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Catedral de Silves

Catedral de Silves

O ponto de interesse Catedral de Silves encontra-se localizado na freguesia de Silves no municipio de Silves e no distrito de Faro.

Arquitectura religiosa, gótica, manuelina e barroca. Sé de planta em cruz latina, seguindo o modelo das igrejas monacais e conventuais mendicantes; cabeceira tripartida, com ábide poligonal e absidíolos rectangulares, em pedra aparelhada, grés vermelho, nitídamente influenciada pela escola da Batalha. Da campanha gótica quatrocentista subsistem a cabeceira e o transepto, cobertos em abóbadas de perfil quebrado, nervuradas (excepto nos braços do transepto no absídiolo S.), com chaves decoradas com as armas reais; as nervuras, decoradas por dois toros, apresentam um perfil arcaizante, diferenciado-se dos arcos torais, mais recentes, arrancando de feixes de colunas com capitéis de decoração vegetalista; gótico também o portal principal, inscrito em alfiz, com arquivolta interior reposando em colunelo e as restantes em colunas munidas de bases duplas e capitéis de motivos vegetalistas e antropomórficos; a arquivolta exterior é preenchida com figuras humanas e animais entre bagas e folhas, como no pórtico da Igreja Matriz de Portimão (v. PT050811030007). As naves, escalonadas, e respectiva cobertura em telhados de uma e duas águas, nas laterais e central respectivamente, evidenciam outra campanha construtiva, já do período manuelino, apresentando analogias com a Igreja de Soure (v. PT020615090020); os alçados interiores, de 4 tramos e um único registo, com a leveza das amplas arcadas de grés, de perfil quebrado, chanfradas nas arestas, sustentadas por pilares simplificados octogonais - como na Igreja Matriz do Crato (v. PT041206020004), contrastando com a massa compacta da cabeceira e transepto. Da campanha decorativa barroca restam alguns retábulos de talha dourada e polícroma; retábulo da Capela dos Evangelistas protobarroco apresentando semelhanças com o da Ermida de Nossa Senhora dos Mártires (v. PT050813070007), evidenciando um mesmo mestre; retábulo da Capela do Senhor Jesus apresentando semelhanças com os exemplares algarvios concebidos por Francisco Xavier Fabri a quem se atribui o respectivo risco (LAMEIRA, 2005); os ornatos em talha do arco apresentam-se próximos do formulário neo-clássico. Trata-se da mais notável das construções góticas algarvias e um dos mais importantes monumentos do S. do país. Importante conjunto de lápides tumulares de bispos e notáveis de Silves, exclusivamente dos séculos 15 e 16. Retábulo da Capela do Senhor Jesus semelhante aos exemplares algarvios concebidos por Francisco Xavier Fabri a quem se atribui o respectivo risco (LAMEIRA, 2005), apresentando ornatos em talha do arco próximos do formulário neo-clássico, constituindo caso ímpar no Algarve. Transepto e cabeceira pouco homogeneo, com cobertura interior diferenciada nos seus absidíolos, em abóbada de berço quebrado no S. e nervurada no N., e rasgada por diferentes lumes nos topos do transepto: janelão mainelado a S. e simples fresta a N.. A nível epigráfico destaque para as variedades gráficas encontradas no conjunto das inscrições, que demonstram uma nítida influência dos alfabetos usados nos documentos paleográficos coevos. Assim, a inscrição nº 12 foi gravada numa capital quadrada muito mal executada com o "P" e o "R" característicos de uma letra personalizada de tipo híbrido (cortesã e "cancellaresca"), pouco comum na Epigrafia; a nº 19 de uma qualidade gráfica extraordinária, que se harmoniza com a qualidade plástica dos elementos decorativos, permite identificar o autor do texto: um cónego da Sé, familiarizado com os alfabetos caligráficos solenes, em especial com as letras iluminadas, que