Arquitectura religiosa, barroca, rococó e neoclássica. Igreja de planta longitudinal composta por nave, capela-mor ligeiramente mais estreita, sacristia e anexo de arrumos adossados à fachada lateral esquerda e torre sineira adossada à oposta, com coberturas interiores diferenciadas em falsas abóbadas de berço abatido e iluminada por janelas rectangulares com os extremos curvos, rasgadas nas fachadas laterais. Fachada principal em empena, com os vãos rasgados em eixo composto pelo portal barroco, em arco abatido e moldura recortada, encimado por óculo circular. Torre sineira de dois registos, separados por friso e cornija, sendo o registo superior rasgado em todas as fachadas por ventana moldurada de arco pleno, com impostas salientes, tendo remate em coruchéu. Fachadas circunscritas por cunhais apilastrados, firmados por pináculos, rematadas em friso e cornija, a lateral direita rasgada por porta travessa em arco abatido. Interior com coro-alto de madeira, sob o qual, no lado do Evangelho, existe pia baptismal. Púlpito no lado do Evangelho e retábulos de talha policromada, os mor e colaterais rococós e os laterais neoclássicos.
Planta longitudinal composta por nave, capela-mor ligeiramente mais estreita, sacristia e anexo, adossados à fachada lateral esquerda, e torre sineira, adossada à oposta, de volumes articulados e escalonados, com a capela-mor mais baixa, e coberturas diferenciadas de telhados a uma (sacristia e anexo), duas águas (nave e capela-mor) e em coruchéu campaniforme na torre sineira. Fachadas em cantaria aparente, rebocada e pintada de branco, percorridas por embasamento, flanqueadas por cunhais apilastrados, firmados por pináculos bolbosos, e remates em friso e cornija saliente com uma das molduras em papo de rola. Fachada principal, voltada a S., em empena com cruz no vértice, assente em plinto de cantaria, rasgada por portal em arco abatido, de moldura saliente recortada, com enrolamentos, pequeno disco e coroada por cornija angular, sobrepujada por óculo circular com moldura de cantaria saliente. Torre sineira com dois registos, separados por friso e cornija, o primeiro rasgado, por pequena porta em arco abatido, sobrepujada por uma cartela com a data de "1907" e por relógio com fina moldura de cantaria saliente, e, na fachada E., por pequeno óculo duplo de moldura saliente; registo superior rasgado, em todas as fachadas por ventana em arco de volta perfeita, assente em impostas salientes. A torre é coroada por coruchéu com catavento e rematada nos cunhais por pináculos piramidais. Fachada lateral direita, voltada a E., composta pelos volumes da torre sineira, da nave e da capela-mor, a nave com porta travessa em arco abatido, ladeado, em plano superior, por dois janelões semelhantes aos da fachada anterior; um janelão semelhante rasga-se na capela-mor. Fachada lateral esquerda, voltada a O., rasgada por dois janelões moldurados e com perfis curvos nos extremos, surgindo, no volume da capela-mor, janelão de idêntico perfil; o anexo tem, na face S., porta de verga recta. Fachada posterior cega e em empena com cruz no vértice, tendo, no corpo da sacristia, pináculos piramidais rematados por esferas e janela em capialço com moldura saliente. INTERIOR rebocado e pintado de branco, percorrido por azulejo padrão azul e branco, formando silhar, com cobertura em falsa abóbada de berço abatido, de madeira pintada de bege, assente em cornija saliente sobre friso, em madeira pintada de castanho e pavimento com lajes de granito cobertas por tijoleira. Coro-alto de madeira pintada de branco com guarda de madeira de castanho, suportado lateralmente por mísulas em granito cobertas por madeira pintada, acessível através da torre sineira. Na zona do sub-coro, no lado do Evangelho, pia baptismal constituída por monólito de granito em forma de taça, suportada por fuste de base quadrada que se chanfra aos cantos, tornando o fuste ligeiramente oitavado. Em plano superior, um armário embutido na parede com moldura de cantaria e registo de azulejo polícromo representando o "Baptismo de Cristo". Uma pequena pia de água benta, de bacia rectangular, encontra-se embutida na parede, no lado da Epístola, junto ao pórtico, que se encontra protegido por guarda-vento envidraçado. No lado do Evangelho, a meio da nave, púlpito com bacia e guarda plena de granito moldurada sobre mísula. No lado da Epístola, guarda-vento de madeira protege a porta travessa, ladeada por pia de água benta semicircular. Confrontantes, os retábulos laterais de talha policromada, dedicados ao Senhor dos Passos (Evangelho) e Nossa Senhora de Fátima (Epístola). Ambos são ladeados por pequeno nicho em cantaria lavrada formando concheado. Arco triunfal de volta perfeita, em cantaria com impostas salientes, flanqueado por retábulos colaterais em talha policromada, de disposição em ângulo, dedicados a Nossa Senhora da Piedade e ao Sagrado Coração de Jesus, seguindo tipologia semelhante. Capela-mor com paredes rebocadas e pintadas de branco, percorridas por azulejo formando silhar e cobertura em falsa abóbada de berço abatido de madeira pintada com grande profusão de festões e concheados sobre azul, e duas cartelas com inscrições, assente em cornija e friso de madeira policromada imitando marmoreados; pavimento de lajes graníticas com supedâneo de três degraus, onde assenta o retábulo-mor de talha dourada e policroma, de planta recta e três eixos, definidos por par de colunas coríntias, de fuste liso marmoreado, assente sobre consolas galbadas e marmoreadas e por pilastras com motivos relevados concheados e fitomórficos; ao centro, tribuna coberta por falsa abóbada de berço e fundo pintados a imitar seda lavrada, com trono de linhas sinuosas e remate em concheados e volutas douradas envolvendo pequeno nicho vazado; eixos laterais possuem duas edículas com mísulas; remate em frontão interrompido e de lanços ornamentado com molduras, cartelas, folhagens, concheados e grande resplendor centrado por coração cercado por coroa de espinhos policromado; sobre o altar, sacrário com frontão contracurvado e recortado por volutas e concheados, com almofada em baixo-relevo representando uma cruz com resplendor. No lado da Epístola, porta de acesso à sacristia de planta rectangular, tendo, à direita, um lavabo em cantaria, de reservatório embutido no muro, com bacia canelada suportada por mísula, com espaldar lavrado com cartela e carranca ao centro e rematado por concha; uma porta de verga recta acede ao anexo de arrumos.
