Arquitectura religiosa, maneirista e barroca. Pequena ermida de romaria composta por nave rectangular e capela-mor circular coberta com cúpula, delimitada por adro e escadaria a O.. Edifício de modestas proporções, enriquecido interiormente por um retábulo barroco só possível pelo grau de efectividade a que o culto de Santo António chegou durante a época moderna; portal principal da segunda metade do séc. 16. Implantação num monte fronteiro à povoação, como acontece em outros casos de localidades portuguesas, como na Ermida de Santo António de Castro Marim (v. PT050804020006).
Planta longitudinal composta por nave única rectangular, cruzeiro quadrangular e capela-mor. Volumes articulados dispostos verticalmente com cobertura em telhado de duas águas sobre a nave e a capela-mor e em cúpula sobre o cruzeiro. Fachada principal orientada, organizada a um só registo e de corpo único, delimitado por fortes pilares nos cunhais; portal principal de arco recto e moldura em cantaria, com friso superior mais desenvolvido e acesso através de dois degraus; fachada termina em empena triangular apoiada em cornija, encimada nos extremos por dois robustos pináculos de secção quadrangular e, ao centro, por uma cruz. Fachada lateral S. organizada em três corpos de registo único, reflectindo a divisão interna do espaço; corpo O. corresponde à nave e é uma ampla massa pétrea sem elementos divisores, à excepção do pilar no ângulo SO. que delimita simultaneamente as fachadas principal e S. e o beiral que suporta o telhado; corpo central corresponde ao cruzeiro e eleva-se bem acima do corpo O.: alçado quadrangular delimitado por pilares nos cunhais, semelhantes aos da fachada principal e com idênticos pináculos a coroá-los, com uma janela quadrangular aberta no eixo da caixa murária, de moldura em cantaria; telhado suportado por cornija e beiral; entre os corpos O. e central desta fachada adossa-se a torre sineira, mais baixa que o corpo central, com arco de volta perfeita e terminação em empena triangular irregular; corpo E. corresponde à capela-mor e é ligeiramente reentrante em relação ao prolongamento natural do corpo central para E.; eleva-se à altura da nave e é delimitado por um pilar de secção quadrangular semelhante aos restantes, mas de menor altura. Fachada lateral N. segue o mesmo esquema da fachada S., com a excepção de não possuir torre sineira adossada nem janela quadrangular no eixo do corpo. Fachada posterior organiza-se a dois registos, sendo o primeiro correspondente à capela-mor, delimitado por pinhais e terminando em empena triangular definida pelo beiral que suporta o telhado, e o segundo ao alçado E. do cruzeiro, ao qual a capela-mor se adossa, de plano recto e com cornija a anteceder o beiral; cúpula sobre o cruzeiro avista-se de todos os lados do imóvel, com curvatura exterior em meia-esfera, encimada ao centro por um pináculo circular. INTERIOR: Espaço único escassamente iluminado (única janela a S., no cruzeiro) mas reflectindo a organização exterior dos volumes. Nave: espaço rectangular bastante largo, coberto com tecto de madeira, a três panos, assente em asnas embebidas nas paredes. Cruzeiro: separa-se da nave através de um amplo arco abatido que descarrega em robustas pilastras embebidas na caixa murária a S. e a N.; espaço quadrangular com janela a S. e trompas de ângulos nos extremos a suportar a abóbada da cúpula, delimitada inferiormente por um ligeiro ressalto. Capela-mor separa-se do cruzeiro através de um arco triunfal de volta perfeita, definido por pilares com dupla imposta, semelhante à que antecede o arranque do arco abatido do cruzeiro; tecto em abóbada de canhão; paredes laterais com nichos de volta perfeita; Retábulo-mor sem sotobanco, composto unicamente por corpo e coroamento; corpo: três eixos verticais, sendo o central delimitado por pilatras que sustentam o entablamento e integrando o nicho de arco de volta perfeita; eixos laterais com talha policromada, sugerindo painéis marmoreados, com duas peanhas para outras tantas imagens; coroamento acompanha a curvatura de volta perfeita um tanto irregular da abóbada, em muito mau estado, mas vslumbrando-se ainda dois fogaréus no prolongamento vertical das pilastras do registo inferior, que enquadram motivos decorativos florais e um medalhão, ao centro, praticamente irreconhecível.
Materiais
Alvenaria rebocada e caiada; cantaria; madeira; talha; tijoleira; telha
Observações