compunham os códices existentes na biblioteca da catedral; a nº 20 apresenta uma letra caligráfica comum idêntica à usada nos registos da chancelaria e nos forais manuelinos, de que são exemplo as formas extravagantes do "M", "N" e "D", deixando transparecer que o texto foi elaborado por um funcionário régio. As inscrições nº 2,4,10,21,23,28b e 37 apresentam uma capital actuária cujas letras "A", "E", "M", "T" e "O" são peculiares e únicas nesta Sé. Convém ainda realçar que a inscrição nº 33 para além de possuir um formulário original foi executada ainda em vida do encomendador pois a data da morte nunca foi completada; e as inscrições nº 19 e 20 possuem inexplicavelmente palavras cujos sulcos não foram abertos, revelando a técnica usual na gravação: o texto foi grafitado na pedra sobre letras previamente desenhadas. O estudo epigráfico e biográfico possibilitou caracterizar os sepultados: à excepção de três, a maioria viveu no século XVI sendo que 68% eram laicos, 19% eclesiásticos e 13% desconhece-se o estado social. Dos primeiros, 19% são nobres de geração, 16% são fidalgos, 5,5% pertencem à oligarquia local e 24% ignora-se-lhes o estado. No que respeita aos eclesiásticos 86% pertencem ao Cabido, um é bispo (D. Fernando Coutinho), três são dignatários, chantre, mestre-escola e tesoureiro, sendo um deles (Fernão Cabral) fidalgo. Foram gente ligada às casas dos infantes D. Henrique e D. João e participantes na expansão ultramarina, ocuparam cargos na administração local, foram representantes do governo e da administração da Diocese e Cabido de Silves, e pertencentes à oligarquia local. Algumas das tampas de sepultura lembram os nomes dos líderes da revolta organizada contra a mudança da Sé e Cabido de Silves para Faro, e são por isso de extrema importância para a história da cidade. A mudança da Sé para Faro e o progressivo assoreamento do rio Arade, originaram um período de decadência económica e social, com a ruralização da elite silvense, e explicam o vazio epigráfico que encontramos na Sé entre os séculos 17 e 18.

Planta longitudinal em cruz latina, composta por 3 naves, torre sineira a S. e torre a N. capelas laterais, transepto saliente de topos rectilíneos, corredor de acesso ao exterior e sacristia rectangulares a S., cabeceira tripartida, com ábside poligonal e absidíolos rectangulares. Volumes articulados, massas dispostas na vertical com cobertura diferenciada em telhados de 1 água sobre as naves laterais, 2 águas sobre a central, transepto e absidíolos, 3 águas na sacristia, 4 sobre a torre N., terraço na ábside e domo barroco acantonado por fogaréus sobre a torre S., vazado por óculos e rematado por cupulim. Fachada principal a O., harmónica, antecedida por escadaria a compensar o declive do terreno; apresenta 3 corpos correspondentes à nave central e torres; no corpo central insere-se alfiz de cantaria onde se rasga o portal em arco quebrado de 4 arquivoltas assentes em colunas capitelizadas com motivos vegetalistas (palmetas) e antropomórficos, sendo a arquivolta exterior preenchida com folhas, bagas, figuras humanas e animais e a arquivolta interna apoiada em colunelos com capitéis de folhagem; sobre o portal corre estreito balcão assente em cachorrada historiada (com cabeças humanas e animais) e servido por uma pequena porta em arco rebaixado, à direita; do alfiz nascem lateralmente 2 contrafortes que sobem até ao remate, em empena curvilínea com volutas, flanqueando um óculo central de molduras concêntricas; os corpos das torres, de desigual altura, apresentam embasamento, e são delimitados por pilastras e cunhais, de silharia à vista na Torre N., que terminam em capitéis de volutas; a torre N. tem 2 registos, rasgados o inferior por fresta em arco quebrado, o superior, por óculo elíptico; remate