Portal de Cidadania

Núcleo urbano da vila de Marialva

Núcleo urbano da vila de Marialva

O ponto de interesse Núcleo urbano da vila de Marialva encontra-se localizado na freguesia de Marialva no municipio de Mêda e no distrito de Guarda.

Núcleo urbano sede de freguesia. Vila medieval com castelo e cerca urbana. Aglomerado com origem em antiga vila murada associada a arrabalde, localizado em esporão à cota alta e a meia encosta, sobranceiros a aldeia localizada no sopé da encosta, a Devesa, estruturada à medida do abandono do pólo alto e fortificado. Distinta estrutura urbana na área intra-muros, arrabalde e aldeia do sopé da encosta. Praça do Pelourinho e Largo da igreja de Santiago, organizando ou bipolarizando a formação urbana intra-muros. Rua da Corredoura estruturando um traçado de crescimento linear no arrabalde. Largo do Terreiro polarizando, numa fase inicial, a formação urbana da aldeia do sopé da encosta, enquanto os Largo do Toural e Largo do Negrilho desempenham essa função numa fase posterior da expansão urbana e crescimento linear recente sobre os eixos de acesso ao núcelo foritificado original, este com forma perimetral irregular alongada, adaptando-se ao terreno. Núcleo original da aldeia do sopé da encosta (Devesa) com forma circular decorrente de provável preeexistência. Eixo matricial comum aos três núcleos, implantando-se segundo uma direcção N. / S., formado pela Rua da Corredoura, entrando no espaço intra-muros pela Porta do Anjo, dirigindo-se à Porta de Santa Maria, a partir de onde inicia a descida da encosta, atravessando depois o núcleo inicial, continuando já no exterior da área urbana para a ponte que atravessa a Ribeira de Marialva. Esse eixo matricial N. / S. cruza os principais largos ou praças estruturantes: a Praça do Pelourinho no espaço intra-muros; o largo da igreja de São Pedro no percurso do arrabalde; os Largos do Toural e do Terreiro na aldeia do sopé da encosta. Principais eixos secundários do arrabalde perpendiculares ao eixo N. / S., dando origem a formações lineares mais tardias. Principais eixos secundários intra-muros dirigindo-se para a Porta do Monte e para o Postigo, este último cruzando primeiro o Largo da igreja de Santiago, de onde irradiam outros eixos secundários. Principais eixos secundários da aldeia do sopé da encosta com origem em derivações do eixo N. / S. Espaço construído diversificado, com predomínio do tipo casa de dois pisos, erguida sobre os eixos e áreas principais, contrastando com casas de um só piso nos eixos e áreas secundários. Casas exibindo cantarias decoradas com motivos quinhentistas, ou apenas biseladas, nas áreas mais antigas de expansão do arrabalde. Casas de dois e três pisos, de frente mais larga, com empena voltada à rua e varanda saliente no segundo piso com larga expressão nas áreas de expansão ou transformação oitocentista do aglomerado.

