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Cine-Teatro São Pedro

Cine-Teatro São Pedro

O ponto de interesse Cine-Teatro São Pedro encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Alcanena e Vila Moreira no municipio de Alcanena e no distrito de Santarém.

Arquitectura cultural, modernista. Cine-teatro de planta composta, de desenvolvimento longitudinal, com cobertura em telhado. Articulação ritmada da superfície das fachadas, sublinhando o jogo da luz e sombra. Funcionalismo do espaço interno, transparecendo no tratamento das fachadas. Dentro dos edifícios construídos para cine-teatro, insere-se no grupo de auditórios de planta rectangular, de cena contraposta, com auditório comportando plateia e um balcão, além dos camarotes laterais para as autoridades (4). Tem fosso de orquestra e proscénio. Dispõe de palco com pendente, subpalco e camarins localizados atrás do palco, em corpo especialmente concebido para o efeito. Cabina de projecção em espaço independente, localizada no piso acima do balcão. Trata-se assim de um auditório tipo A1 (salas de espectáculos) de 2ª categoria (entre 500 a 1000 lugares), com palco de tipo B2 (espaços cénicos integrados), com espaços de apoio dos tipos C1 (locais de projecção e comando), C2 (locais de apoio) e C3 (locais técnicos e de armazenagem) *3. O edifício do cine-teatro, de volumetria e linhas modernistas, contrasta com o fronteiro edifício dos Paços do Concelho, de gosto ecléctico, de cunho nacionalista, construído pelo mesmo arquitecto, José de Lima Franco, e inaugurado em 1946. Apesar do estado de degradação do edifício, são ainda visíveis certos pormenores que revelam a existência de um cuidado projecto de decoração de interiores, a cargo de Raul Tojal, nomeadamente no acabamento do pavimento do átrio e dos paramentos do foyers e do auditório, no desenho dos bares e das cadeiras e nos revestimentos das varandas do balcão.