em cornija ao nível da empena; torre S. com mais um piso ocupado pelas sineiras em arco pleno. Fachada S.: corpo da torre que integra, no piso térreo, capela funerária vazada por 2 pequenos vãos em arco quebrado e, no 2º piso, uma janela de sacada com guarda de ferro encimada por relógio; segue-se pano do corpo da igreja alteado do lado esquerdo, adossado à torre, com janela rectangular e remate em beiral; corpo da entrada lateral cingido por pilastras rematadas por fogaréus, antecedido por lanço de escadas transversal com patamar; portal em arco de moldura curvilínea recortada, com concheados e florões estilizados, rematado em cornija festonada entre volutas sob frontão igualmente curvilíneo com volutas, centrado por vão tetralobado; o corpo da Sacristia é rasgado por porta rectangular de vértices côncavos na face O. e 2 janelas quadrangulares a S.; face E. cega; remate em beiral sob cornija; corpo das naves, recuado, cego, com remate em beiral sobre cornija; braço do transepto delimitado por cunhais com gárgulas zoomórficas, com embasamento proeminente, vazado por janelão em arco quebrado de 2 lumes com tímpano rendilhado e rematado por empena angular; pano do absidíolo com embasamento escalonado, cego, rematado por cachorrada com gárgula zoomórfica. Fachada N.: corpo da torre com fresta no 1º registo na face N. e óculo elíptico no 2º registo a E. e N.; segue corpo saliente em L, cego e rematado com beiral; corpo das naves rasgado por fresta, com remate m cornija e beiral; junto ao braço do transepto, corpo cego de capela lateral; braço do transepto rasgado por fresta e com uma porta em arco rebaixado; remate em empena angular; na face O. salienta-se corpo estreito do campanário, com sineira sobre o telhado; pano do absidíolo cego, rematado por cachorrada com gárgula. Fachada posterior: absidíolos com embasamentos escalonados, vazados por janelas de arco quebrado e rematados por cachorrada, a ladear ábside de panos divididos por contrafortes de andares com gárgulas zoomórficas e abertos por janelas em arco quebrado de 2 lumes; coroamento de merlões. INTERIOR: 3 naves de altimetria escalonada, divididas por arcaria quebrada sobre pilares oitavados capitelizados, sendo o último par cruciforme, totalizando 4 tramos; cobertura das naves em tecto de masseira; no último pilar do lado do Evangelho, púlpito de madeira com balcão de balaústres, sobre base poligonal de pedra assente em coluna de pedra facetada sobre plinto. No alçado O., a ladear o portal principal, duas pias de água benta de taça em concha e sobre aquela, à esquerda, uma porta em arco quebrado. Nave lateral da Epístola: no 1º tramo rasga-se um arco quebrado, encimado por edícula em arco conopial com pedra de armas e por uma fresta cega; dá acesso à capela funerária de João do Rego e Gastão da Ilha, rebaixada, provida de degraus, pavimento de pedra e cobertura em abóbada de berço quebrado com toral e cadeia sobre mísulas de ponta de lápis, centralizada por bocete heráldico; no seu alçado S. rasgam-se duas pequenas janelas em arco quebrado e dois arcosólios do mesmo perfil contendo cada um sua arca tumular sobre leões e carrancas de pedra, com frontais decorados com heráldica e ornatos vegetalistas e tampa epigrafada; os arcosólios são encimados pelas pedras de armas dos tumulados em molduras rectangulares torsas; no alçado E. fresta cega; no 2º tramo da nave, a Capela das Almas, inscrita em arco pleno revestido de talha dourada e polícroma, a enquadrar retábulo de talha polícroma e dourada com marmoreados fingidos; abrindo para o 3º tramo da nave, corredor transversal, com cobertura em abóbada de berço, faz ligação à porta lateral, em arco rebaixado; na parede E. uma porta em arco rebaixado com volutas vegetalistas de acesso à Sacristia, e um