Aglomerado bipolar composto por pólo fortificado de origem medieval localizado em esporão à cota alta, onde se distinguem a antiga vila intra-muros desertificada e a respectiva área de expansão extra-muros ou arrabalde, e um pólo não fortificado, localizado no sopé da encosta, apenas com desenvolvimento a partir do século 18, mas que veio reocupar em parte a área onde se supõe ter existido a Civitas dos Aravi referenciada na epigrafia do século 2. A vila intra-muros é delimitada por uma muralha de forma alongada no sentido SO. / NE., que une a extremidade SO. do esporão com um alto granítico que domina do lado NE., onde foi construída uma torre (Torre do Monte). Distinguem-se na muralha troços de traçado mais rectilíneo, que compõem a metade SO., de outros cuja irregularidade decorre da adaptação ao modelado do terreno granítico e que predominam na metade NE. O espaço intra-muros é dominado pelo castelo implantado sobre o morro rochoso, que ocupa parte significativa da área central situada a O.. O castelo é constituído por uma cerca de planta poligonal com entrada do lado O., a qual envolve a torre de menagem quadrangular e as ruínas de uma antiga cisterna (v. PT020909080011). A NE. do castelo estrutura-se a praça, delimitada a NO. pelas ruínas da Casa da Câmara e Cadeia (v. PT020909080017), na qual se localizam o pelourinho (v. PT020909080005) e um poço. Apresenta plano irregular, sendo pavimentada com calçada à portuguesa preenchendo rectângulos e triângulos definidos por guias graníticas. Para esta praça convergem os principais percursos que organizam o espaço intra-muros, com destaque para os que procedem das três portas da cerca da vila: a Porta do Anjo, a NO., a Porta de Santa Maria, a S., e a Porta do Monte, a E. Na zona S. do castelo surge uma larga plataforma de configuração quadrangular que serve de adro à Igreja de Santiago (v. PT020909080016) e à Igreja da Misericórdia ou do Senhor dos Passos (v. PT020909080014), limitado a SO. pelos muros do cemitério construído no século 19. Para o espaço aberto do adro convergem vários arruamentos, um dos quais proveniente do postigo que se abre na muralha da cerca a O. O arrabalde desenvolve-se a N. a partir da principal porta da cerca da vila, a Porta do Anjo, apresentando uma formação urbana linear estruturada pela Rua da Corredoura, que corre a meia encosta procurando manter sensivelmente a mesma cota. Esta rua constituía o troço inicial do caminho que ligava às antigas vilas vizinhas pelo lado N., nomeadamente Meda e Longroiva. Atravessada a porta, após um acesso rampeado em cotovelo, resguardado por muros que sobreviveram à ruína da antiga barbacã e onde também se preserva uma cisterna, abre-se o Largo das Casas dos Judeus ou do Cruzeiro, de plano irregular, com um cruzeiro do lado O. (v. PT020909080080), junto do qual se inicia a Rua da Corredoura. Do lado oposto, domina a Igreja de Nossa Senhora de Lourdes ou Capela de São João Baptista (v. PT020909080015), assente em plataforma elevada, que sucedeu à desaparecida sede da antiga paróquia deste último orago, sobrevivendo da fábrica medieval a torre sineira integrada na cerca da vila. A partir da Corredoura, a estrutura urbana desenvolve-se segundo dois eixos principais, perpendiculares ao da Corredoura, que descem a encosta tomando a direcção O., a Rua do Tanque / Carreira e a Rua do Seixo. Do lado oposto, subindo a encosta a E. da Corredoura, identifica-se uma estrutura muito distinta. Na área lateral à antiga sede paroquial de São João formou-se um amplo largo (Largo do Coro) onde se nota alguma indefinição de limites, pela dispersão das construções que o enquadram, a partir do qual se inicia um percurso secundário, paralelo e alternativo ao da Corredoura. Próximo da extremidade N. do percurso urbano da Rua da Corredoura, esta alarga-se do lado O. em terreiro quadrangular no meio do qual se situa a igreja de São Pedro (v. PT020909080022) envolvida por adro em plataforma, contrariando o pendor da encosta. Este largo formou-se a partir da antiga sede paroquial, erguida sobre a confluência do caminho que toma a direcção O. e cujo troço inicial deu origem à Rua da Carreira, perpendicular à Rua da Corredoura. O percurso final desta rua, após inflectir para N., alarga-se num terreiro que envolve a Capela da Senhora da Guia (v. PT020909080101), cuja implantação é já periférica em relação ao aglomerado. O segundo eixo estruturante, ortogonal ao da Rua da Corredoura, é constituído pela Rua do Seixo. Inicia-se no troço inicial da Corredoura, diante de uma fonte quinhentista, tomando a direcção O. e ligando