Arquitectura religiosa, maneirista e rococó. Igreja paroquial de planta longitudinal composta por nave única, com duas capelas laterais confrontantes profundas, e capela-mor, mais baixa, interiormente com tectos de madeira e iluminada por frestas e tendo adossado, na fachada lateral esquerda, torre sineira e sacristia. Fachadas com pilastras nos cunhais, terminadas em friso e cornija e com porta travessa na lateral direita. Fachada principal rasgada por portal em arco de volta perfeita, encimado por nicho com imagem do orago e óculo circular. Interior com coro-alto, púlpito no lado do Evangelho, retábulo da capela lateral do Evangelho e colaterais maneiristas, o primeiro de andares, com planta recta, três eixos e dois registos, e os segundos tipo nicho, o da capela lateral da Epístola tardo-barroco e o mor e frontais de altar revivalistas. Tecto da nave com pintura de quadraturas rococó. Igreja de linhas muito sóbrias, seguindo a tipologia regional das Matrizes mais simples, com a fachada principal terminada em empena, com cornija. Os vãos apresentam arco de volta perfeita, de modinatura revivalista, e foram executados provavelmente durante as reformas do séc. 20, tal como o alteamento da torre sineira, de construção posterior à igreja. Interiormente, o coro-alto surge fechado inferiormente, comunicando com a nave por três portais em arco de volta perfeita. O retábulo da capela lateral do Evangelho, ainda que apresente estrutura maneirista, de dois registos nos eixos laterais, teve o eixo central reformulado no período barroco, conforme denota a decoração que encima a tribuna, e o seu remate constitui o aproveitamento de parte das volutas dos eixos laterais, percebendo-se que o ático do retábulo foi posteriormente truncado para encaixar no espaço da capela. O retábulo da capela lateral da Epístola possui estrutura neoclássica, mas o remate é ainda de influência rococó. Nos retábulos laterais, apenas o da Epístola conserva a tabela pintada e ambos possuem o remate do ático de feitura recente. O retábulo-mor é revivalista, de inspiração clássica, visto que conjuga elementos de várias ordens com outros atípicos, devendo ter sido executado em meados do séc. 20. A decoração dos frontais de altar, também eles de feitura recente, é revivalista, reproduzindo alguns elementos rococós. Destaca-se a pintura do tecto da nave, datada, semelhante a outras existentes no concelho, mas de qualidade superior, conjugando a representação do orago com Virgens Mártires e Santas, de um lado, e os Apóstolos, do outro, dispostas em edículas de colunas.
Planta longitudinal composta por nave única, com duas capelas laterais profundas confrontantes, a lateral direita exteriormente facetada, e capela-mor, da mesma largura, tendo adossado à fachada lateral esquerda torre sineira quadrada e sacristia rectangular. Volumes escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na igreja e a três na sacristia e capela. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com pilastras nos cunhais, coroadas por pináculos piramidais sobre plintos paralelepipédicos, embasamento em cimento a imitar cantaria e terminadas em friso e cornija, moldurada. Fachada principal virada a S., terminada em empena, coroada por cruz latina de cantaria, revestida a azulejos modernos de padrão, monocromos azul sobre fundo branco. É rasgada por portal em arco de volta perfeita assente em pilastras, com chave sobreposta por escudo com cruz e IHS, encimado por nicho, inserto em tabela rectangular, com arco em volta perfeita e cúpula concheada, albergando imagem, assente em cornija e sobreposto por dupla cornija, e óculo circular, com moldura de cantaria e vidros coloridos; ladeando o portal, abrem-se duas frestas de topos superiores curvos e vidros igualmente coloridos. Torre sineira, recuada relativamente à fachada principal, de dois registos, altos, definidos por friso e cornija, tendo no primeiro, registo de azulejos policromos com figuração da Aparição de Nossa Senhora de Fátima, no segundo relógio circular e, em cada uma das faces, sineira, em arco de volta perfeita albergando sino; é coroada por coruchéu de dois registos, o primeiro de plano inclinado, ornado com elemento curvo saliente, e o segundo direito, rasgado por sineira, terminado em corpo tronco-piramidal rematado por cruz de ferro. Fachadas laterais com nave rasgada por duas frestas de topo curvo; na lateral esquerda, abre-se na torre, portal em arco de volta perfeita, encimado por registo de azulejo figurando São João, e na sacristia, portal de igual modinatura entre dois óculos circulares; na fachada lateral direita, abre-se ainda portal central semelhante e chave relevada e a capela tem, virada a S. fresta. Fachada posterior com nave e capela-mor, cega, terminadas em empenas, coroadas por cruz latina de cantaria. INTERIOR rebocado e pintado de branco, com silhar de azulejos recentes azuis e brancos