Planta composta por rectângulos adossados, dispostos longitudinalmente. Cobertura em telhado, parcialmente destruída. Fachada principal, virada a NO., de quatro panos. Destacam-se os três panos do lado direito, subindo em três pisos; o piso superior, rematado por cornija, é recuado e antecedido por varanda com guarda em ferro, resguardada na secção central por pala em betão apoiada em quatro pilares; os dois pisos inferiores, ligeiramente avançados e enquadrados por molduras em cantaria, mostram uma organização simétrica: o pano central, de maiores dimensões, correspondente ao vestíbulo e foyer do balcão, os dois panos laterais, à caixa da escada, do lado direito, à zona do foyer da plateia e ao espaço do bar do balcão, do lado esquerdo; rasgamento axial das portas de acesso ao átrio, ao fundo de um nártex, apoiado em dois pilares centrais e antecedido por pala saliente e escada; rasgamento lateral dos vãos das bilheteiras nos paramentos laterais do nártex, arredondados e sublinhados por juntas fendidas; no registo superior abrem-se três amplas janelas com bandeiras; os dois panos laterais são simetricamente vazados por dupla fenestração longitudinal, sublinhada por faixas em cantaria. O pano do lado esquerdo da fachada, de dois pisos, corresponde às zonas de serviços e é rasgado por pequenas janelas. Na fachada lateral, virada a SO., demarcam-se três corpos de volumetrias desiguais: o primeiro correspondente à caixa da escada, enquadrado por faixas em cantaria e rematado por varanda, rasgado pela porta de acesso e resguardada por pala; o segundo corpo, correspondendo ao auditório, mostra um paramento liso rematado por cornija, assinalado pelo rasgamento longitudinal de iluminação das zonas de acesso à plateia e ao balcão, e pelas três portas de acesso à plateia, com frestas sobrepostas; e o terceiro corpo, mais elevado, e também rematado por cornija, vazado por porta de acesso ao palco. INTERIOR - Os espaços de estar para o público, bem como os espaços de apoio concentram-se na zona que antecede o auditório. Um átrio de entrada ( 7 m x 1, 50 m), de pavimento em marmorite com moldura central oval, onde se inscreve em cores contrastantes a designação e o nome da empresa proprietária, assegura o acesso ao foyer térreo (7 m x 3, 50 m) e aos corredores que circudam a plateia. É igualmente neste piso que se localizam a bilheteira, com atendimento para o exterior (capacidade para 2 funcionários), o bengaleiro (capacidade para atender 3 pessoas) e um bar. As escadas de acesso aos pisos superiores, localizam-se no canto direito. Sobre o átrio, no 1º piso, abre-se o amplo foyer do balcão (9 m x 6 m), dividido por sala e espaço de bar: de realçar, em ambos os foyers, o revestimento cor de antracite dos lambris, sublinhados por filetes paralelos dourados, bem como os balcões de bar, com revestimento em folha metálica, respectivamente, prateada e dourada. A área dos foyers no segundo piso é aproveitada para terraço e instalação da cabina de projecção. Espaço do AUDITÓRIO - espaço independente, ligado ao palco pela boca de cena, de planta rectangular e contando com uma lotação de 588 lugares distribuídos por plateia (460), balcão de 1ª ordem (54) e 4 camarotes laterais de 1ª ordem (16) *1. Plateia com pendente, de coxias longitudinais central e laterais, e transversais de boca e de fundo, desprovida de cadeiras *2; pavimento em madeira, paredes estucadas e pintadas de cor branca acima de lambril sublinhado por faixa pintada de cor antracite sobre a qual se increvem filetes dourados dispostos paralelamente; tecto com trabalho de estuque crespado (visível nas zonas que não ruiram). O balcão, por cima da plateia, apresenta guarda em alvenaria, rebocada e pintada de cor branca, coxias longitudinais central e laterais e transversais de boca. Espaços cénicos - o PALCO com largura de 14 m e profundidade de 7, 50 m, tem pendente, paredes brancas, soalho de madeira disposto paralelamente à boca de cena e acesso de carga directo à rua. A boca de cena, de forma rectangular (8 m x 7, 50 m) e em estuque, é desenhada por moldura, sublinhada por friso de conteados, apresentando ainda vestígios de dourado. Dois paramentos laterais arredondados enquadram a boca de cena e o proscénio à frente do qual se abre o fosso de orquestra (13 m de largura). Espaços técnicos - a caixa de palco tem teia de piso e estrutura em madeira (a cerca de 14 m do palco) e varandas lateraisl e outra de fundo, em betão. Conta com subpalco, igualmente de estrutura em madeira. A cabina de projecção possui um espaço independente e está localizada no segundo piso, por cima do balcão de primeira ordem. Espaços de apoio à cena - 5 camarins, localizados atrás do palco, em corpo de planta rectangular, dividido em compartimentos de áreas idênticas. Acesso directo à rua e, pelo interior, ao palco, este último feito por duas portas, uma em cada topo.

Materiais

Alvenaria de tijolo, blocos de fibrocimento, betão armado, cantaria bojardada, tinta plástica de cor amarela (exterior), ferro, madeira de casquinha, vidro, betonilha pigmentada, marmorite, madeira exótica, couro e presilhas metálicas.

Observações

*1 - O estado de conservação do edifício não permite obter dados sobre a lotação. A capacidade do auditório foi assim apurada através do levantamento da Câmara Municipal de Alcanena; *2 - Por fotografia anterior à destruição, sabemos que a plateia contava com cadeiras fixas em madeira. *3 - Elementos que respeitam e adoptam a classificação do "Regulamento das Condições Técnicas e de Segurança dos Recintos de Espectáculos e Divertimentos Públicos", vide Anexo ao Decreto regulamentar n.º 34/95 (art. 2º e art. 3º). 1. Raul Tojal é sobretudo conhecido por algumas obras marcantes em Lisboa, nomeadamente os projectos de arquitectura para o Palladium, de 1932, para o Salão de Chá Imperium, de 1936 e para o salão de chá Suiça, todos em Lisboa. Nos anos 60, em colaboração com Manuel Moreira e Carlos Roxo (grupo que ficou conhecido pela designação de "Trio Maravilhas"), decorou numerosos espaços comerciais, nomeadamente a Loja das Meias em Lisboa, em 1961 (Rui Afonso SANTOS, 1995).