ao conjunto de casas do Seixo, organizado sobre uma plataforma natural em esporão rochoso pela concentração de construções de utilização predominantemente agrícola. No entanto, o itinerário dos Passos da Via Sacra, construídos muito provavelmente no século 17 e que ainda hoje se preservam em grande parte (v. PT020909080109), mostra a importância das ruas da Corredoura e da Carreira enquanto eixos estruturantes da formação do arrabalde, secundarizando o eixo de ligação ao núcleo do Seixo A ligação tradicional entre o pólo alto e fortificado, constituído pela vila e pelo seu arrabalde, e o pólo baixo da Devesa estabelecia-se através da Porta de Santa Maria, localizada no pano da muralha da cerca orientado a S., descendo a encosta por caminho lançado primeiro de NO. para SE. e em seguida de NE. para SO., por forma a compensar o pendor acentuado da descida naquele local. Com a decadência e desertificação do pólo fortificado e a concomitante preponderância do pólo situado à cota baixa, posteriormente reforçada pela sua ligação directa à EN 102 e pelo relevo adquirido pelos transportes motorizados, aquela ligação passou a fazer-se através de um novo percurso que a abertura da Rua ou Estrada do Castelo possibilitou. Adquiriram então nova importância o Largo da Figueira Bugalhota, como término original deste percurso, bem como a Rua da Pocinha que, ligando aquele largo ao troço inicial da Rua do Seixo, junto da confluência com a da Corredoura, constitui o itinerário mais curto quer para a área habitada do antigo arrabalde quer para a zona amuralhada, valorizada a partir da década de 1940 nas suas valências patrimoniais e turísticas. Mais recentemente, o prolongamento da Rua ou Estrada do Castelo num percurso que cruza ortogonalmente as ruas do Seixo e da Carreira, para confluir no extremo N. da Rua da Corredoura, deu continuidade à estrada de ligação à EM 324, em direcção à sede do Concelho, quase definindo uma circular externa ao aglomerado. Alguns dos equipamentos colectivos construídos em meados do século 20, como a escola primária ou o novo cemitério, ficaram situados a meio do percurso definido pela Rua ou Estrada do Castelo de modo a facilitar o acesso equidistante às duas comunidades. O pólo localizado no sopé da encosta, a Devesa, parece ter-se desenvolvido só a partir do século 18. O núcleo original identifica-se no traçado urbano como uma formação radioconcêntrica, cujos limites circulares surgem definidos a S., E. e N. pelo alinhamento da Rua da Ribeira, pelo lado O. do Largo do Negrilho e pelo percurso que liga este largo à Rua do Castelo. A O., os limites são mais irregulares, materializando-se no encadeamento de vários muros de propriedade. O círculo assim definido e que mostra um diâmetro aproximado de 210 m, encontraria explicação em possível delimitação realizada na altura do incremento urbano da Devesa, que terá ocorrido na 2ª metade do século 18, ou, com mais probabilidade, em alguma preexistência tardo-romana ainda não identificada. A ordenação urbana mostra uma estrutura original, polarizada num largo central (Largo do Terreiro) a partir do qual se desenvolvem eixos radiais em direcção aos limites do círculo. Várias outras estruturas parecem ter condicionado esta forma geométrica da formação inicial. Em primeiro lugar os percursos que talvez preexistissem, derivados do eixo de ligação tradicional que descia do pólo da vila fortificada e que tomam as direcções S., SO. e SE. O primeiro atravessaria o núcleo original da Devesa, entrando a NE., entre os largos do Toural e do Negrilho, cruzando depois o Largo do Terreiro no centro e continuando em direcção à ponte sobre a ribeira de Marialva a SSO., através da Rua do Forno ou, em alternativa, através das ruas da Formiga ou da Figueira. Constituiria o eixo principal da aldeia da Devesa. O segundo, atravessando o núcleo original numa secante ao lado NO., terá dado origem a um eixo que, sobrepondo-se às ruas da Caldeira, do Castelo (parte) e à Rua Nova, interrompe os eixos radiais desse lado e provoca uma certa indefinição no traçado dos limites do círculo. O terceiro, desenvolvendo-se na totalidade pelo exterior do núcleo original da Devesa, traça diagonais estruturantes aos largos do Toural e do Negrilho, antes de continuar pela Rua do Nobre, já numa zona periférica. Aqueles largos, definindo sucessivas plataformas que contrariam o pendor da encosta, exteriores ao núcleo inicial da Devesa, terão constituído os principais pólos ordenadores da fase subsequente de expansão urbana. As primeiras construções concentraram-se em torno dos respectivos