arcosólio contendo uma arca tumular onde se observa gravada a abreviatura Rº, que corresponde ao nome próprio Rodrigo, e por isso tem sido identificada como sendo a do bispo D. Rodrigo do Rego; na parede O. um arcosólio contendo a arca tumular epigrafada de João Gramaxo e sua mulher Ana Taborda; no 4º tramo da nave, a Capela de Nossa Senhora de Fátima ou dos Evangelistas, em arco pleno revestido de talha idêntico ao da Capela das Almas, contendo retábulo de talha dourada e polícroma a enquadrar painéis pintados figurando os 4 Evangelistas. Nave lateral do Evangelho: no 1º tramo, arco quebrado dando acesso à Capela Baptismal; superiormente, à direita, fresta reentrante, em arco de volta perfeita; a capela tem cobertura em berço quebrado com toral e cadeia, iluminada por fresta a O.; pia baptismal octogonal em pedra; no 2º tramo, a Capela da Pietá, em arco pleno revestido de painéis de estuque com grutescos, a imitar talha; retábulo plano, de eixo único, pintado a branco; no 4º tramo a Capela do Senhor Jesus com acesso por arco pleno revestido de talha dourada, com ornatos semelhantes aos da Capela da Pietá; retábulo em edícula, de planta recta e um só eixo, em talha policroma e dourada; alçados e cobertura decorados por motivos em talha e painéis com os emblemas da Paixão: do lado esquerdo o cálice e a coluna flagelo, do lado direito os instrumentos tortura e a coroa de espinhos; entre as duas capelas laterais, descentrada, fresta reentrante em arco de volta perfeita; no 4º tramo Capela lateral do Senhor Jesus; a ladear a Capela da Pietá duas pinturas com molduras munidas de frontão em talha. Transepto: da altura da nave central, com cruzeiro abobadado de cruzaria de ogivas apoiada em grossos pilares cruciformes, e braços com abóbadas de berço quebrado; no braço N. porta em arco pleno a O., na parede de topo rasgada por fresta, um arcosólio vazio em arco quebrado com pedra de armas no fecho (3 flores de liz em campanha) e outro do mesmo perfil com arca tumular com insígnias de Bispo gravadas na tampa; no braço oposto, janelão de dois lumes, arcosólio quebrado com imagem sobre peanha; do lado O. porta em arco pleno para o corredor da Sacristia. Pavimentos combinando madeira (sob os bancos) e lajes de pedra onde se distribuem inúmeras tampas de sepultura epigrafadas. Cabeceira: absidíolos em arcos quebrados, de intradorso cairelado de rendilhados lobulados, de dois tramos e topos rectilíneos iluminados por fresta de 2 lumes; comunicam com a capela-mor por vãos quebrados de 2 arquivoltas sobre colunas com capitéis vegetalistas e de colchete; o absidíolo N. tem cobertura em cruzaria de ogivas com cadeia decorada com bocetes heráldicos centrados por outro vegetalista; o S., antiga Capela do Santissimo Sacramento, tem abóbada de berço quebrado, de dois tramos, com toral e cadeia com bocete heráldico com escudo real; extradorso da abóbada decorado por pinturas murais figurando, no 1º tramo, composição arquitectónicas com putti e grinaldas, no 2º tramo motivos vegetalistas envolvendo medalhões. Arco triunfal quebrado de intradorso rendilhado, com capitéis de folhagem e antropomórficos; capela-mor com cobertura em abóbada de cruzaria de ogivas, de 2 tramos, o último poligonal, com cadeia e bocetes vegetalistas e um heráldico, com escudo real, assente em meias-colunas com capitéis de folhagem; do lado do Evangelho arcosólio pleno com arca tumular encimado por friso de rosetas; do lado da Epístola friso esculpido em forma de cordão; pavimento de pedra com tampas de sepultura epigrafadas, entre as quais uma alusiva à primitiva sepultura de D.João II.

Materiais

Cantaria (grés de Silves), alvenaria, mármore, telha; madeira em portas e caixilhos; talhas e retábulos em madeira de castanho, casquinha e madeiras resinosas.