de padrão. Coro-alto de betão, com guarda em balaustrada de madeira envernizada, e inferiormente fechado por parede, onde se abrem três portais em arco de volta perfeita, o central mais alto e largo, fechados por portas com bandeira em madeira envidraçada; no sub-coro, com pavimento cerâmico policromo, abre-se de cada lado vão em arco de volta perfeita; o do lado do Evangelho alberga pia baptismal circular sobre pé tronco-cónico invertido, encimada por registo de azulejos monocromos azuis sobre fundo branco com representação do Baptismo de Cristo, fechada por cancela de ferro; o do oposto forma capela com imagem do Senhor dos Passos e altar de talha. Sensivelmente a meioda nave, dispõe-se no lado do Evangelho púlpito de bacia rectangular sobre mísula volutada, com guarda em balaustrada, acedido por porta de verga recta. De cada um dos lados, abre-se uma capela lateral, confrontantes, com arco de volta perfeita sobre pilastras toscanas, sobrepujado por cartela inscrita, a do Evangelho com representação de cálice com hóstia e a da Epístola com Coração Inflamado; apresentam retábulo de talha policroma a azul, bege e dourado, de planta recta e três eixos, e tecto de madeira pintado de azul, na do Evangelho de perfil curvo, sobre cornija também de madeira, formando caixotões, e na do lado oposto em masseira. Seguem-se dois retábulos colaterais, também eles confrontantes, de estrutura semelhante, e com planta recta e um eixo. Tecto da nave com pintura decorativa em quadraturas, formando edículas de colunas sobre plintos albergando doze Virgens Mártires e Santas na metade junto ao coro e os Apóstolos na metade junto ao arco triunfal, identificados inferiormente com inscrições, e envoltas por grinaldas e anjos; ao centro possui ampla cartela recortada e inscrita com a representação do Baptismo de Jesus, e numa outra lateral a inscrição a Cidade de Deus. Na capela-mor, sobre supedâneo acedido por vários degraus frontais, assenta o retábulo-mor, em talha policroma a branco, azul, marmoreado fingido castanho e dourado, de planta recta e três eixos, definidos por pilastras de inspiração clássica, com terço inferior marcado com caneluras, assentes em plintos altos e delgados, e de capitéis jónicos, que suportam entablamento e têm no seu enfiamento espigas douradas relevadas sobre plintos; ao centro, abre-se tribuna de perfil abatido, interiormente pintado de azul e com a inscrição "EUCARISTIA" e "FAMILIA", e albergando trono expositivo de cinco degraus facetados e ornados com elementos fitomórficos; nos eixos laterais, sobre as portas de acesso à tribuna, surgem painéis rectangulares jacentes sobrepostos por grinalda encimados por um outro vertical sobreposto por mísula com imaginária; ático formado por espaldar terminado em arco em volta perfeita, integrando vários arcos, um com chave relevada, e onde se insere o arco da tribuna, terminando em cornija, ladeado por painéis com parras. Altar tipo urna com frontal pintado de azul e branco, possuindo cartela circular central com cruz e resplendor, envolvida por elementos fitomórficos. Encima-o sacrário tipo templete, de colunas caneladas e capitéis coríntios, terminado em cornija contracurvada decorada com acantos. Tecto de madeira de perfil curvo, pintado de azul, com São João Baptista numa cartela central, assente em cornija. Sacristia com arcaz e lavabo de espaldar rectangular vertical, terminado em empena aguda, com cornija, e inferiormente recortado, com rosto antropomórfico encimado por pequeno reservatório, e com pequena bacia facetada.
Materiais
Estrutura rebocada e pintada; elementos estruturais, frisos e pilastras, pináculos, molduras dos vãos, pia baptismal e de água benta, lavabo, base do púlpito em cantaria de granito; embasamento em cimento; revestimento, silhar e registos de azulejos; portas de madeira; janelas e óculos com vidros martelados policromos em caixilharia de ferro; candeia sobre o nicho em ferro; guarda do coro e do púlpito em madeira; retábulos de talha policroma e dourada; tectos de madeira, o da nave com pinturas decorativas; pavimentos cerâmicos e em granito; sinos de bronze; lápides de mármore; cobertura em telha.
Observações
O topónimo Castedo tem origem latina e foi influênciado pela cultura agrícola predominante da região, pois a palavra inicial, castanetum, significaria castanheiro. De castanhedo, o nome terá evoluído para castanedo - castaedo - castedo. O povoamento de Castedo remonta à época pré-histórica, existindo no monte da Cerca um castro. Outra hipótese é que derive da palavra castretu(m), diminuitivo de castru(m) - castro. Na verdade, existem no lugar da Cerca ruínas de um castro romanizado. Nesse caso, a evolução da palavra seria: castretu(m) - castetu - castedo. Durante o reinado de D. Pedro II e D. José, Castedo teve uma grande incremento devido à produção da vinha, ao ponto de um dos seus lugares ser designado como "Porto Pequeno".