Materiais
Granito; telha cerâmica; azulejo industrial; vidro simples; vidro fosco; ferro forjado; ferro fundido; bronze; madeira de castanho; madeira de carvalho; madeira de pinho; madeira pintada; talha dourada.
Observações
*1 - na qual informa que fazia aquela obra pelas almas dele, de seu irmão Martim Pires, dum sobrinho, de Dona Aldara Martins de quem foi testamenteiro, e de todos aqueles e aquelas com quem tenha pecado; queria nela missa cantada diária perpétua e horas canónicas, para o que lhe "anexava" a quinta de Távora com casas, árvores, cortinhal, Bacelo, vinha de sô-carreira, diversas leiras, as herdades do Baraceiro e de Darnelhas, os dois soutos do Pedregal, o moinho do Rio Mau e herdamentos em Penedono; "e relinquo-me logo delhes e remiço todo o dereito e toda a juridiçom"; todo aquele que à capela oferecesse "alguma rem de sue", participaria do bem que nela se operasse e tornar-se-ia quinhoeiro. Era seu desejo que, para servir na capela, se escolhesse de preferência clérigo da sua linhagem, se fosse "comunal pera esto"; de qualquer modo, o benefício seria vitalício e encarregava o presidente da igreja de Lamego pro tempore de investir nela clérigo "que cante hi cada dia e diga as oras compridamente e que logo o ordine e faça"; quem contradissesse o presente feito "quanto demandar tanto dobre" de multa; ao que fosse dada a voz "peitem lhe mil maravedis e este meu feito permeesca em sa fortaleza" (Cabido, 2.ª Remessa 30, f. 18-19). *2 - contudo, numa doação feita em 1236 por Dona Sancha Dias ao bispo de Viseu, D. Gil, de tudo quanto possuía em Távora, termo de Trancoso, informa-se que era barão da terra Gonçalo Mendes, e pretor Sancho Gonçalves (IAN/TT, Fundo Antigo 397, f. 519, documento da Sé de Viseu); a Rui e Pedro Lourenço de Távora é certo ter el-rei D. Fernando doado as vilas de São João da Pesqueira e Ranhados em paga de serviços prestados pelo pai dos mesmos (Chanc. de D. Fernando, livro 2.º, f. 85-88 v.); os Távora diziam-se descedentes de D. Rausendo e parece que o primeiro a usar este apelido foi D. João Esteves, filho de Estêvão Peres, senhor de Távora, Castanheira e outras terras. *3 - estabeleceu diversos legados entre eles um de 30 missas anuais durante 30 anos por alma de sua mãe, às quais aplicou a renda do olival da Cagadinha. *4 - dispôs ainda de 30 alqueires de pão para os pobres, de 30 vinténs para se distribuírem à porta, dos seus vestidos de baeta e seda a favor dos clérigos necessitados, "tudo por amor de Deus"; não esqueceu das confrarias e nomeou para herdeiras as sobrinhas Ana, Polónia, D. Luísa, do Vilar, e Domingos de Sequeira; Havia anteriormente instituído um óbito perpétuo de 30 missas por sua alma, mediante escritura, lavrada nas notas do tabelião Gaspar Freire, vinculando às mesmas toda a fazenda que possuía na Granja; a sobrinha D. Ana de Sequeira faleceu no Vilar, a 2 de Julho de 1748, no estado de viúva de António de Barros; dois anos antes, ditara extenso testamento com os legados habituais, sem esquecer os pobres; e por a morte lhe haver levado todos os filhos, constituiu herdeiros os sobrinhos. 5* - Pedro Augusto Ferreira, comummente conhecido como Abade de Miragaia, foi o continuador da obra Portugal Antigo e Moderno de Pinho Leal, e de colaboração com este escreveu a obra Maria Coroada ou o scisma da Granja do Tedo.