Observações

*1 - o arcosolio no alçado S. do transepto, encobre uma primitiva hoje entaipada; o retábulo da Capela das Almas teria o propósito de preencher todo o alçado fundeiro e sofreu alguns acrescentos, nomeadamente o sotobanco, os marmoreados do ático e a sua extensão através da inclusão de 4 tábuas obrigando a um rearranjo decorativo, à aplicação de enrolamento com folhagem e à deslocação do escudo (primitivamente remate das arquivoltas) para o centro do ático (ROCHA 2005); segundo Francisco Lameira o retábulo do Senhor Jesus é de construção ligeiramente anterior à do retábulo-mor, com risco atribuível a Francisco Xavier Fabri e feitura ao mestre entalhador José da Costa, sedeado em Faro (LAMEIRA, 2005); as pinturas que se encontram no alçado do Evangelho, provêm dos retábulos colaterais da capela-mor que terão sido apeados aquando da demolição do retábulo-mor; Francisco Lameira (LAMEIRA, 2005) considera erroneamente que o local de origem dos mesmos seria nas naves laterais, fronteiros, entre as capelas laterais; *2 - São diversas as opiniões sobre a fundação da Sé de Silves, baseadas em diferentes interpretações das fontes documentais existentes; defendem uns ter D.Sancho I após a conquista da cidade mandado purificar a antiga mesquita, cuja existência no local parece comprovada pela cisterna islâmica (v. PT050813070012) à qual estaria associada (GAMITO, 2005); a mesquita teria sido construída sobre um templo romano ou visigótico, de que poderão ser testemunho os vestígios arqueológicos existentes; outros autores, com base em Duarte Nunes de Leão, atribuem a edificação da Catedral a Afonso, o Sábio, de Castela, durante o domínio que exerceu no Algarve, terminado com o acordo de 1267; *3 - tratava-se de um grande órgão, de influência alemã e talha joanina, de planta rectangular, constituído por três castelos, o central proeminente e disposto em meia cana, sendo os laterais dispostos em ângulo, com gelosias de acantos vazados, em cortina, que, nos laterais, se repetem na base; rematam em cornija sobrepujada, ao centro, por bolbo de enrolamentos e cartela envolvida por acantos, surgindo, sobre os castelos laterais, "putti" de vulto; os nichos são flanqueados por pilastras e rematam em folhagem de acanto vazada, elementos que se repetem nas ilhargas, formando orelhas; consola formada por apainelados, com janela central, ladeada pelos botões dos registos e por painéis em arco de volta perfeita, sobrepujados por folhagem; *4 -; os retábulos colaterais das naves laterais da Sé foram transferidos para a Ermida de Nossa Senhora dos Mártires (v. PT050813070007); *5 o retábulo-mor era de planta convexa, de eixo único, com nicho central com trono, enquadrado por dois pares de colunas compósitas e par de pilastras nos extremos, sotobanco, tribuna central interrompendo o remate em entablamento e tribuna central, ático em frontão curvo com cartela ladeada por dois anjos e com urnas nas ilhargas; *6 - Francisco Lameira (LAMEIRA, 2005), considera que a talha transferida para a Igreja da Misericórdia de Beja (v. PT040205130006) era a proveniente da Capela do Santíssimo Sacramento; todavia fotografias do retábulo desta capela, de 1938, antes do seu apeamento, mostram uma estrutura retabular diversa da que se encontra em Beja, sendo apenas reconhecíveis, eventualmente como provenientes de Silves, alguns elementos do 2º registo do retábulo do Santíssimo, aplicados em Beja ao nível do banco e sotobanco; quanto à transferência de talha de Silves para o retábulo-mor da Igreja da Luz de Lagos (v. PT050807030005), é considerada pouco provável por Lameira dado o retábulo-mor se adaptar "com perfeição ao local onde se insere"; uma análise atenta deste último evidencia todavia que ali foi adaptado, não parecendo projectado de raiz para aquele espaço; fotografias de 1942 mostram o retábulo algarvio já colocado na capela-mor, sem sotobanco, pelo que a ter vindo da Sé de Silves terá aí sido colocado em data anterior a 1955; *7 - presumívelmente localizada sob o arco triunfal, pressupondo-se a entrada sob a lage rectangular junto ao pilar esquerdo do mesmo que foi levantada: sob esta jazia camada de terra solta à mistura com fragmentos de pedra e alguns ossos de pequenas dimensões, concluindo-se que o local fora já intervencionado, provavelmente aquando das obras realizadas pela DGEMN a partir de 1931; o ensaio GPR confirmou todavia a existência de um espaço vazio na zona (cfr. Relatório "Tentativa de localização e abertura da Cripta", DGEMN).