Capela gótica, remodelada no séc. 16, singular, pela correcção canónica, sobretudo da ábside, no panorama regional. O paramento testeiro da ábside denuncia influências da primeira campanha de trabalhos no Mosteiro da Batalha.
Edifício de planta composta pela articulação horizontal de ábside com corpo de nave, integralmente edificado em silharia de mármore de fino corte, com nave coberta de telhado de duas águas sólidamente amparada por arcobantes de cimalha pendente e vão de arco perfeito, que deviam cair sobre alpendrada gótica de que resta a cachorrada de descanso do vigamento. À frontaria de cimalha triangular, obedecendo aos mais puros cânones do gótico monástico, furtaram-lhe porventura no século XVII toda a formosura, pois substituiram-lhe a rosácea por largo janelão rectangular e antecederam o pórtico de um nártex de composição forçada, porventura utilizando excrecências de edifício apalaçado das redondezas, com três tramos de colunata toscana sobre altos plintos apilastrados, levantando arquitrave de cantaria onde repousam os beirados do vigamento de simples cobertura de três águas em madeira revestida de telha lusa. O pórtico, simples vão de arco apontado emoldurado de silharia chanfrada, é ladeado por lambril de azulejos. Similar pórtico, mais modesto, rasga-se na fachada lateral Sul. Na fachada posterior ressalta a ábside de testeira poligonal de dois tramos marcados por contrafortes, que rematam também os eixos radiais.
Materiais
Cantaria de mármore de Estremoz
Observações
Teve anexos hospital e albergaria administrados por confraria própria e, a partir do século XVI, pela Misericórdia de Estremoz. Iniciou-se segundo a tradição e as crónicas em 1371 por iniciativa régia de Dom Fernando e terminou-o o Condestável Dom Nuno Álvares Pereira, senhor da Vila de Estremoz. Teve acrescentos no reinado de Dom Manuel e infeliz reforma nos séculos XVII e XVIII.