terreiros, para se estenderem depois para NE., acumuladas sobre um cabeço rochoso limitado pela Rua do Cabeço, ou crescendo linearmente ao longo da Rua da Moira. Estas formações mais recentes suscitaram novas alterações aos traçados originais do núcleo da Devesa, cujo centro parece deslocar-se para NE., na confluência dos três principais largos (Toural, Negrilho e Terreiro). Será aí o local escolhido para a construção dos alpendres do mercado, entretanto já demolidos. A importância de todos estes largos e terreiros relaciona-se com a realização da feira de Marialva, nas duas versões mensal e anual que, a partir do século 18, passaram a ter lugar na Devesa. Os três largos tenderam a redefinir-se como um espaço único, redesenhando o traçado urbano dos quarteirões entre os dois últimos (onde se localiza a nova capela de Nossa Senhora dos Remédios, construída em 1947) e do ângulo SO. do Largo do Terreiro, ao mesmo tempo que se regulariza um novo eixo estruturante, hoje designado por Avenida 25 de Abril, no prolongamento do novo principal acesso, a ligação à EN 102. Outra área de crescimento urbano, ainda que de menor expressão, desenvolve-se do lado oposto, numa formação linear estruturada no prolongamento SE. da Rua Nova, facto que deverá estar na origem do topónimo. Depois de meados do século 20, principalmente a partir do final da década de 1970, as áreas disponíveis para crescimento urbano condicionam novas formações lineares que seguiram os tradicionais eixos de saída da Devesa. No que se refere ao espaço construído, verifica-se que na antiga vila intra-muros os quarteirões são irregulares, encontrando-se na sua maior parte alterados pela adaptação do interior das estruturas arruinadas a espaços de utilização agrícola. As construções melhor preservadas situam-se apenas a N. da praça do pelourinho, nalguns casos ainda com as paredes erectas até à cimalha do segundo pavimento, identificando-se os planos originais. Observam-se casas estreitas de dois pisos, com a escada no interior, mostrando alçados com duas portas no piso térreo, uma mais larga do que a outra, a que correspondem janelas de peito no piso superior. No arrabalde, o espaço construído apresenta uma razoável diversidade. No eixo principal da Corredoura predominam as casas de dois pisos em alvenaria de granito, com ou sem as paredes rebocadas e guarnição em cantaria dos vãos e dos cunhais. São comuns as escadas exteriores com patamar alto, por vezes com alpendre. Algumas das casas no troço mais a S. da Corredoura exibem vãos e outras cantarias decoradas com motivos quinhentistas ou então biseladas, entre as quais se destaca a Casa do Leão. Outras construções excepcionais são o edifício da antiga Tulha do Convento de Nossa Senhora da Ribeira de Sernancelhe e o Solar dos Marqueses de Marialva. Em áreas secundárias, como a Rua do Seixo, o núcleo do mesmo nome, as ruas travessas à Corredoura ou no eixo paralelo a esta, predominam as casas de um só piso integralmente construídas em alvenaria e com escassos vãos. No principal eixo perpendicular à Corredoura, constituído pela Rua do Tanque / Carreira, predominam o tipo de casa mais larga, de dois pisos e empena voltada à rua, com maior número de vãos e varanda saliente no segundo piso. Na aldeia da Devesa, apesar das adulterações recentemente introduzidas num elevado número de construções, surgem claramente distintas as áreas a SE. e o núcleo do Cabeço, com grande densidade construtiva em extensão mas com predomínio de tipos arquitectónicos simples, como as casas de apenas um piso. Nas restantes áreas predominam os tipos de dois pisos, sendo também frequentes os de três, mostrando-se em razoável número as construções de empena voltada à rua com varanda saliente no segundo piso.

Materiais

Não aplicável

Observações

O topónimo Marialva relaciona-se com a Lenda da Dama dos Pés de Cabra, de que existem várias versões e variantes, localizando-a igualmente em outras regiões da Beira Interior e Trás-os-Montes. Uma das variantes refere-se a uma moura de nome Marialva que vivia numa alta torre nesta povoação e por quem um cavaleiro cristão se apaixonou secretamente até que, um dia, este descobriu que aquela possuía pés de cabra. Assombrado pela descoberta revela a todos o seu amor ilícito gritando assustado "Marialva tem cara de rosa e chancas de cabra". A moura, perseguida como ser demoníaco, atira-se do alto da torre em que vivia. Actualmente, as principais festividades são a feira anual de Santiago, que se realiza a 25 de Julho, e a romaria em honra de Nossa Senhora dos Remédios que se realiza em Agosto.