nível inferior, pelo largo da feira, formado por ampla alameda arborizada, que dá acesso a umas escadas em cantaria, onde surge o terreiro inferior, com Cruzeiro. Entre este e a plataforma do templo, ampla plataforma pavimentada a calçada e onde fica um altar campal; dá acesso ao muro que sustenta o terreiro do templo, com acesso por escadas de cantaria, ladeadas por dois braços de perfil curvo e por dois panos de muro, a que se adossam dois chafarizes. No lado direito do templo, a Casa das Esmolas, surgindo, no lado esquerdo, mas fora da estrutura murada, a Casa do Ermitão. No lado direito do recinto, surgem parques de estacionamento, uma churrasqueira, um parque infantil e um bar, situando-se, a NO., as instalações sanitárias.

Materiais

Estruturas em alvenaria e cantaria de granito, o interior da capela rebocado e pintado; modinaturas, cunhais, pilastras, nichos, nichos de alfaias, muros, pináculos, cornijas, degraus, pavimentos, chafarizes, cruzeiro, cruz, imagem de Santa Eufémia e base do púlpito em cantaria de granito; mobiliário, mesa de altar e coberturas de madeira; painéis de azulejo; pavimentos dos terreiros em calçada; retábulos de talha; coberturas exteriores em telha cerâmica.

Observações

*1 - a capela terá surgido de um voto do capitão-mor general do mar da Índia e do Mar Vermelho, Rui Freire de Andrade, por ter sido salvo de uma forte tempestade.